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sábado, 27 de outubro de 2012

Pesquisadores traçam "mapa" sobre a abordagem do problema do aquecimeto global na imprensa




Recentemente publicado na revista científica História, Ciências, Saúde-Manguinhos, pelo pesquisador prof. Dr. Celso Dal Ré Carneiro (professor livre docente, associado do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas, Unicamp) e João Cláudio Toniolo, graduado em filosofia pela Unicamp, o estudo acadêmico buscou analisar o perfil das notícias e opiniões expressas pelos editoriais relativos ao tema do "aquecimento global", em alguns dos grandes veículos de comunicações de imprensa do Brasil, como a  Folha de S. Paulo, a Folha.com e o UOL. Os pesquisadores verificaram que do total de 676 notícias analisadas, de uma amostra de 3 mil que o relacionadas ao tema do "aquecimento global", apenas 1% das notícias constituem exceções à abordagem hegemônica de que o fenômeno do "aquecimento" seria causado pelo Homem (tese da causa antrópica ou do aquecimento de causa antrópica). 

Recomendados aos leitores a leitura do artigo, que, em última instância trata do problema da séria dificuldade apresentada pela grande imprensa para abordar de forma mais "imparcial" os debates envolvendo a construção do conhecimento científico, incluindo os debates acadêmicos entre teses antagônicas. As implicações desta dificuldade são ainda mais complexas quando se considera que muitas vezes, as políticas públicas são implementadas com base em uma ou outra tese que não foi amplamente verificada ou comprovada, ou ainda pior, são justificadas com base em hipóteses científicas, quando estas são apenas isso, hipóteses.     


 

CARNEIRO, Celso Dal Ré  & TONIOLO, João Cláudio (2012). A Terra 'quente' na imprensa: confiabilidade de notícias sobre aquecimento global. História, Ciências, Saúde-Manguinhos, vol.19, n.2, pp. 369-390. <http://www.scielo.br/pdf/hcsm/v19n2/02.pdf>


sábado, 21 de maio de 2011

Raios solares influenciam diretamente as variações no clima da Terra, confirma pesquisa

Site Inovação Tecnológica 

19/05/2011

Raios cósmicos induzem formação de nuvens e influenciam temperatura na Terra


Raios cósmicos induzem formação de nuvens e influenciam temperatura na Terra
Os raios cósmicos "semeiam" as nuvens de baixa altitude, que refletem uma parte da radiação solar de volta para o espaço. [Imagem: NASA]

Físicos da Dinamarca e do Reino Unido demonstraram que os raios cósmicos podem estimular a formação de gotas de água na atmosfera da Terra, conduzindo à formação de nuvens.

Segundo os pesquisadores, este é o mais forte indício experimental já obtido de que o Sol influencia o clima da Terra e como ele o faz - alterando o fluxo de raios cósmicos que atinge a superfície da Terra.

As implicações da descoberta são significativas e de grande alcance não apenas científico, mas também político.

Raios cósmicos semeiam nuvens

Ainda se sabe pouco sobre como exatamente o Sol influencia, e em que magnitude, o clima e a temperatura na Terra.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Mudanças climáticas, aquecimento global, ambientalismo e muita polêmica à vista

19/04/2010

Debate Mudanças Climáticas – Parte I


"Os céticos sobre as mudanças climáticas"

Portal Luis Nassif - Sobre economia, polí­tica e notícias do Brasil e do Mundo

Do Canal Temático Saneamento

LILIAN MILENA

Da Redação - ADV
http://blogln.ning.com/profiles/blogs/debate-mudancas-climaticas


A teoria “aquecimentista”, ou Aquecimento Global Antropogênico (AGA), é resultado de interesses escusos, incapaz de responder quais são os verdadeiros motivos que influenciam no aumento, ou diminuição, das temperaturas globais se baseando em números dentro de uma escala de tempo de centenas de anos quando deveria considerar a escala dos milhões de anos que a Terra tem.

