Mostrando postagens com marcador Economia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Economia. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 15 de maio de 2020

quarta-feira, 25 de março de 2020

Papel do Estado será central para garantir a sobrevivência e reconstrução das economias pós-pandemia de Coronavírus

Carta Maior, 25/03/2020

Para garantir a sobrevivência das economias pós-pandemia


O aumento substancial na escala e no escopo das providências necessárias para combater a pandemia da COVID-19 indica que a ação governamental deve ser vista como uma forma sem precedentes de seguro sistêmico de curto prazo. Essa abordagem requer não apenas enormes gastos do governo, mas também uma reorganização temporária, liderada pelo Estado, de toda a economia.
 

 Por Roman Frydman e Edmund S. Phelps  


O aumento substancial na escala e no escopo das providências necessárias para combater a pandemia da COVID-19 indica que a ação governamental deve ser vista como uma forma sem precedentes de seguro sistêmico de curto prazo. Essa abordagem requer não apenas enormes gastos do governo, mas também uma reorganização temporária, liderada pelo Estado, de toda a economia.

NOVA IORQUE – Confinamentos de cidades inteiras. Pânico nos mercados financeiros. Prateleiras vazias nas lojas. Escassez de leitos hospitalares. O mundo entrou em uma realidade desconhecida fora de tempos de guerra.

Ao ordenar que as pessoas se isolem em casa, os formuladores de políticas esperam diminuir e depois reverter a taxa de propagação do COVID-19. Mas o confinamento isoladamente, ou uma explosão de criação de dinheiro, não impedirá a pandemia ou salvará nossas economias. Precisamos da intervenção do governo, porém muitas propostas atuais parecem equivocadas, algumas mesmo lamentáveis. Outras se movem na direção certa, mas são muito graduais.

A própria possibilidade de milhões de pessoas morrerem à medida que a economia é mutilada justifica aumentar substancialmente a extensão e o escopo da ação do governo. Essa ação deve ser vista como uma forma seguro sistêmico de curto prazo, sem precedentes, para nossas vidas e nossos meios de subsistência. Dado o valor absoluto que atribuímos a ambos, cidadãos e governos devem estar preparados para pagar o que pode parecer um prêmio extravagantemente alto por esse seguro.

O seguro sistêmico necessário exige um esforço liderado pelo governo em quatro áreas principais:

- Redirecionar a capacidade produtiva existente da economia para superar a crescente escassez de equipamentos e serviços necessários para responder à pandemia de modo eficaz.

- Apoiar empresas que não estão diretamente envolvidas nos esforços para combater a crise, para que possam continuar fornecendo bens e serviços essenciais.

- Garantir que a população tenha meios suficientes para comprar esses bens e serviços.

- Criar um mecanismo financeiro para ajudar as pessoas incapazes de pagar suas hipotecas e cumprir outras obrigações, mitigando riscos cataclísmicos para o setor financeiro.

Tal seguro sistêmico vai muito além das propostas correntes de gastar trilhões de dólares, em grande parte destinados a iniciativas políticas, com destinação previamente definida, que diagnosticam erroneamente a crise como provocada por demanda agregada deficiente ou como resultado de um choque de oferta comum.

Além disso, quantias substanciais estão sendo dedicadas a resgates sem condicionar explicitamente o recebimento dos recursos à participação da empresa no esforço de combater a crise da saúde e suas consequências econômicas.

Portanto, na medida em que as autoridades de todo o mundo consideram grandes gastos para combater a crise do COVID-19, as perguntas mais imediatas que enfrentamos são se as políticas atualmente em estudo proporcionam um seguro suficiente contra os riscos sistêmicos que estão se multiplicando rapidamente. Os critérios são diretos:

- Os gastos do governo estão suficientemente focados na superação da crise da saúde pública?

- O pacote de resgate econômico é adequado para sustentar o bem-estar da população?

Considerando o segundo critério primeiro, a distribuição governamental do chamado dinheiro de helicóptero (distribuição direta de dinheiro), para ajudar a manter a população à tona, deve ser recorrente, em vez de um ou dois desembolsos como atualmente em discussão.

Benefícios de desemprego ampliados, juntamente com maior elegibilidade para cupons de alimentos e outros pagamentos desse tipo, também ajudariam a fornecer os meios para pagar por bens e serviços essenciais.

Políticas que visam estimular o emprego, como os cortes nos impostos corporativos ou na folha de pagamento defendidos pelos republicanos do Senado dos EUA, certamente não ajudarão a combater a pandemia e suas consequências no fornecimento de bens e serviços. Empregados doentes ou com risco de adoecerem e, portanto, perigosos para os outros, não podem contar com a manutenção da produção de bens e serviços.

