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sexta-feira, 15 de maio de 2020

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Crise no Brasil : Dólar ultrapassa R$ 5,32 pela primeira vez na história

Agência Brasil, 03/04/2020 

Dólar sobe pela sexta vez seguida e ultrapassa R$ 5,32


Bolsa caiu para o menor nível em dez dias



Por Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil - Brasília 



Em mais um dia de tensão nos mercados globais, o dólar voltou a subir e a bater recorde. A bolsa de valores, que tinha se recuperado ontem (2), voltou a cair para o menor nível em dez dias.


O dólar comercial encerrou a sexta-feira (3) vendido a R$ 5,326, com alta de R$ 0,06 (+1,14%), na maior cotação nominal desde a criação do real. A divisa operou em alta o dia inteiro e fechou no valor máximo do dia, mesmo com o Banco Central (BC) tendo intervindo no mercado.


A autoridade monetária vendeu US$ 455 milhões das reservas internacionais. O dólar fechou a semana com alta de 4,3%. Em 2020, a divisa acumula alta de 32,72%.


Depois de um dia de alta, o índice Ibovespa, da B3, a bolsa de valores brasileira, fechou esta sexta aos 69.537 pontos, com queda de 3,76%. O índice seguiu as bolsas no exterior. O índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, encerrou o dia com queda de 1,69%, refletindo a destruição de 701 mil empregos nos Estados Unidos em março. A taxa de desemprego na maior economia do planeta cresceu de 3,5% em fevereiro para 4,4% no mês passado.


Há várias semanas, os mercados financeiros em todo o planeta atravessam um período de nervosismo por causa da recessão global provocada pelo agravamento da pandemia de coronavírus. As interrupções na atividade econômica associadas à restrição de atividades sociais travam a produção e o consumo, provocando instabilidades.

Petróleo

A intensificação da guerra de preços do petróleo entre Arábia Saudita e Rússia continuou a dar uma trégua nesta sexta-feira. Os dois países estão aumentando a produção de petróleo, o que tem provocado uma queda mundial nos preços, mas o presidente norte-americano Donald Trump postou ontem numa rede social que um acordo está sendo fechado entre os principais produtores.


A cotação do barril do tipo Brent, que na terça-feira atingiu o menor nível em 18 anos, estava US$ 34,70 por volta das 18h, com alta de 15,9%. Mesmo com a alta nos preços, as ações da Petrobras, as mais negociadas na bolsa, caíram hoje, depois de uma sequência de altas. Os papéis ordinários (com direito a voto em assembleia de acionistas) desvalorizaram-se 0,71% nesta sexta. Os papéis preferenciais (com preferência na distribuição de dividendos) caíram 1,1%.






Edição: Fábio Massalli
Fonte: Agência Brasil, EBC.


quarta-feira, 25 de março de 2020

Papel do Estado será central para garantir a sobrevivência e reconstrução das economias pós-pandemia de Coronavírus

Carta Maior, 25/03/2020

Para garantir a sobrevivência das economias pós-pandemia


O aumento substancial na escala e no escopo das providências necessárias para combater a pandemia da COVID-19 indica que a ação governamental deve ser vista como uma forma sem precedentes de seguro sistêmico de curto prazo. Essa abordagem requer não apenas enormes gastos do governo, mas também uma reorganização temporária, liderada pelo Estado, de toda a economia.
 

 Por Roman Frydman e Edmund S. Phelps  


O aumento substancial na escala e no escopo das providências necessárias para combater a pandemia da COVID-19 indica que a ação governamental deve ser vista como uma forma sem precedentes de seguro sistêmico de curto prazo. Essa abordagem requer não apenas enormes gastos do governo, mas também uma reorganização temporária, liderada pelo Estado, de toda a economia.

NOVA IORQUE – Confinamentos de cidades inteiras. Pânico nos mercados financeiros. Prateleiras vazias nas lojas. Escassez de leitos hospitalares. O mundo entrou em uma realidade desconhecida fora de tempos de guerra.

Ao ordenar que as pessoas se isolem em casa, os formuladores de políticas esperam diminuir e depois reverter a taxa de propagação do COVID-19. Mas o confinamento isoladamente, ou uma explosão de criação de dinheiro, não impedirá a pandemia ou salvará nossas economias. Precisamos da intervenção do governo, porém muitas propostas atuais parecem equivocadas, algumas mesmo lamentáveis. Outras se movem na direção certa, mas são muito graduais.