Esses são alguns dos argumentos do geólogo e diretor do Movimento de Solidariedade Ibero-Americana (MSIa), Geraldo Luís Lino, descrente de que as mudanças climáticas do globo são de responsabilidade humana, e autor do livro A fraude do aquecimento global: como um fenômeno natural foi convertido numa falsa emergência mundial.



Entretanto as perturbações ambientais, cada vez mais frequentes, parecem corroborar as conclusões do quarto (e último) relatório de avaliações do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado em 2007.


O documento conclui que as atividades de exploração e uso de recursos naturais da Terra – sobretudo queima de combustíveis fósseis e desmatamentos – estão contribuindo para a elevação da temperatura planetária. Nos últimos 140 anos, a média térmica aumentou oito décimos de graus centígrados (0,8ºC).


Até o final deste século o relatório prevê elevação mínima de 2ºC. Condição de alto impacto, uma vez que amplia em 13% a média da temperatura atual do globo, de 15ºC. Os efeitos dessas mudanças seriam: aumento de incêndios florestais; queda na produtividade agrícola; escassez de água; aumento do nível do mar; secas; degelos; ciclones tropicais, tempestades e temperaturas extremas.

O relatório do IPCC recomenda aos países que desenvolvam tecnologias limpas para alterar a base da sua produção energética – estima-se que, desde a década de 1990, cerca de 80% da energia consumida no mundo (nas residências, indústrias, e em meios de transporte) seja originária de matrizes fósseis (petróleo, gás natural e carvão), que são emissoras dos gases que intensificam o fenômeno de efeito-estufa, tido como principal vilão do aquecimento global.


Já os descrentes da teoria aquencimentista, como Geraldo Lino, defendem que as mudanças climáticas sempre ocorreram e que o homem deveria se preocupar em melhorar sua capacidade de adaptação, inclusive para o possível resfriamento da Terra. Como exemplo, o geólogo destaca que há doze mil anos o hemisfério norte sofreu uma queda de temperatura de cerca de 8ºC, em menos de um ano. Em contrapartida, a recuperação dos oito graus perdidos ocorreu dentro de algumas décadas.

Lino diz que os fatores que definem o clima são múltiplos, sendo externos e internos ao planeta: ciclos de atividade solar, aquecimento e resfriamento dos oceanos, os gases de efeito estufa, a atividade geológica das placas tectônicas que movimentam os continentes e configuram os oceanos, os gases e partículas lançados na atmosfera pelos vulcões, que bloqueiam a radiação solar, e muitos outros.


O tempo de vida da Terra também é importante para o estudo da evolução do clima. “Para você ter ideia do que isso representa, os geólogos costumam usar o seguinte truque: se toda a história da terra, que tem 4,7 bilhões de anos, fosse condensada em um único ano, o atual período geológico, o Holoceno [período que se iniciou há cerca de 11.500 anos e se estende até o presente], teria começado depois de seis pra meia noite desse nosso ano geológico. A nossa Revolução Industrial [início do Século XVIII], que tem causado tanta preocupação em relação a seus impactos no clima, seria pensada nos últimos dois segundos antes da meia noite”, explica.


O geólogo diz ser evidente que o homem tenha algum impacto sobre o clima, mas somente em escala local, a exemplo da formação das Ilhas de Calor nos grandes centros urbanos. A falta de áreas revestidas de vegetação diminui o poder refletor da superfície dessas regiões elevando a absorção de calor local.

Lino aponta que a temperatura dos oceanos, por exemplo, tem mais influencia sobre o clima do que as atividades humanas sobre a Terra. Os mares apresentam ciclos longos de aquecimento e resfriamento sendo responsáveis pelas grandes variações climáticas, assim como os ciclos solares.


A Oscilação Decadal do Pacífico (PDO, na sigla em inglês) tem sido base de estudos científicos para prever as alterações do planeta. A PDO é um padrão de temperatura com escalas temporais médias de 20 a 30 anos para o resfriamento ou aquecimento do Pacífico – o oceano é o maior entre todos os mares cobrindo 35% da superfície terrestre.


As pesquisas mais recentes sobre o movimento da PDO indicam que o Pacífico está passando pelo período de resfriamento dentro dos próximos 20 anos, o que poderá contribuir para a queda nas temperaturas globais.


