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quinta-feira, 5 de maio de 2011

Índice de pobreza no Brasil cai 50% entre 2002 e 2010

O Estado de S. Paulo 

03 de maio de 2011

Índice de pobreza no Brasil cai 50% em oito anos

Estudo da Fundação Getúlio Vargas indica ainda que em 2010 o País atingiu menor nível de desigualdade de renda desde 1960

Mônica Ciarelli 
 
RIO - A pobreza no Brasil caiu 50,64% entre dezembro de 2002 e dezembro de 2010, período em que Luiz Inácio Lula da Silva esteve à frente da presidência da República. O dado consta da pesquisa divulgada nesta terça-feira, 3, pelo professor do Centro de Politica Social da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Marcelo Neri. O critério da FGV para definir pobreza é uma renda per capita abaixo de R$ 151. A desigualdade dos brasileiros, segundo ele, atingiu o "piso histórico" desde que começou a ser calculada na década de 60.

Segundo o estudo, a queda da pobreza nos mandatos de Lula superou a registrada durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, incluindo o período de implementação do Plano Real. Nesse período, a pobreza caiu 31,9%. "Acho que essa década (anos 2000) pode ser chamada de década da redução da desigualdade; assim como os anos 90 foram chamados de década da estabilização", afirmou Neri.

O estudo toma como base dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilio (Pnad) e Pesquisa Mensal de Emprego (PME). Pela pesquisa, a renda dos 50% mais pobres cresceu 67,93% entre dezembro de 2000 e dezembro de 2010. No mesmo período, a renda dos 10% mais ricos cresceu 10%.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Crescimento econômico, elevação da escolaridade, e desigualdade social, correlações verdadeiras e causalidades imaginárias

Carta Capital

24/12/2010

Crescimento econômico, elevação da escolaridade, e desigualdade social, correlações verdadeiras e causalidades imaginárias

Coluna do Leitor 24 de dezembro de 2010 às 15:39h

Por Valerio Arcary*


Duas luvas da mão esquerda não perfazem um par de luvas.Duas meias verdades não perfazem uma verdade.

Eduard Douwes Dekker, alias,  Multatuli (1820/87) Ideias.

Se o vaso não está limpo, tudo o que nele derramares se azeda.

Horácio (65-68 a.C.) Epístolas 1.2.
                                                                                                                                                       

O ano de 2010 se aproxima do fim e o Brasil, de resto, como costuma acontecer nas vésperas de todos os Natais, procura se reconciliar consigo mesmo e entra em “estado alterado de consciência”: o otimismo ingênuo de que, apesar de tudo, vamos bem. Essa é a tradição política do país e um dos traços peculiares de sua classe dominante. As retrospectivas na grande mídia são o momento culminante da infantilização política da sociedade. A divulgação do Plano Nacional de Educação serviu para que, mesmo em um tema especialmente embaraçoso, porque vergonhoso, seja possível um último suspiro de alívio. Os objetivos do Plano são ambiciosos, como devem ser todos os planos. E o argumento central do Plano é que é possível atingi-los elevando, em mais de uma década, o orçamento da educação Nacional de 5% para 7% do PIB, porque haveria sinergia entre a conquista das metas para a educação e o crescimento econômico, racionalizando recursos. Mesmo entidades como a UNE (União Nacional dos Estudantes) e a CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), muito identificadas com o governo, adiantaram a defesa da reivindicação de um investimento de 10% do PIB.

O argumento deste artigo é que as metas do Plano, tal como foram apresentadas, não são possíveis com os recursos previstos. Não é sequer possível demonstrar uma causalidade direta entre a elevação da escolaridade e a redução do desemprego, ou entre o crescimento econômico e o aumento da escolaridade. As correlações entre estes indicadores existem, mas processos complexos têm múltiplas determinações que não se resumem a somente uma variável. Os dados disponíveis sugerem uma causalidade direta entre o crescimento econômico e a redução do desemprego, e entre a redução da desigualdade social e o aumento da escolaridade. Tudo o resto são ilusões.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O Real supervalorizado frente ao Dólar e a ameaça da desindustrialização

 Jornal do Comércio

29/09/2010

Impacto da produção na economia divide setores

Patrícia Comunello

A maior parte  da fatura externa da Marcopolo é gerada fora e depois nacionalizada
A maior parte da fatura externa 
da Marcopolo é gerada fora 
e depois nacionalizada 
FREDY VIEIRA/JC

O câmbio desvalorizado, que gera arrepios a industriais exportadores e vitamina importações de manufaturados, é o epicentro de um debate longe de consenso entre entidades setoriais e especialistas: o Brasil vive uma desindustrialização? Números de produção e emprego aquecidos pelo crescimento interno esvaziam este risco. Por enquanto.