A própria possibilidade de milhões de pessoas morrerem à medida que a economia é mutilada justifica aumentar substancialmente a extensão e o escopo da ação do governo. Essa ação deve ser vista como uma forma seguro sistêmico de curto prazo, sem precedentes, para nossas vidas e nossos meios de subsistência. Dado o valor absoluto que atribuímos a ambos, cidadãos e governos devem estar preparados para pagar o que pode parecer um prêmio extravagantemente alto por esse seguro.

O seguro sistêmico necessário exige um esforço liderado pelo governo em quatro áreas principais:

- Redirecionar a capacidade produtiva existente da economia para superar a crescente escassez de equipamentos e serviços necessários para responder à pandemia de modo eficaz.

- Apoiar empresas que não estão diretamente envolvidas nos esforços para combater a crise, para que possam continuar fornecendo bens e serviços essenciais.

- Garantir que a população tenha meios suficientes para comprar esses bens e serviços.

- Criar um mecanismo financeiro para ajudar as pessoas incapazes de pagar suas hipotecas e cumprir outras obrigações, mitigando riscos cataclísmicos para o setor financeiro.

Tal seguro sistêmico vai muito além das propostas correntes de gastar trilhões de dólares, em grande parte destinados a iniciativas políticas, com destinação previamente definida, que diagnosticam erroneamente a crise como provocada por demanda agregada deficiente ou como resultado de um choque de oferta comum.

Além disso, quantias substanciais estão sendo dedicadas a resgates sem condicionar explicitamente o recebimento dos recursos à participação da empresa no esforço de combater a crise da saúde e suas consequências econômicas.

Portanto, na medida em que as autoridades de todo o mundo consideram grandes gastos para combater a crise do COVID-19, as perguntas mais imediatas que enfrentamos são se as políticas atualmente em estudo proporcionam um seguro suficiente contra os riscos sistêmicos que estão se multiplicando rapidamente. Os critérios são diretos:

- Os gastos do governo estão suficientemente focados na superação da crise da saúde pública?

- O pacote de resgate econômico é adequado para sustentar o bem-estar da população?

Considerando o segundo critério primeiro, a distribuição governamental do chamado dinheiro de helicóptero (distribuição direta de dinheiro), para ajudar a manter a população à tona, deve ser recorrente, em vez de um ou dois desembolsos como atualmente em discussão.

Benefícios de desemprego ampliados, juntamente com maior elegibilidade para cupons de alimentos e outros pagamentos desse tipo, também ajudariam a fornecer os meios para pagar por bens e serviços essenciais.

Políticas que visam estimular o emprego, como os cortes nos impostos corporativos ou na folha de pagamento defendidos pelos republicanos do Senado dos EUA, certamente não ajudarão a combater a pandemia e suas consequências no fornecimento de bens e serviços. Empregados doentes ou com risco de adoecerem e, portanto, perigosos para os outros, não podem contar com a manutenção da produção de bens e serviços.

O que agora é dolorosamente claro é que há uma escassez de suprimentos de um tipo sem precedentes: equipamentos e instalações médicas. E é igualmente claro que as políticas em avaliação nos EUA, que dependem principalmente da conversão voluntária da capacidade de produção existente, são lamentavelmente inadequadas para fechar a crescente lacuna.

Reequipar fábricas para produzir ventiladores para pacientes e equipamentos de proteção individual (EPI) para profissionais médicos, por exemplo, leva tempo. Portanto, essas medidas devem ser ampliadas sem demora. Além disso, esse reaparelhamento requer gastos financeiros substanciais, difíceis de serem feitos em uma economia em colapso.

A fim de redirecionar a capacidade existente, o governo deve condicionar o suporte a qualquer empresa privada com o compromisso da empresa de produzir equipamentos vitais (especificados por um corpo de médicos especialistas) e atender sua folha de pagamento com salários razoáveis. Para evitar a manipulação de preços, os suprimentos médicos devem ter preços nos níveis pré-crise.