O que agora é dolorosamente claro é que há uma escassez de suprimentos de um tipo sem precedentes: equipamentos e instalações médicas. E é igualmente claro que as políticas em avaliação nos EUA, que dependem principalmente da conversão voluntária da capacidade de produção existente, são lamentavelmente inadequadas para fechar a crescente lacuna.

Reequipar fábricas para produzir ventiladores para pacientes e equipamentos de proteção individual (EPI) para profissionais médicos, por exemplo, leva tempo. Portanto, essas medidas devem ser ampliadas sem demora. Além disso, esse reaparelhamento requer gastos financeiros substanciais, difíceis de serem feitos em uma economia em colapso.

A fim de redirecionar a capacidade existente, o governo deve condicionar o suporte a qualquer empresa privada com o compromisso da empresa de produzir equipamentos vitais (especificados por um corpo de médicos especialistas) e atender sua folha de pagamento com salários razoáveis. Para evitar a manipulação de preços, os suprimentos médicos devem ter preços nos níveis pré-crise.

Essa condicionalidade não deve se aplicar apenas às empresas que produzem equipamentos. A abordagem do seguro sistêmico para alocar fundos dos contribuintes exigiria que grandes empresas do setor de serviços, como companhias aéreas ou redes de hotéis, recebessem resgates apenas após redefinirem sua capacidade de apoiar a luta contra a pandemia.

Em vez de ficar ociosas aguardando a retomada da viagem dos passageiros, as companhias aéreas deveriam receber fundos para equipar seus aviões para transportar suprimentos e equipamentos médicos ou para transportar pacientes doentes para locais com capacidade para cuidar deles. Da mesma forma, as redes de hotéis devem ser apoiadas pelo governo apenas se concordarem em redirecionar seus hotéis para servir como hospitais temporários.

Além de reaproveitar a capacidade existente, o seguro sistêmico exigiria que os funcionários de empresas socorridas continuassem recebendo um salário adequado. Os resgates não devem ser desviados para aumentos salariais da administração, recompra de ações ou distribuição de dividendos.

O que torna sem precedentes o seguro sistêmico é que ele requer não apenas gastos do governo - que podem ser considerados parte do valor do prêmio - mas também intervenções lideradas pelo governo em larga escala na maneira como nossas economias produzem e distribuem bens e serviços. Esse movimento em direção à ação estatal é muito mais abrangente do que a mobilização para a Segunda Guerra Mundial - um paralelo frequentemente invocado – jamais foi.

Mas essa reorganização de nossas economias coloca mais do que dificuldades operacionais, especialmente nos EUA, onde o governo historicamente limitou estritamente sua intervenção direta em atividades produtivas. Embora a intervenção dos governos nas economias modernas assuma várias formas, ideias arraigadas sobre o equilíbrio entre o Estado e o mercado estão agora impedindo uma resposta adequada a essa crise.

Até agora, o presidente Donald Trump e os formuladores de políticas dos EUA favorecem medidas graduais, especialmente quando se trata de o estado dirigir - de fato, reorganizar - o setor privado. Sua crença instintiva na superioridade do mercado e em iniciativas privadas, independentemente das circunstâncias, leva-os a recuar da escala de intervenção governamental necessária para salvar nossas vidas e meios de subsistência.

Os repetitivos bordões sobre o papel adequado do Estado não devem se tornar obstáculos ao empenho para mitigar os graves riscos sistêmicos que enfrentamos. O fraco histórico dos governos em lidar com outra ameaça existencial - a das mudanças climáticas - não inspira otimismo.

*Publicado originalmente em 'Project Syndicate' | Tradução de César Locatelli

Fonte: Carta Maior,
Original:

terça-feira, 5 de março de 2013

Brasil apresenta crescimento menor mas mantém taxa de desemprego reduzida

Carta Capital, 04/03/2013

O crescimento dez anos depois   

João Sicsú


Foi pífio o crescimento econômico durante o período que o presidente Fernando Henrique Cardoso governou o Brasil (1995-2002). Em média, durante oito anos, a economia cresceu 2,3% ao ano. A economia não podia crescer. A valorização do salário mínimo era modesta. O crédito era um privilégio das altas classes de renda, dos ricos e das grandes empresas. O investimento público era cadente e as estatais, que restaram após as privatizações, tinham planos de investimentos limitados.


Fonte: SCN/IBGE
Fonte: SCN/IBGE

No primeiro mandato do presidente Lula (2003-2006), a economia iniciou um processo de recuperação. Cresceu, em média, 3,5% ao ano. Este primeiro aumento do PIB foi impulsionado pelo início da política de valorização do salário mínimo e pela ampliação do crédito para as famílias e as empresas.

No segundo mandato (2007-2010), além dos elementos que já estavam em curso, a política de investimentos públicos e das estatais, que estimulou o investimento privado, foi o elemento-chave. Por exemplo, a Petrobras aumentou seus investimentos de forma significativa e houve os lançamentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Minha Casa, Minha Vida. Em média, a economia passou a crescer 4,6% ao ano, apesar da aguda crise financeira americana que atingiu o Brasil em 2009.

A presidenta Dilma Rousseff enfrentou problemas nos dois primeiros anos de seu governo. Em 2011, houve pressões inflacionárias que impuseram ao governo a necessidade de desacelerar o crescimento. Mas, principalmente, a economia brasileira mostrou que existiam gargalos de infraestrutura e que o ritmo de 2010 (crescimento de 7,5%) não era sustentável. Houve desaceleração conduzida pelo governo de 2010 para 2011.



SCN/IBGE, Censo/IBGE, PNAD/IBGE, CCN/FGV
Fonte: SCN/IBGE, Censo/IBGE, PNAD/IBGE, CCN/FGV

Em 2012, o desempenho piorou: a economia iniciou o ano ainda com o freio de mão puxado. E a crise europeia chegou e contaminou o cenário, gerando no Brasil e no mundo expectativas empresariais de apreensão e receio em relação ao futuro. Sob estas condições, a economia atravessou o ano. Um ano em que o governo e empresários não realizaram planos de investimentos que pudessem garantir um crescimento satisfatório.

A presidenta adotou medidas estruturantes da economia que podem garantir a retomada do crescimento. As tarifas de energia elétrica foram reduzidas, os bancos públicos entraram na concorrência via redução de taxas de juros e as desonerações fiscais implementadas aumentaram a capacidade de investimento do setor privado empresarial. E, além disso, o Banco Central se tornou muito mais “inteligente”: não utiliza a taxa de juros como remédio único (e em doses cavalares) para manter a estabilidade monetária. Mas a lição já foi aprendida: o elemento-chave do crescimento é o investimento público e das estatais.

O crescimento médio durante o governo Dilma (1,8%) fez o sinal vermelho da economia piscar. Os últimos dois anos de governos do PT fizeram a economia desviar da série de bons resultados dos governos Lula.

Apesar do modestíssimo crescimento durante o primeiro biêno de Dilma, a taxa de desemprego se manteve baixa, os rendimentos dos trabalhadores continuaram aumentando e a renda per capita cresceu em relação ao período dos governos do presidente Lula. A conclusão é que os percalços da economia não contaminaram a trajetória social benigna do decênio petista no governo federal.


http://www.cartacapital.com.br/economia/o-crescimento-dez-anos-depois/


sábado, 1 de dezembro de 2012

Chanceleres da Unasul se reúnem no Peru para discutir política, economia e defesa

Agência Brasil, 29/11/2012

Chanceleres da Unasul se reúnem no Peru para discutir política, economia e defesa

Renata Giraldi

Repórter da Agência Brasil

Brasília – O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, e mais dez chanceleres que compõem a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) se reúnem hoje (29), em Lima, no Peru. A reunião antecede a Cúpula dos Chefes de Estado e de Governo da Unasul, que ocorre amanhã. Estarão em debate questões políticas, como a expectativa do Paraguai de ver revogada sua suspensão do grupo, econômicas, com a ampliação de parcerias, além de defesa e segurança.

A Unasul é formada pela Bolívia, Colômbia, o Equador, Peru, a Argentina, o Brasil, Paraguai, Uruguai, a Venezuela, o Chile, a Guiana e o Suriname. São países observadores o Panamá e o México.

A presidenta Dilma Rousseff cancelou a participação na cúpula. No Paraguai, a expectativa é que os presidentes presentes ao encontro decidam pela revogação da suspensão do país tanto da Unasul quanto do Mercosul. O Paraguai foi suspenso em junho porque os líderes políticos da região concluíram que a destituição do então presidente Fernando Lugo ocorreu em meio ao rompimento da ordem democrática. As autoridades paraguaias negam irregularidades.

O presidente do Grupo de Alto Nível da Unasul, Salomón Lerner, esteve em Assunção, examinou o funcionamento das instituições paraguaias e conversou com autoridades do Judiciário, Executivo e Legislativo. Lerner apresentará um relatório detalhando as conclusões do grupo sobre a situação política do Paraguai. Por enquanto, a suspensão é válida até abril de 2013, quando haverá eleições presidenciais no país.

Nas áreas econômica e comercial, os conselhos ministeriais, integrados por membros de todos os países, negociam a ampliação de parcerias. As prioridades são os projetos de infraestrutura  de planejamento e integração física. Nas questões relativas à segurança e defesa, há a proposta de instaurar um conselho específico para a área e as preocupações estão centradas no combate  ao tráfico de drogas, de armas e de pessoas.   