Então, a quem interessa a teoria aquecimentista?


Levantamentos realizados pela organização ambientalista Greenpeace apontaram que entre 2005 e 2008, uma das maiores companhias petroquímicas privadas do mundo, a ExxonMobil, investiu US$ 9 milhões em estudos sobre a questão climática. Outro grande grupo multinacional do petróleo, as Indústrias Koch, gastaram cerca de US$ 25 milhões no mesmo período.

O Greenpeace alega que esses investimentos comprovam que milhares de cientistas, chamados de céticos do aquecimento global, estão sendo pagos para teorizar contra as mudanças climáticas.


Lino não nega que as gigantes do petróleo investem em pesquisas climáticas. Entretanto, rebate que os recursos alocados pela “indústria aquecimentista” movimentam muito mais. Estima-se que as despesas governamentais de “Planos de Redução de Emissões”, dos Estados Unidos, já ultrapassaram os US$ 30 bilhões.


“A indústria aquecimentista é um conluio de interesses. Começaram a perceber que tinham muito a ganhar com isso”, afirma o escritor. A criação de mercados para compra e venda de créditos de carbono, assim como a alocação de recursos para descarbonizar a economia, seriam partes de um mecanismo envolvendo governos, empresas de diversos segmentos e organizações ambientais, responsável pela movimentação de bilhões de dólares todos os anos.

O escritor declara que não existe hoje alternativa técnica e economicamente viáveis a substituição dos combustíveis fósseis. “Não há como alimentar uma sociedade urbanizada com energia solar e eólica. Elas são de aplicações pontuais que não podem dispensar as fontes tradicionais de geração que são as térmicas, nucleares e hidrelétricas”, completa.


Logo, como não existem alternativas aos combustíveis fósseis, qualquer esforço em grande escala no sentido de descarbonizar a base energética mundial significaria congelar os níveis de desenvolvimento sócio-econômicos atuais, “que já são extremamente desiguais e injustos”, ressalta.


O geólogo acredita que em algum momento a “histeria coletiva” do aquecimento global terá fim. “Não se pode enganar todos por muito tempo, já dizia Abraham Lincoln”, recorre.


Como as condições que determinam as mudanças climáticas são imprevisíveis, o pesquisador diz ser fundamental que os governos desenvolvam estudos não só para se precaverem de um possível aquecimento global, mas também de resfriamentos. A exemplo do que ocorreu em 1815, quando o vulcão do monte Tambora, na Indonésia, entrou numa das mais violentas erupções presenciadas pela humanidade provocando drásticas quedas de temperatura durante dois anos – 1816 ficou conhecido como “o ano sem verão”. O resultado foi a quebra de safras em grande parte do planeta ocasionando fome e aumento de taxas de mortalidade em toda europa.


O fonômeno ocorreu porque as partículas expelídas pelos vulcões ficam suspensas no ar por muito tempo. Elas funcionam como refletoras dos raios solares, impedindo que o calor entre na Terra.




http://blogln.ning.com/profiles/blogs/debate-mudancas-climaticas


acessado à partir do blog do Luis Nassif
http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2010/04/19/mudancas-climaticas/

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

"Aquecimento Global é terrorismo climático", por Luiz Carlos Molion

Luiz Carlos Molion

"Aquecimento Global é terrorismo climático"

Pesquisador diz que tendência dos próximos anos é o esfriamento da Terra e que efeito estufa é tese manipulada pelos países ricos


Entrevistado por RODRIGO RANGEL, da Revista ISTOÉ

http://www.istoe.com.br/assuntos/entrevista/detalhe/255_AQUECIMENTO+GLOBAL+E+TERRORISMO+CLIMATICO+?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage
 


O professor Luiz Carlos Molion é daqueles cientistas que não temem nadar contra a corrente. Na Rio 92 (ou Eco 92), quando o planeta discutia o aumento do buraco na camada de ozônio, ele defendeu que não havia motivo para tamanha preocupação.