Essa condicionalidade não deve se aplicar apenas às empresas que produzem equipamentos. A abordagem do seguro sistêmico para alocar fundos dos contribuintes exigiria que grandes empresas do setor de serviços, como companhias aéreas ou redes de hotéis, recebessem resgates apenas após redefinirem sua capacidade de apoiar a luta contra a pandemia.

Em vez de ficar ociosas aguardando a retomada da viagem dos passageiros, as companhias aéreas deveriam receber fundos para equipar seus aviões para transportar suprimentos e equipamentos médicos ou para transportar pacientes doentes para locais com capacidade para cuidar deles. Da mesma forma, as redes de hotéis devem ser apoiadas pelo governo apenas se concordarem em redirecionar seus hotéis para servir como hospitais temporários.

Além de reaproveitar a capacidade existente, o seguro sistêmico exigiria que os funcionários de empresas socorridas continuassem recebendo um salário adequado. Os resgates não devem ser desviados para aumentos salariais da administração, recompra de ações ou distribuição de dividendos.

O que torna sem precedentes o seguro sistêmico é que ele requer não apenas gastos do governo - que podem ser considerados parte do valor do prêmio - mas também intervenções lideradas pelo governo em larga escala na maneira como nossas economias produzem e distribuem bens e serviços. Esse movimento em direção à ação estatal é muito mais abrangente do que a mobilização para a Segunda Guerra Mundial - um paralelo frequentemente invocado – jamais foi.

Mas essa reorganização de nossas economias coloca mais do que dificuldades operacionais, especialmente nos EUA, onde o governo historicamente limitou estritamente sua intervenção direta em atividades produtivas. Embora a intervenção dos governos nas economias modernas assuma várias formas, ideias arraigadas sobre o equilíbrio entre o Estado e o mercado estão agora impedindo uma resposta adequada a essa crise.

Até agora, o presidente Donald Trump e os formuladores de políticas dos EUA favorecem medidas graduais, especialmente quando se trata de o estado dirigir - de fato, reorganizar - o setor privado. Sua crença instintiva na superioridade do mercado e em iniciativas privadas, independentemente das circunstâncias, leva-os a recuar da escala de intervenção governamental necessária para salvar nossas vidas e meios de subsistência.

Os repetitivos bordões sobre o papel adequado do Estado não devem se tornar obstáculos ao empenho para mitigar os graves riscos sistêmicos que enfrentamos. O fraco histórico dos governos em lidar com outra ameaça existencial - a das mudanças climáticas - não inspira otimismo.

*Publicado originalmente em 'Project Syndicate' | Tradução de César Locatelli

Fonte: Carta Maior,
Original:

domingo, 6 de janeiro de 2019

Geohistória das Pandemias: 100 anos da Gripe Espanhola, a maior epidemia do século XX

Carta Capital, 05/01/2019

 100 anos da gripe espanhola, a epidemia do século

1918: Quem diria que uma gripe haveria de ser mais mortífera do que quatro anos de uma guerra insana?




Há cem anos, quando a Primeira Guerra Mundial se aproximava hesitantemente do fim, um Vírus influenza diferente de qualquer outro surgido antes ou depois varreu as ilhas Britânicas, matando soldados e civis. Uma das primeiras vítimas foi o então primeiro-ministro britânico e líder na guerra, David Lloyd George.





Em 11 de setembro de 1918, Lloyd George, entusiasmado pelas notícias dos recentes sucessos dos aliados, chegou em Manchester para ser homenageado com as chaves da cidade. Trabalhadoras em fábricas de munição e soldados de folga aplaudiram seu trajeto da estação ferroviária de Piccadilly até a Albert Square. Mas naquela mesma noite ele sentiu dor de garganta e febre, e desmoronou.

Lloyd George passou dez dias confinado em um leito na prefeitura de Manchester, doente demais para se deslocar e respirando com um aparelho mecânico. Os jornais minimizaram a gravidade de seu estado, por medo de presentear os alemães com um golpe de propaganda. Mas, segundo seu camareiro, a coisa foi “imediata”.



Lloyd George, então com 55 anos, sobreviveu, mas outros não tiveram tanta sorte. Em uma era anterior aos antibióticos e vacinas, a “gripe espanhola” — assim chamada porque a Espanha, neutra na guerra, foi um dos poucos países, em 1918, onde os correspondentes tiveram liberdade para relatar o surto – custou a vida de quase 250 mil britânicos.

