quarta-feira, 3 de abril de 2013

Taxa de desemprego no Brasil está estável em 5%, enquanto na Espanha e na Grécia chega a 27%

Enquanto a Europa em crise vive os piores índices de desemprego registrado, o Brasil alcança a menor taxa de desemprego desde que este índice começou a ser registrado. 

A Grécia atingiu a taxa de desemprego de 27% da população economicamente ativa. Na Espanha a taxa de desemprego está em 26% e em Portugal 17,5%. A média européia está em 12% de desemprego na Zona do Euro, porque o desemprego é menor na Alemanha. 

Entre a população jovem da Europa, a situação de empregabilidade é ainda pior, as taxas de desemprego alcançam 60% na Grécia, 55% na Espanha e 37% em Portugal e 35% na Itália, sendo que a média européia está em 23,6%. A situação é ainda pior porque todos esses países estão fortemente endividados e o volume de comércio entre os países europeus vem caindo.

Enquanto isso no Brasil...
Diferentemente da realidade européia, o Brasil vive uma fase econômica muito positiva. O país vem apresentando taxas bem maiores de crescimento nos últimos anos, com aumento da renda média, melhorias na distribuição de renda e melhora nas taxas de emprego. Mesmo diante das críticas da imprensa conservadora no país, os indicadores econômicos e sociais brasileiros estão melhorando, o comércio internacional continua se espandindoe o comércio Brasil-Mercosul continua crescendo.

Nos últimos anos as taxas de desemprego brasileiras oscilaram na faixa de 5% a 7%, alcançando apenas 5% em 2013. Essas são as menores taxas de desemprego já registradas no país. Em 2010 foram criados 2,5 milhões de empregos formais, com registro em carteira. Em 2011 foram criados outros 1,9 milhão de novos empregos formais, acrescidos de outro 1,3 milhão em 2012. Ao todo, foram 14,5 milhões de novos empregos formais criados no Brasil nos últimos 10 anos.  

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Esta é uma situação ímpar na história brasileira, pois o país sempre teve altas taxas de desemprego, e no período dos anos 1980-1990 os índices de desemprego se mantiveram entre 15% e 20%, sendo que os piores índices de desemprego foram justamente nos anos 1990. Isto porque foi durante os anos 1990 que predominaram governos contrários aos interesses nacionais, que implementaram as políticas econômicas neoliberais ideologicamente mais radicais e que geraram mais desemprego no país, simplesmente destruindo cerca de 3 milhões de empregos formais em uma década, enquanto dobrou a dívida externa do país. 

Cosiderando esse histórico de desemprego, pode-se afirmar que o Brasil vive, pela primeira vez, uma situação de "pleno emprego" relativo. Soma-se a isso, o fato de que a quantidade de jovens fazendo faculdade mais que dobrou na última década, e percebe-se que a situação atual de quase pleno emprego deve-se manter nos próximos anos. 

Essa situação economômica postiva no país tem produzido outros fenômenos interessantes, como o aumento da vinda de imigrantes para o Brasil.  Este aumento ainda é pequeno se comparado a outros países tradicionamente receptores de imigrantes, como os EUA. Mas o fato de o número de imigrantes ter dobrado na última década significa que o Brasil se tornou mais atrativo, inclusive para a mão-de-obra mais qualificada de outros países. 
Como mais emprego significa mais renda e maior consumo, e a atividade industrial não está se expandindo no mesmo ritmo, até mesmo os índices de inflação subiram, pressionados por uma capacidade de consumo recorde no Brasil. A solução para iso seria simples: reduzir os juros para os investimentos na expansão produtiva, especialmente da indústria, para que a produção cresça mais rápido que o consumo. 

Entretanto, os economistas ortodoxos neoliberais já começaram a defender que o governo deveria aumentar os juros como forma de aumentar o desemprego e reduzir a pressão do consumo sobre a inflação. Fica claro que este tipo de medida perversa para o povo brasileiro, beneficia os banqueiros, insaciáveis por lucros fáceis, pois juros maiores significam lucros maiores para os bancos. Por isso, os bancos são sempre os grandes defensores do aumento das taxas de juros e fazem tanta pressão junto à imprensa, em defesa de juros mais elevados como forma de conter a inflação. 

Mas, um outro grupo político também acredita que pode se beneficiar do aumento do desemprego: a oposição ao governo atual. Com os índices de desemprego caindo, as chances da oposição nas eleições de 2014 são nulas. Se o desemprego aumentar, talvez a oposição tenha uma remota chance de eleger um candidato contrário à política econômica atual. Estes grupos, oposição e banqueiros, parecem os mais interessados em enfraquecer o governo atual. Isto porque o governo Lula-Dilma conseguiu reduzir significativamente as taxas de juros que haviam alcançado recordes de 44,9% ao ano em 1999 e estavam em 26% em 2002, no fim do governo FHC. Hoje a taxa de juros no país, ainda considerada alta, é de 7,25%. 