Há ainda vários temas também em discussão que devem ser incluídos no comunicado final da cúpula. A reunião dos chefes de Estado e Governo ocupará apenas a manhã de sexta-feira (30). Os líderes poderão se manifestar pelo tempo que considerarem adequado, não há limite. Mas a única manifestação à imprensa prevista é do presidente do Peru, Ollanta Humala, que deverá fazer uma declaração – sem direito a perguntas.

Em 2011, as relações comerciais entre o Brasil e os demais integrantes da Unasul envolveu US$ 76 bilhões, registrando crescimento de 20% em relação a 2010 e de 65% se comparado a 2009. Criado em 2008, o grupo reúne 12 países sul-americanos, sendo que o Paraguai está suspenso há cinco meses. Juntos,somam 400,2 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 4,276 trilhões.

Edição: Graça Adjuto

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Copa de 2014 movimentará mais de R$ 110 bilhões em investimentos, impostos, consumo e turismo, mas os derrotistas insistem que nada vai dar certo

Agência Brasil 
 
05/07/2011

Copa de 2014 movimentará mais de R$ 110 bilhões em investimentos, impostos, consumo e turismo
 
Pedro Peduzzi


 
Brasília – Sediar a Copa de 2014 renderá R$ 47 bilhões ao Brasil em impostos diretos. Com outros tributos, serão arrecadados mais R$ 16 bilhões. O aumento do consumo agregará R$ 5 bilhões à economia brasileira. Já os cerca de 600 mil turistas estrangeiros esperados para a competição deverão deixar no país quase R$ 4 bilhões, enquanto os 3 milhões de turistas brasileiros que aproveitarão a Copa para viajar deverão gastar R$ 5,5 bilhões. Esse dinheiro, somado ao que será investido em obras de infraestrutura públicas e privadas e pelo setor de serviços, representará para a economia brasileira incremento de mais de R$ 110 bilhões.
 
Os números foram apresentados hoje (5) pelo assessor especial do Ministério do Esporte, Ricardo Gomyde, no 2º Fórum Legislativo das Cidades-Sede da Copa do Mundo de Futebol de 2014. O fórum tem como objetivo mobilizar o Poder Legislativo nos níveis federal, estadual e municipal para debater desafios, metas e estratégias relacionadas à competição. 
 
 
Gomide disse ainda que, de acordo com as projeções do ministério, serão criados nos próximos três anos 332 mil empregos permanentes e, em 2014, 381 mil empregos temporários. Parte desses empregos será consequência dos R$ 23 bilhões que devem ser investidos em obras de infraestrutura relacionadas à Copa e dos R$ 10 bilhões previstos para o setor de serviços.

Brasília é a sexta cidade a receber o fórum, após Fortaleza, Recife, Curitiba, Belo Horizonte e Manaus. Até outubro, todas as 12 cidades-sede serão visitadas pelos integrantes do fórum.

Edição: Vinicius Doria
 


quinta-feira, 10 de junho de 2010

Brasil: o desafio de crescer a 7% ao ano, por Samuel Pinheiro Guimarães

 Agência Carta Maior

09/06/2010

Crescer a 7%

Se o objetivo central da sociedade brasileira for vencer o subdesenvolvimento, a economia terá de crescer a taxas mais elevadas do que as que têm ocorrido no passado recente, enquanto que as políticas de distribuição de renda terão de ser mais vigorosas para incorporar ao sistema econômico e social moderno as imensas massas que se encontram em situação de grave pobreza: cerca de 60 milhões de brasileiros. caso se deseje manter o Brasil como país pobre e subdesenvolvido, basta crescer a taxas modestas, obedecendo a todas as metas e a supostos potenciais máximos de crescimento, e, assim, lograr manter a economia estável porém miserável. O artigo é de Samuel Pinheiro Guimarães.

Samuel Pinheiro Guimarães

1. O subdesenvolvimento, situação em que a esmagadora maioria da população de um país não pode desfrutar dos bens e serviços que o avanço tecnológico e produtivo moderno permitem, é sempre uma questão relativa. Nenhum país é subdesenvolvido isoladamente; esta é sempre uma situação comparativa entre países e sociedades, desenvolvidas e subdesenvolvidas, em diferentes graus, em distintos momentos históricos.

2. Naturalmente, há indicadores objetivos de subdesenvolvimento: a exploração ao mesmo tempo insuficiente e predatória dos recursos naturais; a baixa escolaridade e qualificação média da mão de obra; a desintegrada rede de transportes; o pequeno consumo per capita de energia; a reduzida diversificação das exportações; o pequeno número de patentes registradas; o acesso restrito da população a saneamento básico; as precárias condições de saúde, educação e cultura; o alto percentual da população que se encontra abaixo da linha de pobreza etc.