Cruelmente para um país que tinha visto a nata da juventude masculina ser derrubada pelos canhões alemães, as vítimas, geralmente, eram adultos entre 20 e 40 anos. A mortalidade foi o contrário da maioria das temporadas de gripe, quando os óbitos atingem principalmente os idosos e as crianças com menos de 5 anos.

 

O número total de mortos foi inconcebível: segundo as estimativas mais recentes, entre 50 milhões e 100 milhões de pessoas em todo o mundo pereceram nas três ondas da epidemia, entre a primavera de 1918 e o inverno de 1919. Ajustado pelo crescimento populacional, isso equivale hoje a, aproximadamente, de 200 milhões a 425 milhões de pessoas.



Ao contrário dos dias atuais, quando relatos de novos surtos de gripe aviária no Sudeste da Ásia são monitorados de perto pelo Organização Mundial da Saúde, não houve um sistema de aviso para prevenção. Consequentemente, quando foi relatado, em maio de 1918, que o rei Alfonso XIII estava doente em Madri, a maioria das pessoas levou a gripe espanhola na brincadeira.

O principal conselho era gargarejar com água salgada e isolar-se até que a febre passasse. No entanto, essas regras não se aplicavam aos trabalhadores em munições, que eram instados a “seguir em frente” em nome do esforço de guerra.

Assim como em outras epidemias e pandemias do século XX, tais como a de HIV/Aids, os africanos e asiáticos sofreram proporcionalmente mais que os europeus e norte-americanos. Assim, enquanto a mortalidade média de casos no mundo desenvolvido foi de, aproximadamente, 2%, na Índia, onde morreram 18,5 milhões de pessoas, foi de 6%, e no Egito, com 138 mil baixas, de 10%.

Em regiões isoladas com populações “virgens”, sem imunidade à gripe, o impacto foi realmente incrível – em Samoa Ocidental, por exemplo, um quarto da população foi dizimado. Em comparação, a Samoa Americana não registrou baixas.

A gravidade da epidemia e o padrão peculiar das mortes intrigam os cientistas até hoje. Poucos epidemiologistas acreditam que o surto começou na Espanha, apontando ondas pré-epidêmicas em Copenhague e outras cidades da Europa Setentrional no verão de 1918.

Onde o vírus saltou primeiro das aves para humanos ou algum outro mamífero é ainda mais intrigante, e alguns cientistas dizem que o estado do Kansas, nos EUA, foi um ponto de origem; para outros, o Norte da França ou a China.

No início deste ano, em busca de respostas para uma nova série de podcasts, viajei a Washington para entrevistar um dos principais especialistas mundiais na epidemia de 1918, o patologista molecular Jeffrey Taubenberger, do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas.

Ele estuda o vírus da gripe espanhola há mais de 30 anos e, no fim de 1990, conseguiu recuperar fragmentos de RNA viral de espécimes patológicos armazenados, retirados de soldados americanos que morreram de gripe em campos do Exército em 1918 e de uma mulher inuit que foi enterrada em uma praia no Alasca, onde o permafrost preservou seu tecido pulmonar da decomposição.

Usando técnicas moleculares modernas, Taubenberger e sua colega Anne Reid ampliaram os fragmentos e, em 2005, publicaram a sequência genética do vírus. Suas descobertas foram chocantes. Antes, epidemiologistas tinham observado que as epidemias de gripe eram precedidas ou seguidas de surtos de doenças semelhantes em cães, gatos e cavalos.

Também se sabia que de vez em quando os vírus da gripe podiam infectar porcos e, é claro, seres humanos, e que os vírus selvagens da doença circulavam em aves aquáticas migratórias. No entanto, quando Taubenberger analisou o genoma da gripe espanhola, descobriu que a maioria de seus genes derivava de um vírus da gripe aviária.

De fato, Taubenberger considerou o vírus H1N1 tão “semelhante ao aviário” que não pôde descartar a possibilidade de que ele tivesse se transmitido diretamente de aves para humanos pouco antes de 1918 – e talvez ainda em 1916.

A descoberta levantou a terrível hipótese de que, no futuro, algum outro vírus influenza aviário – como o H5N1, que circulava então no Sudeste Asiático, ou o H7N9, que atualmente causa infecções esporádicas na China – poderiam subitamente adquirir a capacidade de provocar uma epidemia igualmente devastadora.