Nos anos 1990 o Brasil mal conseguia vender títulos da dívida pública no exterior com mais de 6 meses de vencimento e pagando juros exorbitantes. Atualmente, o governo brasileiro consegue vender títulos da dívida do tesouro de 20 anos, a juros de 2,6%, o que era impensável nos anos 1990. 


É por isso que uma parte da grande imprensa no país, muito ligada aos banqueiros e à oposição, defende tão árduamente o aumento dos juros como forma de conter a inflação: porque o aumento dos juros vai aumentar o desemprego e diminuir a popularidade do governo em um ano crítico, de véspera das eleições de 2014. 

Infelizmente, fica claro que uma parte singificativa da oposição, dos banqueiros e da grande imprensa, que atua no Brasil, não está minimanente interessada no que é melhor para o povo brasileiro e para o país. Tudo indica que esses grupos de pressão estão engajados apenas em defender seus interesses particulares mais mesquinhos, mesmo que para isso seja necessário desempregar milhões de brasileiros. 

Segue abaixo a notícia referente à manutenção da baixa taxa de desemprego no Brasil.



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Agência Brasil, 28/03/2013

Desemprego no Brasil mantém-se estável nos primeiros dois meses do ano, diz IBGE

Flávia Villela

Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – O desemprego no país manteve-se estável em fevereiro na comparação com janeiro, ao subir de 5,4% para 5,6% nas seis regiões metropolitanas investigadas. Os dados foram divulgados hoje (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e mostram que a alta da taxa de desocupação em fevereiro também mostrou-se estável em relação ao mesmo período do ano passado (5,7%). Cerca de 1,4 milhão de pessoas nas regiões pesquisadas estavam desocupadas em fevereiro, segundo a pesquisa.

A Pesquisa Mensal de Emprego é realizada nas regiões metropolitanas do Recife, de Salvador, Belo Horizonte, do Rio de Janeiro, de São Paulo e Porto Alegre. Houve queda de desocupação nas regiões metropolitanas de Salvador e do Rio de Janeiro (19,3% e 19%, respectivamente) e alta em Recife (28,2%).

Segundo o IBGE, a população ocupada em fevereiro é de aproximadamente 23 milhões de pessoas, o que representa queda frente a janeiro (-0,7%) e alta na comparação com o mesmo período do ano passado (1,6%), com incremento de 362 mil postos de trabalho em 12 meses.

Regionalmente, a análise mostrou variação mensal significativa apenas no Recife (queda de 3,2% ou menos 51 mil pessoas ocupadas de janeiro para fevereiro). Na comparação com fevereiro do ano passado, houve variação somente em São Paulo (2,5%, ou mais 236 mil pessoas ocupadas).

O número de trabalhadores com carteira de trabalho assinada no setor privado (11,5 milhões) ficou estável em relação a janeiro e cresceu 2,3% em relação a fevereiro de 2012 – mais 254 mil postos de trabalho com carteira assinada em um ano.

O rendimento médio real habitual dos trabalhadores ficou em R$ 1.849,50, com alta de 1,2% frente a janeiro e de 2,4% na comparação com fevereiro de 2012. A massa de rendimento médio real habitual dos ocupados (R$ 42,8 bilhões) também apresentou estabilidade em fevereiro ante janeiro último e cresceu 4,2% em relação a fevereiro de 2012.

Regionalmente, na comparação com janeiro deste ano, o rendimento médio real habitual dos trabalhadores aumentou nas regiões metropolitanas do Recife (1,6%), Rio de Janeiro (1,7%), de São Paulo (1,3%) e Porto Alegre (2,2%); ficou estável em Belo Horizonte e caiu em Salvador (-1,2%). Já em relação a fevereiro do ano passado houve altas no Recife e em Belo Horizonte (ambas, 7,4%), em Porto Alegre (7,3%), São Paulo (2,8%) e no Rio de Janeiro (0,8%). Apenas Salvador registrou queda no rendimento (-9,8%).

Assim como o IBGE, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socieconômicos (Dieese) e a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) divulgam dados mensais sobre o desemprego no país. As informações apresentadas nesses levantamentos costumam ser diferentes, devido aos conceitos e à metodologia usados. Entre as diferenças está o conjunto de regiões pesquisadas.

A Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), divulgada pelo Dieese e pela Fundação Seade, não engloba o número de desempregados na região metropolitana do Rio de Janeiro. Já na pesquisa do IBGE não estão incluídas duas regiões que fazem parte do conjunto da PED: Fortaleza e o Distrito Federal.


Edição: Denise Griesinger
Agência Brasil



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