MSIA
03 July, 2009
FAO: África pode alimentar o mundo
Geraldo Luís Lino
03 July, 2009
FAO: África pode alimentar o mundo
Geraldo Luís Lino
O velho fantasma malthusiano da escassez de alimentos
para uma população mundial que caminha para os 10 bilhões de pessoas, o
qual tem sido constantemente retirado da tumba na qual deveria descansar
para sempre, pode ser afugentado apenas com a incorporação em grande
escala da África à produção agropecuária mundial. A confirmação de tal
perspectiva, já conhecida por especialistas mas pouco ressaltada, vem de
dois estudos recém-divulgados pela Organização das Nações Unidas para
os Alimentos e a Agricultura (FAO).
Os
dois estudos, efetuados pela FAO em conjunto com a Organização para
Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e o Banco Mundial,
representam mais uma cabal refutação dos cenários pessimistas de
"limitação de recursos" que vêm sendo brandidos por instituições
neomalthusianas como o Clube de Roma desde a década de 1970,
posteriormente reforçados pelo catastrofismo ambientalista, cuja ponta
de lança atual é o suposto aquecimento global provocado pelo uso de
combustíveis fósseis. O primeiro, o relatório OECD-FAO Agricultural Outlook 2009-2018 (Panorama agrícola 2009-2018), está disponível no sítio da OCDE; o segundo, intitulado Awakening Africa's Sleeping Giant - Prospects for Commercial Agriculture in the Guinea Savannah Zone and Beyond
(Despertando o gigante adormecido da África - Perspectivas para a
agricultura comercial na zona da Savana da Guiné e além), foi anunciado
em um boletim de imprensa da FAO, em 22 de junho.
O
planeta tem atualmente 1,4 bilhão de hectares de terras dedicadas à
produção agropecuária e pode acrescentar outro 1,6 bilhão de hectares, a
maior parte na África e América Latina. Na África, a vasta região de
savanas que se estende do Senegal à África do Sul, a chamada Savana da
Guiné, abarcando 25 países, tem um potencial agricultável de 400 milhões
de hectares, dos quais apenas 10% encontram-se atualmente aproveitados.
O potencial de aproveitamento da área pode ser vislumbrado pela
semelhança dos solos da região com os do Cerrado brasileiro e do
Nordeste da Tailândia. Em ambos os países, sucessivos governos criaram
as condições para o crescimento da produção naquelas áreas, como
ressalta o estudo "Despertando o gigante".