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sábado, 22 de agosto de 2020

"A Explosão em Beirut e a Geopolítica do Líbano e da Síria" Debate ao vivo com Issam Rabih Menem, Ana Karolina Morais Silva e Lucas Kerr Oliveira

Debate Online ao vivo: ▶️
💥 "A explosão em Beirute e a Geopolítica do Líbano e da Síria"💥

Sábado, 22/08/2020, à partir das 16h00 (Brasília / Buenos Aires / GMT-03), no canal do NEEGI no Youtube ▶️


Participação do coordenador do NEEGI, prof. Dr. Lucas Kerr Oliveira, e os também pesquisadores do núcleo, Ana Karolina Morais (PPGICAL/UNILA) e Issam Menem (PPGEEI/UFRGS).








Debate

"A Explosão em Beirut e a Geopolítica do Líbano e da Síria", no contexto dos conflitos do Oriente Médio, com Issam Rabih Menem, Ana Karolina Morais Silva e Lucas Kerr Oliveira
📝

Currículo Lattes dos convidados:
Lucas Kerr de Oliveira: http://lattes.cnpq.br/4584511557852332
Ana Karolina Morais: http://lattes.cnpq.br/2706723942205081
Issam Menem: http://lattes.cnpq.br/3659401873409548

Vídeo transmitido ao vivo em 22/08/2020 como parte das atividades de videoconferências, palestras, debates e minicursos online, desenvolvidas pelo Núcleo de Estudos Estratégicos, Geopolítica e Integração (NEEGI), com organização e apoio dos projetos de extensão universitária do "Observatório dos BRICS e das Relações Sul-Sul", do "Observatório Geopolítico Latino-Americano da Epidemia do Coronavírus", do "Observatório Latino-Americano da Geopolítica Energética" do "Observatório da Integração Regional Sul-Americana", vinculados ao NEEGI, contando com o apoio dos extensionistas Bruno Trujillo, Luiza Maria e Willian Brito Lisboa.



A Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) apoia os projetos de extensão universitária destacando que as opiniões expressas pelos debatedores e demais participantes não reflete ou representa necessariamente as opiniões e posições institucionais da universidade. As opiniões dos debatedores não representam necessariamente as opiniões das Instituições das quais eles participam ou colaboram.



quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

11 razões para o Brasil dizer não à guerra de Trump contra o Irã


Carta Capital, 8 de janeiro de 2020

Opinião
11 razões para o Brasil dizer não à guerra de Trump contra o Irã 

 O Brasil possui relações amistosas com o Irã de longa data. Atualmente, o fluxo de comércio entre os dois países é de US$ 2,1 bilhões





1. O mundo precisa de paz para que a economia global se recupere. O único setor econômico que tem interesse num conflito de grandes proporções é a indústria bélica. 

2. Um dos principais motivos – senão o principal motivo – para a escalada beligerante de Donald Trump é fortalecer a sua campanha para evitar o impeachment e, na sequência, conseguir a reeleição. Ou seja, assim como vários de seus antecessores, o magnata das fake news quer se reeleger à custa de milhares de vidas, inclusive de seus compatriotas.

3. Um eventual conflito entre Estados Unidos e Irã tem grande possibilidade de envolver todos os países da Ásia – inclusive China e Rússia – e se transformar numa guerra de escala mundial. Ao contrário da 1ª e da 2ª Guerras, entretanto, as potências militares hoje possuem capacidade para exterminar a vida humana no planeta.

4. Há muitas alternativas à guerra que passam pelo diálogo e por outras medidas, como sanções econômicas. Aliás, as sanções econômicas impostas pela comunidade internacional – por pressão dos Estados Unidos – ao Irã só encontram precedentes na história quando comparadas ao embargo econômico contra Cuba. A guerra é um recurso extremo cujas consequências são impossíveis de estimar.

5. Além das sanções comerciais, o Irã sofre há mais de duas décadas com a ação sistemática de agências de espionagem que perseguem e “eliminam” cientistas iranianos de várias áreas, não apenas daqueles suspostamente relacionados ao programa nuclear do país.  

6. Do ponto de vista do Brasil, a guerra pretendida por Donald Trump, definitivamente, não favorece qualquer interesse do país. Muito ao contrário.  

7. A postura do governo Bolsonaro de apoiar a operação militar que resultou no assassinato do general Qasem Soleimani foi precipitada e irresponsável, fruto da submissão incondicional aos Estados Unidos que nos envergonha perante o mundo. Nenhum país emitiu uma nota de apoio ao governo Trump tão vassala quanto a do Brasil.  

8. Em 2010, através do governo Lula e do governo da Turquia, foi feito um acordo com o Irã para que este país se comprometesse com o uso do urânio para finalidades pacíficas. Outro acordo foi firmado em 2015, desta vez com os Estados Unidos, então presidido por Barack Obama. Em 2018, Trump abandonou o acordo unilateralmente e impôs sanções ao Irã. 

9. O sentimento do povo brasileiro é amplamente favorável à promoção da paz e isso é expresso nas tradições da nossa diplomacia, que é historicamente reconhecida no mundo inteiro por privilegiar a construção de consensos multilaterais e não por instigar o conflito, como o atual governo vem fazendo agora, ao jogar gasolina na fogueira acesa por Donald Trump. Ao adotar como sua a posição beligerante dos Estados Unidos, Jair Bolsonaro está traindo o povo brasileiro.  

10. O Brasil possui relações amistosas com o Irã de longa data. Atualmente, o fluxo de comércio entre os dois países é de US$ 2,1 bilhões, com a balança favorável ao Brasil em US$ 2 bilhões. Em 2018 o Irã foi o maior mercado para o milho brasileiro e o quinto maior destino da carne bovina e da soja exportadas pelo Brasil.  