A montadora gaúcha de ônibus Marcopolo sempre foi uma grife da face made in Brazil da balança comercial. E continua, só que 80% das unidades que a marca coloca no mercado internacional são feitas em oito fábricas situadas fora do Brasil e em três continentes - América, África e Ásia. Em vez de captar dólares vendendo os veículos, hoje a maior parte da fatura externa é gerada fora e depois nacionalizada. Com isso, 4 mil dos 14 mil empregados da companhia, que projeta receita líquida de R$ 2,8 bilhões em 2010, 30% acima da de 2009, movem as plantas do exterior. Um caso típico de exportação de empregos, mesmo que em família. Sem contar as vagas geradas nos fornecedores de peças e matérias-primas na Argentina, no México, na Colômbia, no Chile, na África do Sul, na Índia e no Egito.

Depois de 30 anos operando no mercado internacional, a montadora mudou sua estratégia, traduzida pela migração da produção, para não perder mercado ante um  câmbio desvalorizado em até 20%. “O Brasil não é mais competitivo”, justifica o diretor de Relações com Investidores da montadora, Carlos Zignani.

terça-feira, 9 de março de 2010

IBGE: mulheres são mais escolarizadas, mas ainda ganham menos do que os homens

Agência Brasil

08/03/2010

IBGE: mulheres são mais escolarizadas, mas ainda ganham menos do que os homens

Flávia Villela
Repórter da Agência Brasil
http://agenciabrasil.ebc.com.br/home/-/journal_content/56/19523/173281

Rio de Janeiro - Mulheres no mercado de trabalho são mais escolarizadas que os homens, trabalham menos que o sexo oposto, mas também ganham menos e têm mais dificuldade de ter a carteira assinada. Estes e outros dados fazem parte do estudo Mulher no Mercado de Trabalho: Perguntas e Respostas, divulgado hoje (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. As informações analisadas fazem parte da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) 2009, realizada nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.

Segundo o estudo, em 2009, enquanto 61,2% das trabalhadoras tinham o ensino médio completo, para os homens este percentual era de 53,2%. A parcela de mulheres ocupadas com nível superior completo era de 19,6%, também superior ao dos homens (14,2%). Por outro lado, nos grupos de menor escolaridade, a participação dos homens era superior à das mulheres. Em 2009, aproximadamente 35,5% das mulheres estavam contratadas com carteira de trabalho assinada, porcentagem inferior à dos homens (43,9%).

Houve em 2009 redução de cerca de 36 minutos na diferença entre a média de horas trabalhadas por homens e mulheres, devido à diminuição na média de horas trabalhadas pelos homens. Ainda assim, em 2009 as mulheres trabalhavam em média 38,9 horas por semana, 4,6 horas a menos que os homens. A diferença na média de horas trabalhadas entre as mulheres com ensino médio completo em relação aos homens diminuiu para 3,6 horas. Em 2003 era de 4,4 horas.

As mulheres com um até três anos de estudo mantiveram a maior diferença (7,2 horas) na média de horas trabalhadas, quando comparadas aos homens. Em 2003 a diferença era de 7,3 horas.

O número de horas trabalhadas pelas mulheres que possuíam curso superior completo só ultrapassava o das que tinham até três anos de estudos. Já as mulheres com 11 anos ou mais de estudo foram as únicas a aumentar a média de horas trabalhadas semanalmente, em todo o mercado de trabalho: de 38,8 horas em 2003 para 39,1 horas em 2009.

Ainda segundo o IBGE, a média de rendimentos das mulheres continua inferior à dos homens, mas melhorou nos últimos seis anos. Em 2009, enquanto o homem ganhava em média R$ 1.518,31, a mulher ganhava R$ 1.097,93, 72,3% do rendimento recebido pelos homens. Em 2003, esse percentual era de 70,8%.

Outro ponto ressaltado pelo estudo é que a maior diferença salarial entre homens e mulheres foi registrada no grupo com nível superior e no setor de comércio. Nesta área, a diferença de rendimento para a escolaridade de 11 anos ou mais de estudo é de R$ 616,80 a mais para os homens. Quando a comparação é feita para o nível superior, ela é de R$ 1.653,70 para eles. Já nas atividades relacionadas à construção, as mulheres com 11 anos ou mais de estudo têm rendimento ligeiramente superior ao dos homens com a mesma escolaridade: elas recebem, em média, R$ 2.007,80, contra R$ 1.917,20 dos homens.