Para evitar esse caso, Taubenberger e outros cientistas com acesso ao congelador que contém os vírus são rastreados pelo FBI e têm de usar luvas duplas, um respirador e roupa de proteção completa – como as usadas por profissionais médicos durante a epidemia de ebola no Oeste da África. Eles também devem se submeter a um escaneamento de íris. “É realmente equivalente à autorização de alto sigilo”, diz ele.

A experimentação continuada é necessária para o desenvolvimento de vacinas e outras intervenções médicas. Em ratos, a gripe espanhola H1N1 é extremamente contagiosa, gerando 39 mil vezes mais partículas de vírus que uma variedade moderna.

Ao visar a reação inflamatória, Taubenberger demonstrou que os ratos podem ser protegidos. Mas os cientistas estão longe de descobrir a cura da gripe, muito menos uma vacina universal contra variedades epidêmicas sazonais e futuras.

De modo frustrante, ainda não se sabe onde e quando a gripe espanhola adquiriu seus genes aviários e começou a se espalhar por humanos. Os genes aproximam-se mais de aves aquáticas da América do Norte, mas, apesar de examinar as extensas coleções de aves do Instituto Smithsonian, Taubenberger não conseguiu encontrar restos de autópsias viáveis anteriores a 1918.

Uma teoria é que o chamado evento de disseminação ocorreu no início de 1918, não distante de um acampamento do Exército dos EUA no Kansas que fornecia soldados à Força Expedicionária Americana.

Certamente houve surtos explosivos de uma doença semelhante à influenza no Camp Funston, em Fort Riley, em março de 1918, seguidos de surtos semelhantes ao longo do litoral Leste do país e nos navios que transportavam soldados para a França.

No entanto, os primeiros fragmentos do vírus epidêmico obtidos por Taubenberger datam de maio de 1918, por isso não há como dizer se surtos anteriores foram causados pela variedade epidêmica, em oposição a uma gripe sazonal comum.

Uma teoria rival, preferida pelo virologista britânico John Oxford, é que a epidemia começou em Étaples, um enorme campo militar britânico a uma hora a sudoeste de Boulogne, na França. Com acomodações para até 100 mil soldados, Étaples fica numa rota de aves migratórias próxima ao estuário do Rio Somme, e tinha todas as condições necessárias para um evento de disseminação: aves aquáticas silvestres, mais galinhas e porcos vivendo muito próximos de homens amontoados em barracões sem ventilação.

Étaples também tinha vários hospitais, para onde foram levados para tratamento soldados cujos pulmões tinham sido comprometidos por gases mutagênicos utilizados em batalha.

No inverno de 1917, centenas de soldados britânicos foram atingidos por sintomas semelhantes aos da gripe, e médicos em Étaples registraram 156 mortes. Na época, a epidemia foi chamada de “bronquite purulenta” por causa do pus amarelo que brotava das passagens aéreas maiores dos pulmões em autópsias (alguns médicos acharam que pareciam os danos nos pulmões causados pelo gás fosgênio).

Outra característica proeminente era a cianose, uma coloração arroxeada dos lábios, ouvidos e faces, causada pela falta de oxigênio no coração.

Mas talvez a maior pergunta não respondida seja por que a gripe espanhola se mostrou tão mortal para os jovens adultos? Aqui, a ciência atual tem hipóteses, mas nenhuma boa resposta.

Uma sugestão é que os idosos gozavam de maior imunidade, porque, quando crianças, tinham sido expostos a um vírus epidêmico com formação genética semelhante ao H1N1 da gripe espanhola.

Por outro lado, as pessoas com mais de 28 anos tinham um ponto cego imunológico, porque sua primeira exposição tinha sido à “gripe russa” de 1890, um vírus H3 com uma configuração genética completamente diferente.

Ou talvez o padrão de mortalidade incomum visto em 1918 fosse o resultado de uma exposição ambiental ainda não identificada ou fator de estresse peculiar a jovens adultos na época.

Responder a essas perguntas é importante porque os genes da gripe espanhola continuam circulando em populações humanas e de suínos até hoje. Alguns desses genes são descendentes diretos do vírus de 1918, outros se remisturaram com novos vírus epidêmicos, como o da gripe de Hong Kong de 1968 e o vírus híbrido H1, responsável pela epidemia de gripe suína de 2009.