11. A cooperação entre Brasil e Irã se dá em várias áreas e setores da economia: ciência e tecnologia, agricultura, engenharia, energia (hidroeletricidade e energias renováveis), capacitação industrial, entre outras.  

Por estas e outras razões, digo com todas as letras: não à guerra de Trump e não à submissão irresponsável de Bolsonaro.  



Este texto não reflete necessariamente a opinião de CartaCapital.


Referência:

PIMENTA, Paulo (2020). 11 razões para o Brasil dizer não à guerra de Trump contra o Irã Carta Capital, 8 de janeiro de 2020. <https://www.cartacapital.com.br/opiniao/11-razoes-para-o-brasil-dizer-nao-a-guerra-de-trump-contra-o-ira/>

Este texto não reflete necessariamente a opinião deste Site.

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Brasil vai exportar gado vivo para o Irã - abertura deste mercado é negociada entre os dois países desde 2014

Agência Brasil, 22/10/2018

Brasil vai exportar gado vivo para o Irã

Abertura deste mercado é negociada entre países desde 2014



O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento informou hoje (22) que o Brasil vai exportar gado vivo ao Irã. Desde 2014, o Departamento de Saúde Animal do ministério negocia com os iranianos para a abertura deste mercado, que tem potencial de comprar inicialmente pelo menos 100 mil cabeças de bovinos do Brasil por ano.

A aprovação do Certificado Zoossanitário Internacional (CZI), que permite o embarque dos animais, foi comunicada nesta segunda-feira pela Organização Veterinária do Irã ao Departamento de Saúde Animal.




O ministério explica que a conquista desta certificação se deve ao reconhecimento de que o Brasil está livre de febre aftosa com vacinação e do chamado Mal da Vaca Louca, uma vez que a exportação de gado vivo é feita somente por países que possuem rígido controle sanitário dos seus rebanhos.

Segundo a pasta, a exportação de gado vivo também representa um canal de escoamento da produção que pode contribuir para melhorar a rentabilidade e a gestão do produtor rural, a sanidade dos animais, atender os protocolos nutricionais, gerar empregos e receita cambial.

De 2010 a 2017, a exportação de gado vivo gerou US$ 3,7 bilhões em divisas para o Brasil. No ano passado, a atividade faturou mais de US$ 276 milhões e, até julho deste ano, o volume de embarques alcançou US$ 301 milhões.

Edição: Fábio Massalli


Fonte:

Agência Brasil, 22/10/2018


sábado, 9 de abril de 2016

Oriente Médio comprou 46,3% mais das exportações agropecuárias brasileiras

ANBA, 08/04/2016

Oriente Médio comprou 46,3% mais do agronegócio

Região figurou como a terceira do mundo que mais importou produtos da pecuária e da agricultura brasileiras em março. 

Receita das exportações ficou em US$ 724,3 milhões, com destaque do Irã.




Da Redação
anba@anba.com.br

São Paulo – As exportações de produtos da pecuária e agricultura brasileira ao Oriente Médio cresceram 46,3% em março sobre igual mês do ano passado, segundo números divulgados nesta sexta-feira (8) pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). As receitas do segmento com as vendas para a região passaram de US$ 495,1 milhões em março de 2015 para US$ 724,3 milhões no último mês.


O crescimento ficou bem acima do avanço geral nas vendas internacionais do agronegócio, que foi de 5,9%. A agricultura e a pecuária brasileiras faturaram US$ 8,3 bilhões com o mercado externo em março. Os produtos do segmento responderam por 52,2% de toda a receita que o Brasil teve com exportações.


O Oriente Médio figurou como terceira região do mundo que mais comprou do País, atrás apenas de Ásia e União Europeia. Houve grande aumento das exportações para o Irã, que não é país árabe, mas fica na região. Os iranianos importaram 124,6% mais do Brasil em produtos do campo, para US$ 222,8 milhões. Entre os árabes que são grandes importadores, compraram mais a Arábia Saudita (5,9%), o Egito (16,8%) e os Emirados (69,4%).

No geral, as áreas dentro do agronegócio que mais exportaram em março foram complexo soja, cujas vendas atingiram US$ 3,4 bilhões e cresceram 23,8%, a de carnes, que teve avanço de 5,4% e faturamento de US$ 1,24 bilhão, e o complexo sucroalcooleiro, com exportações de US$ 737,2 milhões e aumento de 10,8% sobre o mesmo mês do ano passado.

No acumulado do ano até março, o agronegócio brasileiro exportou US$ 20 bilhões e teve crescimento de 8,7% sobre igual período de 2015. No trimestre, as áreas que mais venderam ao exterior foram complexo soja, carnes e produtos florestais. A pecuária e a agricultura participaram com 49,4% do total exportado pelo Brasil no período, segundo o Mapa.
Fonte:
ANBA - Agência de Notícias Brasil-Árabe

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

A guerra proxy na Síria e as disputas estratégicas russo-estadunidenses no Oriente Médio

Mundorama, 20/09/2013

A guerra proxy na Síria e as disputas estratégicas russo-estadunidenses no Oriente Médio

 Lucas Kerr Oliveira, Pedro V. P. Brites & João Arthur Silva Reis

O acordo entre Rússia e Estados Unidos para a destruição das armas químicas sírias, anunciado dia 14 de setembro, pode, ao menos por ora, impedir uma nova intervenção estadunidense no Oriente Médio. O arranjo estabelece que o regime de Bashar Al-Assad entregue seu arsenal químico para o controle internacional e que este seja destruído até a metade de 2014 (RiaNovosti, 2013). O acordo proposto pela Rússia em 09 de setembro arrefeceu a escalada da mobilização militar dos EUA. O sucesso da iniciativa diplomática russa, que em grande medida deve-se ao envio de uma esquadra com considerável poder de fogo no Mediterrâneo, pode ser considerado uma inflexão na situação regional. Ao impedir o ataque à Síria, foi freada uma tendência que se mantinha desde a queda de Kaddafi em 2011: o avanço quase sem resistência dos interesses dos EUA e de seus aliados no Oriente Médio.

