Mostrando postagens com marcador NAFTA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador NAFTA. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Aliança do Pacífico, incluindo México, Chile, Colômbia e Peru, tenta rivaliza com o Mercosul

Carta Capital,  12/07/2012 
Desenvolvimento regional 

Criada à direita, Aliança do Pacífico rivaliza com o ‘esquerdista’ Mercosul

Há cerca de um mês, a criação de um bloco de integração na América Latina passou quase despercebida no Brasil, mas aparentemente não entre os líderes do Mercosul. A entrada da Venezuela no mercado sul-americano é apontada como uma reação à Aliança do Pacífico. Formado por Chile, Peru, Colômbia e México, o acordo prevê a integração das economias dos países do oceano Pacífico para que seus integrantes enfrentem a concorrência asiática e se transformem no motor do crescimento latinoamericano. Uma proposta que imporá desafios ao projeto de expansão do Mercosul, como a solução de problemas internos de seus membros, mas sem inicialmente ameaça-lo.

A Aliança do Pacífico aposta na diversificação de suas relações comerciais para conter o avanço chinês na região, ao mesmo tempo que aproveita os benefícios da demanda asiática por commodities. Todo esse fluxo de comércio comporia uma área de livre circulação de bens, serviços, capitais e pessoas, em um projeto semelhante ao Mercosul. A principal diferença apontada pelos líderes dos países do novo bloco, no entanto, seria a busca por uma integração rápida. Algo que tornaria o mecanismo mais atraente, embora ele já seja visto como a iniciativa “mais importante” e ambiciosa da região pelo economista Roberto Teixeira da Costa, presidente da Câmara de Arbitragem da Bolsa de Valores de São Paulo. Para ele, o plano acerta ao explorar a ligação com Pacífico, que coloca o bloco na rota preferida das Américas com a Ásia, logo, em vantagem ao Mercosul na concorrência pelo mercado asiático.

O novo bloco, que reúne 40% do PIB da América Latina, 55% de todas suas exportações e um mercado de 206 milhões de consumidores, possui planos ambiciosos na relação entre seus membros. O projeto foca na consolidação de novos investimentos, principalmente em uma maior integração energética e de infraestrutura, e mais comércio intrarregional (com colaboração alfandegária). A Colômbia seria o referencial para as exportações da produção geral, por possuir tratados de livre comércio com EUA, Canadá e China, por exemplo. Um fator que pode levar esses itens aos mercados citados em melhores condições de preço que os do Mercosul.

A Aliança também ataca à burocracia, apresentando o Mercado Comum Sul-americano como um exemplo a ser ignorado. O grupo pretende avançar de forma mais rápida sem impedimentos ideológicos em temas comerciais e de integração, abominando itens como barreiras protecionistas. O discurso é totalmente liberalizante, seja nas tarifas, comércio eletrônico, cooperação aduaneira ou investimentos. E mostra também uma divisão ideológica entre os governos dos países da América do Sul. Enquanto o Mercosul vive um momento de líderes de esquerda – com a exceção do Paraguai após a deposição de Fernando Lugo -, a Aliança do Pacífico reúne os países mais neoliberais da América Latina. A exceção fica com o presidente do Peru, Ollanta Humala, da esquerda. Mas o mandatário está preso ao bloco, proposto pelo ex-presidente Alan García, que conduziu reformas liberais no país andino.

O projeto pretende ter grande envergadura regional e abocanhar novos membros. Um discurso que começa a rivalizar com os planos de integração do Mercosul. O novo ministro da Fazenda do Paraguai declarou na última semana que a suspensão do país do mercado comum sul-americano empurra o governo paraguaio a buscar alianças com outros países e blocos, que incluem os EUA e países da Aliança do Pacífico. Mas para Giorgio Romano Schutte, coordenador do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC), essa ameaça poderia ser contornada com os países de ambos os blocos realizando acordos econômicos mais flexíveis por meio da Unasul (União de Nações Sul-Americanas), embora sempre em alerta ao eventual avanço da Aliança. “Se a AP entrar na América do Sul, seria um cenário que a diplomacia brasileira deve atuar.”

Apesar dessa pressão, o Mercosul não deve sentir-se ameaçado. Alguns elementos da formação da Aliança indicam possíveis dificuldades de integração dos países do novo bloco. Entre eles, a heterogeneidade dos interesses comerciais de seus integrantes. Tullo Vigevani, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e especialista em Mercosul, destaca que o fato de México, Colômbia, Chile e Peru estarem ligados por tratados de área de livre comércio com os EUA coloca a possibilidade de uma integração regional e produtiva, como se pretende no Mercosul, difícil de se deslumbrar. Até porque os países da aliança também possuem acordos com o Mercosul.

Para o analista, o Mercosul tem mais chances de seguir consolidar uma integração regional. Isso dependeria, no entanto, de uma solução por parte dos governos dos países do bloco para suas dificuldades regionais e de desenvolvimento interno, que tendem a sinalizar com medidas protecionistas. “Isso não é bom para uma integração, a não ser que se pensasse em um regional desenvolvimentismo.”