Numa conferência, peitou o badalado mexicano Mario Molina, mais tarde Nobel de Química, um dos primeiros a fazer o alerta. Agora, a guerra acadêmica de Molion tem outro nome: aquecimento global. Pós-doutor em meteorologia formado na Inglaterra e nos Estados Unidos, membro do Instituto de Estudos Avançados de Berlim e representante da América Latina na Organização Meteorológica Mundial, esse paulista de 61 anos defende com veemência a tese de que a temperatura do planeta não está subindo e que a ação do homem, com a emissão crescente de gás carbônico (CO2) e outros poluentes, nada tem a ver com o propalado aquecimento global. Boa notícia?

Nem tanto, diz. Molion sustenta que está em marcha um processo de resfriamento do planeta. "Estamos entrando numa nova era glacial, o que para o Brasil poderá ser pior", pontifica. Para Molion, por trás da propagação catastrófica do aquecimento global há um movimento dos países ricos para frear o desenvolvimento dos emergentes. O professor ainda faz uma reclamação: diz que cientistas contrários à tese estão escanteados pelas fontes de financiamento de pesquisa.



Istoé - Com base em que o sr. diz que não há aquecimento global?
 
Luiz Carlos Molion - É difícil dizer que o aquecimento é global. O Hemisfério Sul é diferente do Hemisfério Norte, e a partir disso é complicado pegar uma temperatura e falar em temperatura média global. Os dados dos 44 Estados contíguos dos EUA, que têm uma rede de medição bem mantida, mostram que nas décadas de 30 e 40 as temperaturas foram mais elevadas que agora. A maior divergência está no fato de quererem imputar esse aquecimento às atividades humanas, particularmente à queima de combustíveis fósseis, como petróleo e carvão, e à agricultura, atrás da agropecuária, que libera metano. Quando a gente olha a série temporal de 150 anos usada pelos defensores da tese do aquecimento, vê claramente que houve um período, entre 1925 e 1946, em que a temperatura média global sofreu um aumento de cerca de 0,4 grau centígrado. Aí a pergunta é: esse aquecimento foi devido ao CO2?


Istoé - Como, se nessa época o homem liberava para a atmosfera menos de 10% do que libera hoje?

Luiz Carlos Molion - Depois, no pós-guerra, quando a atividade industrial aumentou, e o consumo de petróleo também, houve uma queda nas temperaturas.

Istoé - Qual seria a origem das variações de temperatura?

Luiz Carlos Molion - Há dez anos, descobriu-se que o Oceano Pacífico tem um modo muito singular na variação da sua temperatura. Me parece lógico que o Pacífico interfira no clima global. Primeiro, a atmosfera terrestre é aquecida por debaixo, ou seja, temos temperaturas mais altas aqui na superfície e à medida que você sobe a temperatura vai caindo - na altura em que voa um jato comercial, por exemplo, a temperatura externa chega a 45 ou 50 graus abaixo de zero. Ora, o Pacífico ocupa um terço da superfície terrestre. Juntando isso tudo, claro está que, se houver uma variação na temperatura da superfície do Pacífico, vai afetar o clima.

Istoé - O IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, da ONU) está errado?

Luiz Carlos Molion - O painel não leva em consideração todos os dados. Outra coisa que incomoda bastante, e que o Al Gore [exvice- presidente dos EUA e estrela do documentário Uma verdade inconveniente, sobre mudanças no clima] usa muito, é a concentração de CO2. O IPCC diz claramente que a concentração atingida em 2005, de 339 partes por milhão, ou ppm, foi a maior dos últimos 650 mil anos. Isso é uma coisa ridícula. Eles usam uma série iniciada em 1957 e não fazem menção a medições de concentração de gás carbônico anteriores. É como se nunca ninguém tivesse se preocupado com isso. O aumento de CO2 não é um fenômeno novo. Nos últimos 150 anos, já chegou a 550, 600 ppm. Como é que se jogam fora essas medidas? Só porque não interessam ao argumento? O leigo, quando vê a coisa da maneira que é apresentada, pensa que só começaram a medir nos últimos 50 anos. O Al Gore usou no filme a curva do CO2 lá embaixo há 650 mil anos e, agora, decolando. Ridículo, palhaço.