A guerra na Síria teve início a partir de uma escalada de violência, que começou com os protestos de 2011, pouco depois do início da “Primavera Árabe”. A violência das manifestações aumentou progressivamente, com crescente número de mortos, à medida que rebeldes armados aproveitaram-se da situação para atacar o governo instituído. Importa destacar que a “oposição” é formada por diferentes facções de rebeldes, inclusive com rivalidades entre si. Enquanto algumas facções são essencialmente étnicas, como os curdos sírios, outras são formadas por grupos religiosos conservadores e fundamentalistas, além de grupos como o Exército Sírio Livre, que inclui desertores das forças armadas nacionais e recebem apoio turco. Bandos armados mais radicais, como a Al-Nusra, ligada à Al-Qaeda, recebem apoio saudita e inclui grandes contingentes de mercenários líbios e chechenos. Este é o principal indício de que realmente está em andamento uma guerra proxy de diversos atores, entre eles Arábia Saudita e Turquia, contra a Síria.

Os Estados Unidos adotaram, desde o princípio, uma postura de condenação ao regime sírio e apoio aos rebeldes. Entretanto, apesar do suporte dado pela OTAN e pela CIA aos rebeldes – via Turquia e Jordânia –, os EUA não conseguiram obter a renúncia ou a capitulação do regime de Assad (Lubold, 2013). Entretanto, em 2012, Obama afirmou que os EUA só interviriam na Síria se o regime de Assad ultrapassasse o que ele chamou de “linha vermelha”, ou seja, utilizasse armas químicas ou biológicas.

Após o incidente de 21 de agosto, em que ocorreu o uso de armas químicas, o governo americano declarou que iria intervir militarmente na Síria, à revelia do Conselho de Segurança da ONU, mesmo que a comissão das Nações Unidas não tenha conseguido identificar o autor dos ataques (ONU, 2013), O Presidente americano, porém, transferiu para o Congresso a responsabilidade final de aprovar ou não a intervenção, que, a princípio, seria uma ação limitada, restrita a alvos específicos. Apesar do apoio incondicional da França, o veto do parlamento britânico à intervenção representou um revés significativo para a estratégia dos EUA. Além disso, na cúpula do G-20 em São Petersburgo ficou evidente o relativo isolamento americano, já que boa parte dos países presentes se opôs à ação militar.

Nesse contexto, a posição russa foi a mais assertiva. O anuncio do envio de navios do Mar Negro, do Norte e do Pacífico para o Mediterrâneo leste, foi um claro sinal de que a Rússia não toleraria um ataque à Síria, tradicional aliado do país. Em 11 de setembro, havia 8 navios russos na região, enquanto os EUA, por sua vez, contavam com 6 vasos de superfície, além de uma série de bases aéreas e navais no entorno. Apesar da evidente assimetria logística em favor dos Estados Unidos, não há grande discrepância na capacidade destrutiva mútua das duas esquadras. Trata-se de uma correlação surpreendente, dada a superioridade técnica da marinha estadunidense. Esse relativo equilíbrio de forças demonstra que o projeto da US Navy, ainda da década de 1990, de privilegiar a capacidade de ataque à terra, deixou-a relativamente vulnerável diante de outra marinha de guerra (Martins, 2013). Portanto, a presença da marinha russa no Mediterrâneo não teve caráter meramente simbólico, mas sim de dissuasão efetiva, ao demonstrar a possibilidade de escalada do conflito em caso de intervenção americana.

A presença das marinhas americana e russa na região reflete a importância geoestratégica do Oriente Médio para os dois países. Os múltiplos interesses estadunidenses na região incluem, principalmente, o controle geopolítico do petróleo e a defesa de seus aliados regionais. Nas duas últimas décadas ganhou força o projeto neoconservador de remodelar o mapa do Grande Oriente Médio em bases étnico-religiosas (Peters, 2006). A iniciativa de fragmentar a maior parte dos Estados Nacionais da região através de uma guerra permanente, tudo indica, começou com a balcanização do Iraque, Líbia e Síria, sendo o Irã um dos possíveis próximos alvos. Tal projeto aproxima os interesses dos neocons estadunidenses aos dos wahhabitas sauditas, que declaram a pretensão de liderar um grande califado regional petroexportador de maioria sunita, capaz de competir com o petróleo russo. Para isso, seria preciso viabilizar uma nova rede de oleodutos alternativa ao escoamento através do Estreito de Ormuz, sob a liderança saudita.

Para a Rússia é fundamental sustentar o equilíbrio de poder no Oriente Médio, mantendo os únicos aliados que lhe restaram na região, o Irã e a Síria, onde se localiza o Porto de Tartus, a única base naval russa de águas quentes fora de seu território. A possível balcanização destes aliados não ameaça apenas os interesses russos na região, mas influencia diretamente na estabilidade do Cáucaso. Principalmente porque há muitos chechenos entre as forças rebeldes sírias, o que fortalece o movimento separatista na Chechênia e Daguestão, um claro problema de segurança nacional para a Rússia. Portanto, da perspectiva russa, combater os rebeldes sírios seria uma forma de enfraquecer os radicais chechenos baseados no exterior (Hill, 2013). Assim, compreende-se que a oposição russa à intervenção dos EUA tem motivações mais profundas do que a simples defesa de um regime aliado.