Como diz Taubenberger, “(o surto de) 1918 causou uma introdução muito bem-sucedida de um vírus semelhante ao avícola em seres humanos que nunca desapareceu em cem anos. Ela realmente foi a mãe de todas as epidemias”.

A epidemia foi especialmente dura para as crianças, talvez mais que para qualquer outro segmento da população. Na Cidade do Cabo, na África do Sul, observou uma testemunha, a onda do outono “deixou órfãs entre 2 mil e 3 mil crianças”.

Em Londres, entretanto, estima-se que 16 mil pessoas tenham morrido entre setembro e dezembro de 1918, na maioria homens e mulheres jovens. O resultado foi que 1919 seria o primeiro ano desde que começaram os registros na Grã-Bretanha em que a taxa de mortalidade superou a de nascimentos.

Hoje há poucas pessoas ainda vivas que podem lembrar daqueles dias sombrios em novembro, quando, segundo o oficial médico-chefe de Manchester, James Niven, “parecia que seria impossível preparar caixões para os mortos, ou coveiros para cavar os túmulos”. Motivo ainda maior para, no ano do centenário da epidemia, nos lembrarmos das experiências dos sobreviventes da Dama Espanhola.


 Fonte: Carta Capital, 05/01/2019
 




quinta-feira, 10 de junho de 2010

Brasil: o desafio de crescer a 7% ao ano, por Samuel Pinheiro Guimarães

 Agência Carta Maior

09/06/2010

Crescer a 7%

Se o objetivo central da sociedade brasileira for vencer o subdesenvolvimento, a economia terá de crescer a taxas mais elevadas do que as que têm ocorrido no passado recente, enquanto que as políticas de distribuição de renda terão de ser mais vigorosas para incorporar ao sistema econômico e social moderno as imensas massas que se encontram em situação de grave pobreza: cerca de 60 milhões de brasileiros. caso se deseje manter o Brasil como país pobre e subdesenvolvido, basta crescer a taxas modestas, obedecendo a todas as metas e a supostos potenciais máximos de crescimento, e, assim, lograr manter a economia estável porém miserável. O artigo é de Samuel Pinheiro Guimarães.

Samuel Pinheiro Guimarães

1. O subdesenvolvimento, situação em que a esmagadora maioria da população de um país não pode desfrutar dos bens e serviços que o avanço tecnológico e produtivo moderno permitem, é sempre uma questão relativa. Nenhum país é subdesenvolvido isoladamente; esta é sempre uma situação comparativa entre países e sociedades, desenvolvidas e subdesenvolvidas, em diferentes graus, em distintos momentos históricos.

2. Naturalmente, há indicadores objetivos de subdesenvolvimento: a exploração ao mesmo tempo insuficiente e predatória dos recursos naturais; a baixa escolaridade e qualificação média da mão de obra; a desintegrada rede de transportes; o pequeno consumo per capita de energia; a reduzida diversificação das exportações; o pequeno número de patentes registradas; o acesso restrito da população a saneamento básico; as precárias condições de saúde, educação e cultura; o alto percentual da população que se encontra abaixo da linha de pobreza etc.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Geopolítca da atual Crise Financeira Mundial

UFRGS TV

Crise Financeira Mundial

Programa Multiponto

http://geopoliticadopetroleo.wordpress.com/2009/08/06/geopolitca-da-atual-crise-financeira-mundial/




Programa produzido pela UFRGSTV, apresentado em duas partes na UNITV (Canal 15 da NET em Porto Alegre-RS), nos dias 09/07/2009 e 23/07/2009.

Sinopse: Programa Multiponto entrevista profissionais das áreas de economia, política, relações internacionais, história, saúde e meio ambiente para discutir diferentes aspectos da atual crise mundial.

 
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Disponível no YouTube em 6 partes, postadas em 05 e 06 de agosto de 2009:
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Multiponto - Crise Financeira Mundial
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Multiponto - Crise Financeira Mundial [2/6]


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Multiponto - Crise Financeira Mundial
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Multiponto - Crise Financeira Mundial [4/6]


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Multiponto - Crise Financeira Mundial [5/6]


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Multiponto - Crise Financeira Mundial [6/6]



Do Blog Geopolítica do Petróleo