Leia mais:



www.blogger.com/blogger.g?blogID=3764756740513055007#editor/target=post;postID=4809581604545418031 


















 


















O Mercosul, a Aliança do Pacífico e o NAFTA. Nota-se que o México participa simultâneamente do NAFTA e da Aliança do Pacífico, o que facilita a entrada de produtos americanos nos países sul-americanos, mas não necessariamente garante que os produtos destes países terão acesso ao mercado americano através do México. Como a lógica da Aliança do Pacífico é essenciamente neoliberal, o bloco já conta com acordos de livre comércio com vários países, inclusive EUA e China, o que deve facilitar que o bloco seja inundado de produtos americanos e chineses sem proteção alguma às indústrias destes países.
 

terça-feira, 26 de abril de 2011

Acordo entre governos neoliberais tenta formar bloco contra o Brasil e o Mercosul

Correio do Brasil

25/4/2011


AIP já nasce posicionada contra o Brasil

por José Dirceu 


“Trata-se de uma reação instintiva dos vizinhos. Formam um contraponto ao Brasil, que é a grande potência regional; é um movimento de defesa natural”, disse à Folha de S.Paulo, Amado Cervo, professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília ao analisar o surgimento da Área de Integração Profunda (AIP), novo bloco latino-americano que surge no próximo dia 2.

“De certa maneira, o bloco vai contrabalançar o Brasil”, disse claramente, numa entrevista ao The New York Times em março pp., o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos. Diante da resistência do Congresso americano em aprovar o acordo de livre comércio entre os dois países, Juan Manuel tem distanciado seu país dos EUA e o reaproximado da Venezuela.

A AIP (veja post acima) reunirá os chamados países “liberais” da região – Chile, Peru, Colômbia e México – em oposição ao Brasil, MERCOSUL e à ALBA, esta com perfil mais à esquerda, e da qual participa a Venezuela do presidente Hugo Chávez.

Formada, a AIP representará 200 milhões de pessoas, 16 mil km de costa no Pacífico e mais de US$ 2,5 trilhão de PIB. Será três vezes maior que a ALBA. Os países que a formarão já mantêm acordos de livre comércio entre si, com a exceção de Peru e México e todos têm, também, tratados comerciais com os EUA, exceto a Colômbia.

Será, também, um bloco que se aproximará das dimensões do Brasil (sozinho), que tem aproximadamente 200 milhões de habitantes e US$ 2,2 trilhões de PIB.



Área de Integração Profunda (AIP), que inclui o México, membro do NAFTA, nasce como um projeto dos governos neoliberais do México, Colômbia, Peru e Chile, em uma tentativa de se contrapor ao Mercosul e à liderança brasileira na Integração Sul-Americana. Na prática é o mais próximo de um acordo do tipo ALCA já alcançado, pois representa o livre acesso so produtos americanos (via México) à diversos países da América Latina. Também pode singificar a facilitação para a entrada de produtos asiáticos na América do Sul, o que pode dificultar o projeto de integração sul-americana.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

A crise do modelo mexicano de "integração" submissa ao Norte e as vantagens da estratégia Sul-Sul do Brasil

Carta Capital
 
5 de abril de 2011

Ai, ai, ai, caramba!
 
Gerson Freitas Jr.
  
Nos anos 1990, auge da hegemonia neoliberal, o México era o modelo a ser seguido pelo Brasil. Descrito por muitos como um exemplo de economia moderna, aberta ao exterior e integrada aos Estados Unidos, o maior e mais dinânico mercado do mundo, os mexicanos pareciam ter mais a ensinar do que a aprender com os brasileiros no mundo globalizado. Em apenas uma década, suas exportações multiplicaram-se por quatro, especialmente após a adesão ao Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta). O presidente da abertura, Carlos Salinas de Gortari, envolvido em sucessivos escândalos de corrupção, era tratado como celebridade, símbolo das boas práticas recomendadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Todos os presidentes latino-americanos daquele período seriam, de alguma forma, clones de Gortari.

A década seguinte marcou uma mudança radical. Com o declínio da economia dos EUA, o estouro da crise financeira, em 2008, e a ascensão da China como principal exportador de bens manufaturados, os mexicanos perderam o norte – literalmente. Se o Brasil se notabilizou pela retomada do crescimento e do otimismo, às vezes exagerado, os mexicanos enfrentam uma situação de profundo desânimo em meio ao desemprego, à escalada da violência ante o domínio crescente de territórios por parte do narcotráfico e o fracasso retumbante das ações coordenadas pelo presidente Felipe Calderón. Além do tráfico, o México só é lembrado quando a Forbes divulga anualmente a lista dos bilionários encabeçada por Carlos Slim, o homem mais rico do mundo.

O fato é que as trajetórias de Brasil e México, as duas maiores economias latino-americanas, se descolaram. É o que mostra um estudo divulgado na segunda-feira- 28 pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) sobre as oportunidades e desafios que se colocam para os países latino-americanos em uma nova configuração econômica mundial.

Coordenado pelos economistas Alejandro Izquierdo e Ernesto Talvi, o trabalho apresenta logo no título a pergunta que pretende responder em suas 57 páginas: “Uma região, duas velocidades?” De acordo com a pesquisa, o mundo pós-crise dividiu os países latino–americanos em dois grupos, de acordo com suas características estruturais e sua inserção no mercado global. Seus ícones são justamente Brasil e México.