Cabe destacar que a resolução da guerra na Síria ainda parece bastante distante. Mesmo se o acordo para a retirada das armas químicas se efetivar, isso não garante a estabilização do país e nem previne uma nova futura escalada das tensões entre as potências extrarregionais. Além disso, a evolução da crise na Síria será vital para o jogo político doméstico nos Estados Unidos. Após endurecer a retórica, a despeito da oposição da opinião pública à intervenção, o governo Obama teve de recuar diante da proposta do governo Putin, o que pode emparedar ainda mais o governo democrata. Nesse sentido, as disputas internas sobre o projeto americano para o Oriente Médio, bem como a reação de Rússia e China, parecem ensejar uma instabilidade ainda maior na região nos próximos anos.

Referências Bibliográficas
BINNIE, Jeremy (2013). “Syrian militant group swears allegiance to Al-Qaeda”. IHS Jane’s Defence Weekly, 10 de abril de 2013. <http://www.janes.com/article/11900/syrian-militant-group-swears-allegiance-to-al-qaeda>Acesso em 16 de setembro de 2013.

HILL, Fiona (2013). “The Real Reason Putin Supports Assad”. Foreign Affairs, 25 de março de 2013. <http://www.foreignaffairs.com/articles/139079/fiona-hill/the-real-reason-putin-supports-assad> Acesso em 16 de setembro de 2013.

LUBOLD, Gordon (2013). “Is Anyone In Charge Of U.S. Syria Policy?” Foreign Policy, 20 de junho de 2013. <http://www.foreignpolicy.com/articles/2013/06/20/who_is_in_charge_of_us_syria_policy>Acesso em 16 de setembro de 2013.

MARTINS, José M. Q. (2013). Painel Síria: Escalada ou Reequilíbrio? Apresentação realizada em 12 de setembro de 2013. FCE, Ufrgs, Porto Alegre, RS.

ONU (2013). Report on the Alleged Use of Chemical Weapons in the Ghouta Area of Damascus on 21 August 2013. United Nations Mission to Investigate Allegations of the Use of Chemical Weapons in the Syrian Arab Republic. Organização das Nações Unidas. <http://www.un.org/disarmament/content/slideshow/Secretary_General_Report_of_CW_Investigation.pdf> Acesso em 17 de setembro de 2013.

PETERS, Ralph (2006). “Blood borders: How a better Middle East would look”. Armed Forces Journal, Junho de 2006. <http://armedforcesjournal.com/archive/issue/2006/06/toc> Acesso em 15 de setembro de 2013.

RIA Novosti (2013). Russia, US Agree Syria Chemical Weapons Deal in Geneva. RIA Novosti, 14 de setembro de 2013. <http://en.rian.ru/russia/20130914/183438364/Russia-US-Agree-Syria-Chemical-Weapons-Deal-in-Geneva.html> Acesso em 16 de setembro de 2013.
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Lucas Kerr de Oliveira é professor e coordenador do curso de Relações Internacionais e Integração da Universidade Federal da Integração Latino-Americana – UNILA. Doutor em Ciência Política e Mestre em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS.
Pedro Vinícius Pereira Brites é Diretor-Geral do Instituto Sul-Americano de Política e Estratégia – ISAPE. Mestrando em Estudos Estratégicos Internacionais e Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES.
João Arthur da Silva Reis é Graduando em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Pesquisador colaborador do Centro de Estudos Internacionais sobre Governo – CEGOV-UFRGS e do ISAPE.

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Fonte:

KERR-OLIVEIRA, Lucas; BRITES, Pedro V. P. & REIS, João A. S. (2013). A guerra proxy na Síria e as disputas estratégicas russo-estadunidenses no Oriente Médio. Mundorama, 20/09/2013. Mundorama, Divulgação Científica em Relações Internacionais, ISSN 2175-2052. <http://mundorama.net/2013/09/20/a-guerra-proxy-na-siria-e-as-disputas-estrategicas-russo-estadunidenses-no-oriente-medio-por-lucas-kerr-de-oliveira-pedro-vinicius-pereira-brites-e-joao-arthur-da-silva-reis/> 

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Vídeo: Entrevista Record Mundo debate futuro do Egito

Record

14/02/2011

Entrevista Record Mundo debate futuro do Egito



O jornalista Rodrigo Vianna do Record Mundo recebe o cientista político e prof. Flávio Rocha e o jornalista e prof. Igor Fuser para entender o novo cenário do Egito e do Oriente Médio após a renúncia do presidente-ditador egípcio Hosni Mubarak que ficou 30 anos no poder.

http://noticias.r7.com/videos/entrevista-record-mundo-debate-futuro-do-egito/idmedia/5a3a857be21131dfa2cb7e6843e6c410-2.html

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A "Segunda Revolta Árabe": quem ganha e quem perde com a crise no Egito?

Feb. 1, 2011
Commentary No. 298

The Second Arab Revolt: Winners and Losers


Immanuel Wallerstein


The Arab Revolt of 1916 was led by Sharif Hussein bin Ali for Arab independence from the Ottoman Empire. The Ottomans were evicted. The great revolt however was co-opted by the British and the French. After 1945, the various Arab states gradually became independent members of the United Nations. But in most cases their independences were co-opted by the United States as the successor to Great Britain as outside controller, with a minor continuing role of France in the Maghreb and Lebanon.