Istoé - Esses temores são cíclicos?

Luiz Carlos Molion - Eu tenho fotos da capa da Time em 1945 que dizia: "O mundo está fervendo." Depois, em 1947, as manchetes diziam que estávamos indo para uma nova era glacial. Agora, de novo se fala em aquecimento. Não é que os eventos sejam cíclicos, porque existem muitos fatores que interferem no clima global. Sem exagero, eu digo que o clima da Terra é resultante de tudo o que ocorre no universo. Se a poeira de uma supernova que explodiu há 15 milhões de anos for densa e passar entre o Sol e a Terra, vai reduzir a entrada de radiação solar no sistema e mudar o clima. Esse ciclo de aquecimento muito provavelmente já terminou em 1998. Existem evidências, por medidas feitas via satélite e por cruzeiros de navio, de que o oceano Pacífico está se aquecendo fora dos trópicos - daí o derretimento das geleiras - e o Pacífico tropical está esfriando, o que significa que estamos entrando numa nova fase fria. Quando esfria é pior para nós.

Istoé - Por que é pior?

Luiz Carlos Molion - Porque quando a atmosfera fica fria ela tem menor capacidade de reter umidade e aí chove menos. Eu gostaria que aquecesse realmente porque, durante o período quente, os totais pluviométricos foram maiores, enquanto de 1946 a 1976 a chuva no Brasil como um todo ficou reduzida.

Istoé - No que isso pode interferir na vida do brasileiro?

Luiz Carlos Molion - As conseqüências para o Brasil são drásticas. O Sul e o Sudeste devem sofrer uma redução de chuvas da ordem de 10% a 20%, dependendo da região. Mas vai ter invernos em que a freqüência de massas de ar polar vai ser maior, provocando uma freqüência maior de geadas. A Amazônia vai ter uma redução de chuvas e, principalmente, a Amazônia oriental e o sul da Amazônia vão ter uma freqüência maior de seca, como foi a de 2005. O Nordeste vai sofrer redução de chuva. O que mais me preocupa é que, do ponto de vista da agricultura, as regiões sul do Maranhão, leste e sudeste do Pará, Tocantins e Piauí são as que apresentam sinais mais fortes. Essas regiões preocupam porque são a fronteira de expansão da soja brasileira. A precipitação vai reduzir e certamente vai haver redução de produtividade. Infelizmente, para o Brasil é pior do que seria se houvesse o aquecimento.
 
Istoé - A quem interessaria o discurso do "aquecimento"?

Luiz Carlos Molion - Quando eu digo que muito provavelmente estamos num processo de resfriamento, eu faço por meio de dados. O IPCC, o nome já diz, é constituído de pessoas que são designadas por seus governos. Os representantes do G-7 não vão aleatoriamente. Vão defender os interesses de seus governos. No momento em que começa uma pressão desse tipo, eu digo que já vi esse filme antes, na época do discurso da destruição da camada de ozônio pelos CFCs, os compostos de clorofluorcarbonos. Os CFCs tinham perdido o direito de patente e haviam se tornado domínio público. Aí inventaram a história de que esses compostos estavam destruindo a camada de ozônio. Começou exatamente com a mesma fórmula de agora. Em 1987, sob liderança da Margaret Thatcher, fizeram uma reunião em Montreal de onde saiu um protocolo que obrigava os países subdesenvolvidos a eliminar os CFCs. O Brasil assinou. Depois, ficamos sabendo que assinou porque foi uma das condições impostas pelo FMI para renovar a dívida externa brasileira. É claro que o interesse por trás disso certamente não é conservacionista.

Istoé - Mas reduzir a emissão de CFCs não foi uma medida importante?

