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terça-feira, 23 de outubro de 2018

Brasil vai exportar gado vivo para o Irã - abertura deste mercado é negociada entre os dois países desde 2014

Agência Brasil, 22/10/2018

Brasil vai exportar gado vivo para o Irã

Abertura deste mercado é negociada entre países desde 2014



O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento informou hoje (22) que o Brasil vai exportar gado vivo ao Irã. Desde 2014, o Departamento de Saúde Animal do ministério negocia com os iranianos para a abertura deste mercado, que tem potencial de comprar inicialmente pelo menos 100 mil cabeças de bovinos do Brasil por ano.

A aprovação do Certificado Zoossanitário Internacional (CZI), que permite o embarque dos animais, foi comunicada nesta segunda-feira pela Organização Veterinária do Irã ao Departamento de Saúde Animal.




O ministério explica que a conquista desta certificação se deve ao reconhecimento de que o Brasil está livre de febre aftosa com vacinação e do chamado Mal da Vaca Louca, uma vez que a exportação de gado vivo é feita somente por países que possuem rígido controle sanitário dos seus rebanhos.

Segundo a pasta, a exportação de gado vivo também representa um canal de escoamento da produção que pode contribuir para melhorar a rentabilidade e a gestão do produtor rural, a sanidade dos animais, atender os protocolos nutricionais, gerar empregos e receita cambial.

De 2010 a 2017, a exportação de gado vivo gerou US$ 3,7 bilhões em divisas para o Brasil. No ano passado, a atividade faturou mais de US$ 276 milhões e, até julho deste ano, o volume de embarques alcançou US$ 301 milhões.

Edição: Fábio Massalli


Fonte:

Agência Brasil, 22/10/2018


sábado, 9 de abril de 2016

Oriente Médio comprou 46,3% mais das exportações agropecuárias brasileiras

ANBA, 08/04/2016

Oriente Médio comprou 46,3% mais do agronegócio

Região figurou como a terceira do mundo que mais importou produtos da pecuária e da agricultura brasileiras em março. 

Receita das exportações ficou em US$ 724,3 milhões, com destaque do Irã.




Da Redação
anba@anba.com.br

São Paulo – As exportações de produtos da pecuária e agricultura brasileira ao Oriente Médio cresceram 46,3% em março sobre igual mês do ano passado, segundo números divulgados nesta sexta-feira (8) pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). As receitas do segmento com as vendas para a região passaram de US$ 495,1 milhões em março de 2015 para US$ 724,3 milhões no último mês.


O crescimento ficou bem acima do avanço geral nas vendas internacionais do agronegócio, que foi de 5,9%. A agricultura e a pecuária brasileiras faturaram US$ 8,3 bilhões com o mercado externo em março. Os produtos do segmento responderam por 52,2% de toda a receita que o Brasil teve com exportações.


O Oriente Médio figurou como terceira região do mundo que mais comprou do País, atrás apenas de Ásia e União Europeia. Houve grande aumento das exportações para o Irã, que não é país árabe, mas fica na região. Os iranianos importaram 124,6% mais do Brasil em produtos do campo, para US$ 222,8 milhões. Entre os árabes que são grandes importadores, compraram mais a Arábia Saudita (5,9%), o Egito (16,8%) e os Emirados (69,4%).

No geral, as áreas dentro do agronegócio que mais exportaram em março foram complexo soja, cujas vendas atingiram US$ 3,4 bilhões e cresceram 23,8%, a de carnes, que teve avanço de 5,4% e faturamento de US$ 1,24 bilhão, e o complexo sucroalcooleiro, com exportações de US$ 737,2 milhões e aumento de 10,8% sobre o mesmo mês do ano passado.

No acumulado do ano até março, o agronegócio brasileiro exportou US$ 20 bilhões e teve crescimento de 8,7% sobre igual período de 2015. No trimestre, as áreas que mais venderam ao exterior foram complexo soja, carnes e produtos florestais. A pecuária e a agricultura participaram com 49,4% do total exportado pelo Brasil no período, segundo o Mapa.
Fonte:
ANBA - Agência de Notícias Brasil-Árabe

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Apesar das críticas dos "mercopessimistas", Venezuela garante 2º maior superávit comercial do Brasil

Federasur
Valor, 14/01/2013

Cresce saldo comercial com Venezuela 

Sergio Leo


A Venezuela de Hugo Chávez tornou-se, em 2012, o país responsável pelo terceiro maior saldo comercial do Brasil com seus parceiros no mundo, só atrás da Holanda e da China. A Holanda, como se sabe, é porto de entrada de mercadorias para a Europa. Se descontado, do superávit desse país, o resultado do comércio do Brasil com outros países da União Europeia, os venezuelanos ficaram atrás só da China na lista de saldos positivos do comércio brasileiro com o exterior. Os especialistas se dividem ao analisar os efeitos da crise política no país sobre as crescentes relações comerciais entre o Brasil e o vizinho caribenho.

A lista de principais produtos de exportação do Brasil à Venezuela deixa clara a importância das relações entre os governos na aproximação comercial: dos pouco mais de US$ 5 bilhões de vendas brasileiras ao mercado venezuelano, quase US$ 1,1 bilhão foi em bovinos vivos, para corte ou reprodução, carnes desossadas de bovino e carne de frango. Açúcar, bebidas e outros alimentos também estão entre os primeiros itens do comércio bilateral, e, assim como as carnes, são comprados majoritariamente pelo governo e distribuídos a preços subsidiados em armazéns estatais.

Os exportadores de carne, principal produto de exportação do Brasil ao vizinho, estão otimistas, mesmo com as incertezas provocadas pela doença de Chávez, que o impediu de tomar posse normalmente na semana passada e alimenta dúvidas sobre o futuro político do país. “Nossas vendas cresceram 19% no ano passado e a expectativa é de continuidade no crescimento”, disse ao Valor o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Antônio Camardelli. Com a recente autorização do governo para importações pelo setor privado, deve aumentar a demanda pelo produto, acredita.

O resultado nas vendas de carnes à Venezuela poderia ser ainda maior se o setor privado não tivesse conseguido do governo, no primeiro semestre, uma redução nas importações de carne de frango, sob alegação de que os produtores nacionais seriam suficientes para abastecer o mercado. O anúncio oficioso da interrupção das importações, em junho, levou os exportadores brasileiros e o Itamaraty a pedirem informações ao governo Chávez, que chegou a assegurar a manutenção das compras estatais. Mas, ao fim do ano, as vendas brasileiras haviam caído 42% em relação a 2011. As perspectivas para 2013 são melhores, porém.

Com o controle de preços de alimentos, em um período de alta de custos, e falhas logísticas na distribuição estatal, o país mergulhou em uma crise de desabastecimento, e o ministro de Alimentação da Venezuela, Carlos Osorio, em dezembro, anunciou que o governo local retomará a importação de carne de frango, que tem o Brasil como principal fornecedor.

O aumento das vendas à Venezuela se deu também em manufaturados. Só as exportações de máquinas de papel, para projetos de industrialização promovidos por Chávez, aumentou 840%, para acima de US$ 143 milhões, quase 3% do total das importações venezuelanas provenientes do Brasil. A grande diversificação da pauta exportadora ao país vizinho, ainda que fortemente dependente do governo, leva o presidente da Câmara de Comércio Venezuela-Brasil (Camven), José Francisco Marcondes, a prever uma tendência crescente para o comércio bilateral. “Nossa projeção, já a partir 2011 era de que o fluxo de comércio dobrará até 2014, e essa perspectiva continua”, afirmou ao Valor. A previsão implica em uma corrente de comércio acima de US$ 9 bilhoes até o ano que vem.

“Sem trocadilho, o relacionamento comercial entre os dois países já é maduro, e a entrada da Venezuela no Mercosul deve aumentar as oportunidades para as empresas”, comentou o executivo, brincando com o nome do vice-presidente venezuelano, Nicolás Maduro. A forte presença de empresas brasileiras com obras ou serviços de consultoria na Venezuela – como a Odebrecht, que constrói a linha 5 do metrô da capital, Caracas – é outro fator de demanda por mercadorias brasileiras, diz Marcondes.

Ele aponta, porém, um incômodo na relação bilateral: o baixo patamar de compras de produtos venezuelanos pelo Brasil, hoje, em torno de US$ 1 bilhão, com uma queda pouco acima de 20% registrada em 2012. São, majoritariamente, produtos básicos, como petróleo e derivados (entre eles ureia, um fertilizante) e minerais em bruto ou semimanufaturados. A Câmara de Comércio identifica oportunidades para os venezuelanos, de abastecer os mercados de Norte e Nordeste, para onde há maior facilidade de transporte. A venda de energia elétrica, por meio de linhas de transmissão que ligam os dois países, é o terceiro maior item na pauta de exportações venezuelanas ao Brasil.

A concentração das compras venezuelanas de produtos brasileiros nas mãos do governo, de estatais ou de empresas ligadas ao governo é um risco para o Brasil, especialmente em caso de transição política, na opinião do diretor-executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. Ele crê que poderia haver uma substituição do Brasil por concorrentes poderosos como a China, no caso de um esforço maior para o controle da inflação ou alteração na estrutura de poder do chavismo, hoje favorito para o governo da Venezuela mesmo em caso de morte de Chávez. O fato de a Venezuela ter ingressado no Mercosul, estreitando os laços econômicos com o Brasil, e a melhor qualidade e preço dos produtos brasileiros impede, porém, qualquer mudança brusca nos fluxos de comércio, disse Castro. “Em curto prazo, num primeiro momento, não vejo mudanças.”
Publicado por Valor Econômico, em 14/01/13