The second Arab Revolt has been brewing for some years now. It got a substantial shot in the arm from the successful uprising of Tunisian youth this past month. When courageous young people risk their lives to rise up against a supercorrupt authoritarian regime and actually succeed in deposing the president, one has to applaud. Whatever happens next, it was a good moment for humanity. The question always is, what comes next?
Fotos dos recentes protestos no Egito contra o governo o ditador Hosni Mubarak, que governa o país de forma autoritária a três décadas com apoio de grandes potências como os EUA, Inglaterra e França. Além disso, o governo de Mubarak mantém uma postura nitidamente favorável a Israel no Oriente Médio, o que fez com que seu governo se tornasse cada vez mais impopular, já que Israel continua com a política de inviabilizar o Estado Palestino e assentar novos colonos isralenses nas terras palestinas.


terça-feira, 3 de agosto de 2010

Após sanções, China investe US$ 40 bilhões no setor de Petróleo & Gás iraniano

TN Petróleo
02/08/2010

China investe US$ 40 bi em petróleo e gás do Irã

Segundo os acordos assinados entre os dois países, o investimento chinês em projetos de prospecção e extração de petróleo chegará a US$ 29 bilhões, enquanto os demais US$ 11 bilhões serão destinados a petroquímicas, refinarias, oleodutos e gasodutos.



terça-feira, 1 de junho de 2010

Nota do Ministério de Relações Exteriores a respeito do ataque israelense a um comboio de ajuda humanitária

31/05/2010

Ataque israelense à “Flotilha da Liberdade”



Com choque e consternação, o Governo brasileiro recebeu a notícia do ataque israelense a um dos barcos da flotilha que levava ajuda humanitária internacional à Faixa de Gaza, do qual resultou a morte de mais de uma dezena de pessoas, além de ferimentos em outros integrantes.



O Brasil condena, em termos veementes, a ação israelense, uma vez que não há justificativa para intervenção militar em comboio pacífico, de caráter estritamente humanitário. O fato é agravado por ter ocorrido, segundo as informações disponíveis, em águas internacionais. O Brasil considera que o incidente deva ser objeto de investigação independente, que esclareça plenamente os fatos à luz do Direito Humanitário e do Direito Internacional como um todo.

Os trágicos resultados da operação militar israelense denotam, uma vez mais, a necessidade de que seja levantado, imediatamente, o bloqueio imposto à Faixa de Gaza, com vistas a garantir a liberdade de locomoção de seus habitantes e o livre acesso de alimentos, remédios e bens de consumo àquela região.

Preocupa especialmente ao Governo brasileiro a notícia de que uma brasileira, Iara Lee, estava numa das embarcações que compunha a flotilha humanitária. O Ministro Celso Amorim, ao solidarizar-se com os familiares das vítimas do ataque, determinou que fossem tomadas providências imediatas para a localização da cidadã brasileira.

A Representante do Brasil junto à ONU foi instruída a apoiar a convocação de reunião extraordinária do Conselho de Segurança das Nações Unidas para discutir a operação militar israelense.

O Embaixador de Israel no Brasil está sendo chamado ao Itamaraty para que seja manifestada a indignação do Governo Brasileiro com o incidente e a preocupação com a situação da cidadã brasileira.




http://www.itamaraty.gov.br/sala-de-imprensa/notas-a-imprensa/ataque-israelense-a-201cflotilha-da-liberdade201d

Israel ataca comboio de ajuda humanitária para a Faixa de Gaza

Revista Epoca

31/05/2010

Israel ataca comboio de ajuda humanitária para a Faixa de Gaza

Seis navios levavam 10 mil toneladas de carga e cerca de 750 ativistas

Agência EFE

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, decretou três dias de luto nos territórios palestinos pelo ataque israelense, nesta segunda-feira (31), à "Frota da Liberdade", que levava ajuda humanitária à Faixa de Gaza. Segundo uma televisão de Israel, 14 ativistas teriam morrido. O exército israelense diz que ao menos dez pessoas morreram.


Israel: novo massacre humanitário?


31/05/2010

Israel: novo massacre humanitário?

Emir Sader


Os capítulos da história são tão claros, quanto dramáticos. Primeiro os judeus obtêm a aprovação da ONU para a construção do Estado de Israel. Para isso expulsam milhões de palestinos que ocupavam a região. Em seguida, aliados aos EUA, impedem que o mesmo direito, reconhecido igualmente pela ONU, seja estendido aos palestinos, com a construção de um Estado soberano tal qual goza Israel.

Depois, ocupação dos territórios palestinos, militarmente, seguida da instalação de assentamentos com judeus chegados especialmente dos países do leste europeu, recortando os territórios palestinos.

Não contentes com esse esquartejamento dos territórios palestinos, veio a construção de muros que dividem esses territórios, buscando não apenas tornar inviável a vida e a sustentabilidade econômica da Palestina, mas humilhar a população que lá resiste.

Há um ano e meio, o massacre de Gaza. A maior densidade populacional do mundo, cercada e afogada na sua possibilidade de sobrevivência, é atacada de forma brutal pelas tropas israelenses, com as ordens de que “não há inocentes em Gaza”, provocando dezenas de milhares de mortos na população civil, em um dos piores massacres que o mundo conheceu nos últimos tempos.

Não contente com isso, Israel continua cercando Gaza. Um ano e meio depois nem foi iniciado o processo de reconstrução, apesar dos recursos recolhidos pela comunidade internacional, porque a população continua cercada da mesma maneira que antes do massacre de dezembro 2008/janeiro 2009. As epidemias se propagam, enquanto remédios e comida apodrecem no deserto, do lado de fora de Gaza, cercada como se fosse um campo de concentração pelas tropas do holocausto contemporâneo.

