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segunda-feira, 30 de março de 2020

Um Fundo para enfrentar o Coronavirus, por Luiz Carlos Bresser-Pereira


Fundo do coronavirus

Luiz Carlos Bresser-Pereira


Como evitar a crise?


No Valor de 26.3, o excelente jornalista Ribamar de Oliveira fez uma análise cuidadosa do provável efeito fiscal do coronavírus em seu artigo e perguntou: "Os EUA podem emitir moeda. E o Brasil?" Dada a paralisação das atividades econômicas, ninguém sabe com certeza qual será a queda da receita tributária e do PIB, porque esse resultado depende da profundidade e extensão no tempo das medidas de quarentena que estão sendo adotadas.

Hoje já há um razoável consenso que o crescimento do PIB será negativo em 2020. E que o Estado brasileiro terá que fazer gastos elevados para combater a doença e limitar a recessão.

Diante disto, o jornalista informa que "teve acesso a uma projeção preliminar que aponta para perda de R$ 70 bilhões para a arrecadação do governo federal neste ano, na comparação com o que estava programado no Orçamento."

Como evitar a crise?


Nos Estados Unidos o presidente do banco central americano afirmou que "o Fed fará tudo o que for necessário para evitar que a economia entre em colapso". E o Congresso já aprovou um pacote de US$ 2 trilhões. 

Crise e Desemprego nos Estados Unidos (BBC)
Para financiar esse gasto, o governo americano vai colocar títulos no mercado para captar recursos e, conforme salienta o jornalista, "vai quase certamente, emitir dólares, que é uma moeda aceita mundialmente." E pergunta: "O governo brasileiro também vai emitir títulos para arrecadar dinheiro? Vai apelar também para a emissão de moeda? Ou vender reservas?" 


Quando eu escrevi este artigo, em 26.3, minha resposta foi que não deve haver qualquer dúvida a esse respeito. O governo não deve vender reservas, porque, hoje, depois de fortes retiradas de dólares do Brasil e do aumento do preço do dólar, a situação financeira internacional do Brasil está longe de ser cômoda. Não devemos, também, emitir dívida pública nova, porque ela já é alta. Nem devemos aumentar os impostos. Só há, portanto, uma solução, emitir moeda.



Minha proposta é que enquanto a difusão da doença não for controlada, o Brasil deve se engajar em um programa de "quantitative easing" que poderíamos chamar de Fundo do Coronavírus. Em artigo na Ilustríssima (29.3), Pérsio Arida disse, sem elaborar, que "quadro institucional deve ser alterado para permitir ao Banco Central comprar títulos do Tesouro em mercado". Hoje, 30.6, saiu a notícia que o Banco Central está enviando para o Congresso uma emenda constitucional autorizando-o a adotar um programa de expansão quantitativa.




Para financiar os grandes gastos que se tornaram necessários, o Banco Central comprará títulos emitidos pelo Tesouro que não serão lançados na dívida pública brasileira. Para isto o Congresso deverá aprovar a emenda que o Banco Central está preparando. Esta emenda deverá autorizar o Conselho Monetário Nacional a administrar o processo. O fato de o Brasil não contar com uma moeda que é aceita internacionalmente não é aqui relevante. Isto só é relevante se o Brasil fosse emitir dívida externa, o que não é o caso.

Os recursos assim obtidos serão distribuídos entre a União, os estados e os municípios de acordo com as normas do Fundo de Participação dos Estados e Distrito Federal e o Fundo de Participação dos Municípios. E só poderão ser usados para enfrentar a crise do coronavírus. A emenda determinará com mais precisão quais podem ser esses gastos extra-orçamentários. 


Essa política terá efeito inflacionário? Não creio. Não é o aumento da quantidade de moeda que causa a aceleração da inflação, mas o excesso de demanda que o aumento da quantidade de moeda pode causar. Não é o caso do Brasil hoje. O quadro econômico é recessivo, a inércia inflacionária está razoavelmente neutralizada, e os agentes econômicos perceberão que a emissão não está sendo realizada porque o Estado perdeu o controle do seu gasto, mas para manter a economia minimamente funcionando. 


Fonte: Portal Bresser-Pereira, 30/03/2020 

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Urbanização atinge mais de 80% da população total, mas ainda com grandes desigualdades regionais

Agência Brasil

14/12/2010

Urbanização atinge mais de 80% da população, mas ocorre de forma desigual

Thais Leitão

Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - O processo de urbanização no Brasil alcança mais de 80% da população, mas seu crescimento se dá de forma desigual, abrangendo poucas cidades que concentram grande contingente de brasileiros e de riqueza. Por outro lado, multiplicam-se os pequenos centros urbanos que abrigam uma força de trabalho pouco qualificada e fortemente vinculada às atividades primárias.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Brasil: o desafio de crescer a 7% ao ano, por Samuel Pinheiro Guimarães

 Agência Carta Maior

09/06/2010

Crescer a 7%

Se o objetivo central da sociedade brasileira for vencer o subdesenvolvimento, a economia terá de crescer a taxas mais elevadas do que as que têm ocorrido no passado recente, enquanto que as políticas de distribuição de renda terão de ser mais vigorosas para incorporar ao sistema econômico e social moderno as imensas massas que se encontram em situação de grave pobreza: cerca de 60 milhões de brasileiros. caso se deseje manter o Brasil como país pobre e subdesenvolvido, basta crescer a taxas modestas, obedecendo a todas as metas e a supostos potenciais máximos de crescimento, e, assim, lograr manter a economia estável porém miserável. O artigo é de Samuel Pinheiro Guimarães.

Samuel Pinheiro Guimarães

1. O subdesenvolvimento, situação em que a esmagadora maioria da população de um país não pode desfrutar dos bens e serviços que o avanço tecnológico e produtivo moderno permitem, é sempre uma questão relativa. Nenhum país é subdesenvolvido isoladamente; esta é sempre uma situação comparativa entre países e sociedades, desenvolvidas e subdesenvolvidas, em diferentes graus, em distintos momentos históricos.

2. Naturalmente, há indicadores objetivos de subdesenvolvimento: a exploração ao mesmo tempo insuficiente e predatória dos recursos naturais; a baixa escolaridade e qualificação média da mão de obra; a desintegrada rede de transportes; o pequeno consumo per capita de energia; a reduzida diversificação das exportações; o pequeno número de patentes registradas; o acesso restrito da população a saneamento básico; as precárias condições de saúde, educação e cultura; o alto percentual da população que se encontra abaixo da linha de pobreza etc.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, admite que economia poderá crescer até 6% neste ano

Agência Brasil

10/03/2010

Paulo Bernardo admite que economia poderá crescer até 6% neste ano

Wellton Máximo

Repórter da Agência Brasil
http://agenciabrasil.ebc.com.br/home/-/journal_content/56/19523/171796

Brasília - Apesar de manter a previsão oficial de crescimento de 5,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010, o governo admite que a economia pode se expandir até 6% neste ano. Ao chegar para uma reunião no Ministério da Fazenda, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou que o país pode crescer mais que o estimado.

“Não tenho nenhuma dúvida de que vamos ter crescimento acima de 5% em 2010. Nossa previsão oficial é de 5,2%, por enquanto, mas podemos reestimar isso. Acho que não estão chutando muito fora aqueles que acham que o Brasil poderá crescer 6% neste ano”, disse o ministro.

Mais cedo, num encontro com prefeitos do Paraná, Paulo Bernardo havia afirmado que o crescimento poderá ser de 6%. Mesmo cogitando que o crescimento poderá ser maior que o inicialmente projetado, o ministro afirmou que o relatório de programação orçamentária, que sairá nas próximas semanas, manterá a previsão de 5,2%.

“Poderíamos fazer uma previsão mais otimista, mas está muito cedo. O ano começou. Os dados estão interessantes, estão bons. Não temos, entretanto, nenhuma base sólida para dizer que [o PIB de 2010] ficará acima de 5,2%”, disse. “O relatório vai primar pelo conservadorismo, [sairá] com a cara da Fazenda. Não vai ser desenvolvimentista.”

Segundo o ministro, as receitas federais fecharão o ano com crescimento nominal de 12% em relação a 2009. Ele admitiu, no entanto, que a expansão de 6% do PIB tornará mais complicada a definição da quantia que precisará ser cortada do orçamento de 2010 para cumprir a meta de superávit primário – economia de recursos para pagar os juros da dívida pública – de 3,3% do PIB.

“Vai precisar cortar mais, com certeza. O nosso orçamento para este ano está apertado”, ressaltou. O ministro não informou uma estimativa do valor que deve ser contingenciado (bloqueado) do orçamento deste ano.

Em relação ao crescimento do PIB de 2009, que será divulgado amanhã (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Paulo Bernardo afirmou que o crescimento deverá ficar próximo de zero. Um eventual resultado negativo, avaliou o ministro, tornaria ainda maior o crescimento da economia em 2010 por causa de efeitos estatísticos.

“Tem uns pessimistas dizendo que pode dar um pouco negativo, e uns otimistas dizendo que pode dar um pouco positivo. Quanto menor o resultado do ano passado, o crescimento deste ano será maior porque a base de comparação vai ser favorável ao ano de 2010”, destacou.

Agência Brasil

http://agenciabrasil.ebc.com.br/home/-/journal_content/56/19523/171796