Luiz Carlos Molion - O Al Gore no filme dele diz "nós resolvemos um problema muito crucial que foi a destruição da camada de ozônio". Como resolveram, se cientistas da época diziam que a camada de ozônio só se recuperaria depois de 2100? Na Eco 92, eu disse que se tratava de uma atitude neocolonialista. No colonialismo tradicional se colocam tropas para manter a ordem e o domínio. No neocolonialismo a dominação é pela tecnologia, pela economia e, agora, por um terrorismo climático como é esse aquecimento global. O fato é que agora a indústria, que está na Inglaterra, França, Alemanha, no Canadá, nos Estados Unidos, tem gases substitutos e cobra royalties de propriedade. E ninguém fala mais em problema na camada de ozônio, sendo que, na realidade, a previsão é de que agora em outubro o buraco será um dos maiores da história.

Istoé - O sr. também vê interesses econômicos por trás do diagnóstico do aquecimento global?

Luiz Carlos Molion - É provável que existam interesses econômicos por detrás disso, uma vez que os países que dominam o IPCC são os mesmos países que já saíram beneficiados lá atrás.
 
Istoé - Não é teoria conspiratória concluir que há uma tentativa de frear o desenvolvimento dos países emergentes?

Luiz Carlos Molion - O que eu sei é que não há bases sólidas para afirmar que o homem seja responsável por esse aquecimento que, na minha opinião, já acabou. Em 1798, Thomas Malthus, inglês, defendeu que a população dos países pobres, à medida que crescesse, iria querer um nível de desenvolvimento humano mais adequado e iria concorrer pelos recursos naturais existentes. É possível que a velha teoria malthusiana esteja sendo ressuscitada e sendo imposta através do aquecimento global, porque agora querem que nós reduzamos o nosso consumo de petróleo, enquanto a sociedade americana, sozinha, consome um terço do que é produzido no mundo.

Istoé - Para aceitar a tese do sr., é preciso admitir que há desonestidade dos cientistas que chancelam o diagnóstico do aquecimento global...
 
Luiz Carlos Molion - Eu digo que cientistas são honestos, mas hoje tem muito mais dinheiro nas pesquisas sobre clima para quem é favorável ao aquecimento global. Dinheiro que vem dos governos, que arrecadam impostos das indústrias que têm interesse no assunto. Muitos cientistas se prostituem, se vendem para ter os seus projetos aprovados. Dançam a mesma música que o IPCC toca.

Istoé - O sr. se considera prejudicado por defender a linha oposta?

Luiz Carlos Molion - Na Eco 92, eu debati com o Mario Molina, que foi quem criou a hipótese de que os clorofluorcarbonos estariam destruindo o ozônio. Ele, em 1995, virou prêmio Nobel de Química. E o professor Molion ficou na geladeira. De 1992 a 1997 eu não fui mais convidado para nenhum evento internacional. Eu tinha US$ 50 mil que o Programa das Nações Unidas havia repassado para fazer uma pesquisa na Amazônia e esse dinheiro foi cancelado.
 
Istoé - O cenário que o sr. traça inclui ou exclui o temor de cidades litorâneas serem tomadas pelo aumento do nível dos oceanos?

Luiz Carlos Molion - Também nesse aspecto, o que o IPCC diz não é verdade. É possível que, com o novo ciclo de resfriamento, o gelo da Groenlândia possa aumentar e pode ser até que haja uma ligeira diminuição do nível do mar.
 
Istoé - Pela sua tese, seria o começo de uma nova era glacial?

Luiz Carlos Molion - Como já faz 15 mil anos que a última Era Glacial terminou, e os períodos interglaciais normalmente são de 12 mil anos, é provável que nós já estejamos dentro de uma nova era glacial. Obviamente a temperatura não cai linearmente, mas a tendência de longo prazo certamente é decrescer, o que é mau para o homem. Eu gostaria muito que houvesse realmente um aquecimento global, mas na realidade os dados nos mostram que, infelizmente, estamos caminhando para um resfriamento. Mas não precisa perder o sono, porque vai demorar uns 100 mil anos para chegar à temperatura mínima. E quem sabe, até lá, a gente não encontre as soluções para a humanidade.



Revista ISTOÉ. Edição n°:  1967 |  11/jul/2009 - 10:00 |  Atualizado em 11/nov/2009 - 09:08



http://www.istoe.com.br/assuntos/entrevista/detalhe/255_AQUECIMENTO+GLOBAL+E+TERRORISMO+CLIMATICO+?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage