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sábado, 15 de janeiro de 2011

Itália insulta o Brasil no caso Battisti, diz filósofo italiano Toni Negri

UOL Notícias

15/02/2009

Itália insulta o Brasil no caso Battisti, diz filósofo italiano Toni Negri 

Thiago Scarelli 

Do UOL Notícias Em São Paulo (SP)

A Itália adota uma postura "insultante" com o Brasil no conflito em torno do ex-ativista Cesare Battisti, porque não se trata de um país desenvolvido, e mente quando diz que vivia um Estado de Direito nos anos 70. A análise é do filósofo italiano Antonio Negri, que passou mais de dez anos preso por seu envolvimento com a militância de esquerda na Itália.

Negri é co-autor, com Michael Hardt, do livro "Império", publicado no Brasil em 2001 e umas das obras mais importantes e polêmicas sobre o processo de globalização. Com Giuseppe Cocco, publicou "Global - Biopoder e Luta em uma América Latina Globalizada", em 2005.

Macarena Lobos/Folha Imagem

Quem é Toni Negri

Antonio Negri, 75, é um filósofo italiano,
professor da Universidade de Pádua (Itália)
e do Colégio Internacional de Paris (França).
Entre os anos 50 e 70, participou dos
movimentos de esquerda na Itália, condenando
tanto a direita quanto o stalinismo.
Esteve preso entre 1979 e 1983, depois se
exilou na França por 14 anos. Condenado
por subversão, o filósofo voltou para a
Itália em 1997 e cumpriu pena até 2003.
Atualmente, divide seu tempo entre
Veneza e Paris, cidades onde desenvolve
atividades acadêmicas
Leia abaixo a entrevista completa, concedida por Negri via telefone desde Veneza.

UOL - Como o senhor vê a posição da Itália no caso Battisti?

Antonio Negri - A posição italiana é uma posição muito complexa. Como se sabe, o governo italiano é um governo de direita e é um governo que, depois de 30 anos, retomou a perseguição das pessoas que se refugiaram no exterior depois do final dos anos 70, depois do final dos anos nos quais na Itália houve um forte movimento de transformação, de rebelião. E, portanto, o governo italiano retoma hoje uma campanha pela recuperação destas pessoas. Em particular, tentou fazê-lo com a França, para conseguir a extradição de Marina Petrella [condenada por subversão pela justiça italiana] e não conseguiu porque o governo francês, a presidência francesa [Nicolas Sarkozy], impediu. Neste ponto, aparece em um momento exemplar o caso Battisti.

UOL - O que o senhor quer dizer com perseguição? É perigoso neste momento para Battisti retornar à Itália?

Negri - Eu não sei se é perigoso. Mas é certo que ele foi condenado à prisão perpétua e seria para ele uma situação muito grave.

UOL - Um dos motivos que o Brasil cita para manter o refúgio político é a ameaça de perseguição política contra Battisti...

Negri - Mas seguramente ele seria alvo de uma perseguição política e midiática.