Periodicamente navios tentavam levar comida e remédios à população de Gaza, chegando por mar, de forma pacífica, mas sistematicamente eram atacados pelas tropas israelenses. Desta vez a maior comitiva internacional de paz, com cerca de 750 pessoas de vários países, se aproximou de Gaza para tentar romper o bloqueio cruel que Israel mantêm sobre a população palestina. Foi atacada pelas tropas israelenses, provocando pelo menos 19 mortos e várias de dezenas de feridos.

Quem representa perigo para a paz na região e para a paz mundial? O Irã ou Israel? Quem perpetra massacres após massacres contra a indefesa população palestina? Quem impede que a decisão da ONU seja colocada em prática, senão Israel e os EUA, bloqueando a única via de solução política e pacifica para a região – o reconhecimento do direito palestino de ter seu Estado? Quem comete os piores massacres no mundo de hoje, senão aqueles que foram vítimas do holocausto no século passado e que se transformaram de vítimas em verdugos?


sexta-feira, 28 de maio de 2010

ONU elogia Brasil e afirma que acordo nuclear do Irã pode ser importante para reduzir tensões internacionais

Agência Brasil

27/05/2010

ONU elogia Brasil e afirma que acordo nuclear do Irã pode ser importante para amenizar tensões

Nielmar Oliveira

Repórter da Agência Brasil


Rio de Janeiro - Na avaliação do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, o acordo para a troca de combustível nuclear assinado pelo Irã com a intermediação do Brasil e da Turquia pode vir a se tornar um passo importante para aliviar as tensões internacionais criadas a partir do avanço do programa nuclear iraniano.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Irã e o império decadente, por Luiz Carlos Bresser-Pereira

 Folha de S.Paulo

23/05/2010

O Irã e o império decadente

Luiz Carlos Bresser Pereira *

Há algum tempo, o establishment mundial recebeu com um misto de irritação e descrença a notícia de que o presidente Lula se dispunha a intermediar a questão do Irã.

Na semana passada a diplomacia brasileira alcançou um êxito histórico em Teerã ao lograr que o governo nacionalista islâmico do Irã aceitasse o acordo sobre a troca de urânio pouco enriquecido por urânio enriquecido a 20% nos mesmos termos que as grandes potências e a AIEA (agência atômica da ONU) haviam proposto há seis meses.

Não obstante, alegando que o acordo não assegura que o Irã não utilizará o restante do urânio em seu poder para se tornar potência nuclear, os EUA conseguiram convencer as demais grandes potências a levar ao Conselho de Segurança da ONU a proposta de novas sanções ao Irã. E adicionaram mais uma “razão”: assim, evitam que seu aliado Israel bombardeie o Irã. Significa isso que o acordo de Teerã fracassou?

terça-feira, 23 de março de 2010

Crise EUA-Israel: A Arma do Juízo Final

 
A arma do juízo final

Não há pior pesadelo para os judeus norte-americanos do que serem acusados de pôr a segurança de Israel acima da segurança dos EUA. Se Obama decidir reagir e ativar sua arma do juízo final – a acusação de que Israel põe em risco a vida de soldados dos EUA – as consequências serão catastróficas para Israel.

Já é lugar comum que, quem não aprende com a história, está condenado a repetir erros.

Há 1942 anos, os judeus revoltaram-se contra o Império Romano na província chamada Palestina. Considerado em retrospectiva, parece loucura. A Palestina era parte pequena e insignificante do império planetário que acabava de impor uma derrota acachapante ao poder rival – o Império dos Partos (a Pérsia) – e vencera também uma grande rebelião na Britânia. Que chances teria a revolta dos judeus?

Sabe Deus o que passaria pela cabeça dos Zelotes. Mataram os líderes moderados, que alertavam contra provocar o império, e ganharam prestígio entre a população judaica local. Confiavam em Deus. Talvez confiassem também nos judeus de Roma e acreditassem que a influência deles sobre o Senado conseguiria segurar o imperador, Nero. Talvez tivessem ouvido dizer que Nero estava enfraquecido, a beira de ser derrubado.

Sabe-se como acabou: depois de três anos de luta, os rebeldes foram esmagados, Jerusalém caiu e o templo foi reduzido a cinzas. Os últimos Zelotes suicidaram-se, em Massada.

Os sionistas bem que tentaram aprender com a história. Agiram de modo racional, não provocaram as grandes potências, trabalharam para obter o que fosse possível em cada caso. Fizeram concessões e cada concessão serviu-lhe de base para andar adiante. Inteligentemente usaram o radicalismo de seus adversários e conquistaram a simpatia do mundo.

Mas desde o início da ocupação, a mente dos sionistas parece mergulhada em trevas. O culto de Massada tornou-se dominante. Promessas divinas voltam a desempenhar função importante no discurso público em Israel. Partes significativas do público seguem hoje os novos zelotes.

E a fase seguinte também já começa a repetir-se: os líderes de Israel estão começando a rebelar-se contra a nova Roma.

O que começou como insulto ao vice-presidente dos EUA já se converte agora em algo muito maior. O camundongo pariu um elefante.

Nos últimos tempos, o governo de ultra direita em Jerusalém começou a tratar o presidente Obama com mal disfarçado desprezo. Os medos que ainda havia em Jerusalém no começo de seu governo dissiparam-se. Para eles, Obama é uma pantera negra de papel. Até desistiu de exigir verdadeiro congelamento das construções nas colônias. Cada vez que lhe cuspiram na cara, Obama comentou que começava a chover.

Agora, ostensivamente de repente, a paciência esgotou-se. Obama, seu vice-presidente e seus principais assessores condenam, cada dia com mais severidade, o governo de Netanyahu. A secretária de Estado Hillary Clinton impôs um ultimato: Netanyahu tem de por fim a toda e qualquer construção nas colônias, também em Jerusalém Leste; tem de começar a negociar os problemas centrais do conflito, inclusive Jerusalém Leste, e mais.

Surpresa total em Israel. Foi como se Obama cruzasse o Rubicão, quase como o exército egípcio cruzou o canal de Suez em 1973. Netanyahu deu ordem para mobilizar todas as reservas de Israel nos EUA e avançar todos os blindados diplomáticos. Todas as organizações de judeus nos EUA receberam ordens de unir-se à campanha. O AIPAC fez soar as cornetas de chifre de carneiro e ordenou que seus soldados, no Senado e na Câmara, atacassem a Casa Branca.

Parecia que ia começar a batalha decisiva. Os líderes israelenses tinham certeza de que derrotariam Obama. Mas então, de repente, ouviu-se um som estranho: o som da arma do juízo final. O homem que decidiu ativá-la é inimigo de novo tipo, que ainda não se vira em Israel.

David Petraeus é o oficial mais popular do exército dos EUA. General de quatro estrelas, filho de um capitão do mar holandês que emigrou para os EUA quando seu país foi ocupado pelos nazistas e lá viveu toda a vida, desde a infância. Foi “distinguished cadet” na academia militar de West Point e primeiro colocado na Escola de Alto Comando do Exército. Como comandante em combate, só colheu elogios. Escreveu sua tese de doutoramento (sobre as lições do Vietnã) em Princeton e trabalhou como professor-assistente na cátedra de Relações Internacionais na Academia Militar dos EUA.

No Iraque, comandou as forças em Mossul, a cidade mais problemática de todo o país. Concluiu que, para derrotar aqueles inimigos, os EUA tinham de conquistar corações e mentes da população civil, ganhar aliados locais e gastar mais dinheiro que munição. A população local conhecia-o como “Rei David”. Seu sucesso foi considerado tão significativo, que seus métodos incorporaram-se à doutrina oficial do exército dos EUA.

Sua estrela ascendeu rapidamente. Foi nomeado comandante das forças da coalizão no Iraque e logo se tornou chefe do Comando Central do exército dos EUA, que cobre todo o Oriente Médio exceto Israel e Palestina (os quais ‘pertencem’ ao comando norte-americano na Europa).

Quando Petraeus fala, o povo dos EUA ouve. Como pensador de questões militares, não tem rivais.

Essa semana, Petraeus enviou mensagem claríssima: depois de examinar os problemas de sua Área de Responsabilidade [ing. Area Of Responsibility, AOR] – que inclui, além de outros setores, o Afeganistão, o Paquistão, o Irã, o Iraque e o Iêmen – chegou ao que chamou de “causas de raiz da instabilidade” na região. O primeiro item dessa lista é o conflito Israel-Palestina.

No relatório que Petraeus encaminhou ao Comitê das Forças Armadas, lê-se:

“As intermináveis hostilidades entre Israel e alguns de seus vizinhos implicam desafios específicos à nossa habilidade para obter avanço no rumo de nossos interesses na AOR. (...) O conflito fomenta o sentimento anti-norte-americano, porque se percebe que os EUA favorecem Israel. A fúria dos árabes motivada pela questão palestina limita a força e a profundidade das parcerias que os EUA construam com governos e povos na AOR e enfraquece a legitimidade de regimes moderados no mundo árabe. Simultaneamente, al-Qaeda e outros grupos militantes exploram essa fúria e assim mobilizam apoios. O conflito [Israel-Palestina] também faz crescer a influência do Irã no mundo árabe, mediante seus clientes, o Hizbollah libanês e o Hamás.”

Como se não bastasse, Petraeus enviou seus oficiais para que apresentasse essas conclusões ao Conselho dos Comandantes do Estado-Maior.

Em outras palavras: a paz entre palestinos e israelenses não é questão específica de dois grupos, mas assunto que envolve o superior interesse nacional dos EUA. Isso significa que os EUA têm de alterar o apoio cego que tem dado ao governo israelense e deve impor a Solução de Dois Estados.

O argumento, como tal, não é novo. Muitos especialistas já disseram aproximadamente a mesma coisa. (Imediatamente depois dos ataques de 11/9, escrevi também nessa direção e previ que os EUA teriam de mudar suas políticas. Daquela vez, nada aconteceu.) Mas agora, a mesma ideia aparece em documento oficial redigido pelo comandante norte-americano responsável.

O governo Netanyahu imediatamente entrou em modo de redução de danos. Os porta-vozes disseram que Petraeus tenta impor sua visão estreita; que nada entende de questões políticas; que o argumento é falho. Nem por isso conseguiram impedir que, em Jerusalém, muitos começassem a suar frio.

Todos sabemos que o lobby pró-Israel domina sem limites o sistema político nos EUA. Isso, ou quase isso. Todos os políticos e altos funcionários norte-americanos morrem de medo dele. O menor desvio do roteiro prescrito pelo AIPAC, implica suicídio político.

Mas há um ponto fraco na armadura desse Golias político. Como Aquiles no calcanhar, esse descomunal lobby pró-Israel tem um ponto vulnerável o qual, se atingido, pode neutralizar todo o seu poder.

Boa ilustração desse fenômeno é o caso Jonathan Pollard (relacionados a eventos ocorridos em 1983-1984). Esse judeu-norte-americano era empregado de uma importante agência de serviços de inteligência e espionava para Israel. Para os israelenses, era herói nacional, um judeu que cumpria seus deveres de judeu. Mas para a comunidade de inteligência dos EUA, não passava de um traidor que pôs em risco a vida de vários agentes norte-americanos. Não satisfeitos com as penalidades de rotina, os EUA induziram a corte de justiça a condená-lo à morte [1]. Desde então, todos os presidentes dos EUA têm recusado os repetidos pedidos do governo de Israel para que a sentença seja comutada. Até agora, nenhum presidente norte-americano atreveu-se a confrontar os altos setores da inteligência dos EUA, para os quais Pollard é criminoso e merece a sentença de morte.

O aspecto mais significativo desse caso faz lembrar o famoso comentário de Sherlock Holmes, sobre cachorros que não latiram certa noite. No caso Pollard, o AIPAC não latiu. Silêncio. Toda a comunidade dos judeus norte-americanos manteve-se (e assim continua até hoje, 25 anos depois!) calada. O AIPAC jamais defendeu Pollard.

Por quê? Porque a maioria dos judeus norte-americanos está sempre disposta a fazer absolutamente tudo – tudo! – pelo governo de Israel. Com uma única exceção: jamais farão coisa alguma que dê a impressão de ferir a segurança dos EUA. Basta que suba a bandeira da segurança, e todos os judeus, como todos os norte-americanos, perfilam-se e batem continência. A espada de Dâmocles da suspeita de deslealdade pende sobre as cabeças dos judeus norte-americanos. Não há pior pesadelo para eles do que serem acusados de pôr a segurança de Israel acima da segurança dos EUA. Exatamente por isso, é vitalmente importante para os judeus norte-americanos repetirem eternamente, sem descanso, o mantra que reza que os interesses de Israel são idênticos aos interesses dos EUA.

E então, agora, aparece o mais importante general do exército dos EUA e diz que não está sendo bem assim. Que, hoje, a política do atual governo de Israel está, sim, fazendo aumentar o risco de vida que os soldados norte-americanos enfrentam no Iraque e no Afeganistão.

Por enquanto, o assunto tem aparecido só marginalmente, em comentários de especialistas e não está, ainda, na grande mídia. Mas a espada já saiu da bainha – e os judeus norte-americanos já tremem, hoje, só de ouvir o rugido ainda distante desse terremoto.

Essa semana, um cunhado de Netanyahu usou a versão israelense de nossa arma do juízo final. Declarou que Obama seria “antissemita”. O jornal oficial do partido Shas garante que Obama, de fato, é muçulmano. Representam a direita radical e seus aliados; já escreveram que “Hussein Obama, negro que odeia judeus, tem de ser derrotado nas próximas eleições parlamentares e, depois, na próxima eleição presidencial.”

(Importante pesquisa feita em Israel e publicada ontem mostra que os israelenses não acreditam nessas insinuações: a vasta maioria entende que Obama dá tratamento justo a Israel. De fato, os números de aprovação de Obama são mais altos que os de Netanyahu.)

Mas se Obama decidir reagir e ativar sua arma do juízo final – a acusação de que Israel põe em risco a vida dos soldados dos EUA – as consequências serão catastróficas para Israel.

Por hora, parece ter sido disparado um tiro que os destróiers dão para ‘acordar’ a marujada e sinalizar para que outro navio faça o que foi instruído a fazer. O aviso é bem claro. Ainda que a crise atual amaine, não há dúvida de que voltará a incendiar-se outras e outras vezes, enquanto perdurar no poder, em Israel, a atual coalizão de governo.

Quando o filme Hurt Locker foi premiado no concurso Oscar-2010, todo o público norte-americano estava unido na preocupação com a vida dos seus soldados no Oriente Médio. Se esse público convencer-se de que Israel o está apunhalando pelas costas, será desastre completo para Netanyahu. E não só para ele.

Nota
[1] Para conhecer esse lado da história, ver “Why Pollard Should Never Be Released (The Traitor)”, The New Yorker Magazine, 18/1/1999, pp. 26-33, em http://www.freerepublic.com/focus/fr/576453/posts .

A defesa de Pollard está claramente exposta em http://www.jonathanpollard.org/ 


*  Uri Avnery  é jornalista, membro fundador do Gush Shalom (Bloco da Paz israelense).


Tradução: Caia Fitipaldi


O artigo original, em inglês, foi publicado em 20/03/2010 no site israelense Gush Shalom (Bloco da Paz):
http://zope.gush-shalom.org/home/en/channels/avnery/1269137362



Acessado no site da Carta Maior:    http://cartamaior.com.br/

domingo, 21 de março de 2010

Presidente Lula no Oriente Médio: Israel e Palestina

Entrevista com o Ministro de Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim

(março/2010)

"O Brasil inspira confiança no mundo" 





PRESIDENTE LULA DEFENDE ESTADO PALESTINO NO PARLAMENTO ISRAELENSE.

 

 

"A solução dos conflitos no Oriente Médio" (março/2010)



 

 

 

Discurso do Presidente Lula em novembro de 2009:

"Não haverá paz no Oriente Médio sem concessões difíceis"

 


Presidente Lula afirma que é preciso diálogo para estabelecer a paz no Oriente Médio (nov/2009)


Entrevista do Chanceler Celso Amorim à CNN em Espanhol

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Conflito perpétuo no Oriente Médio

Correio da Cidadania
29 de abril de 2009

Conflito perpétuo no Oriente Médio

Thiago Gehre Galvão

http://www.correiocidadania.com.br/content/view/3225/
 
Uma nova crise de violência eclode no conflito entre palestinos e israelenses. Os atos de brutalidade em si são tão marcantes quanto a desproporcionalidade e a irresponsabilidade dos agentes internacionais. A paz perpétua, descrita por Kant, parece inconciliável, mesmo como utopia, com o futuro do Oriente Médio. Neste sentido, nos perguntamos por que, afinal, o conflito no Oriente Médio, assim como o conhecemos, entrou na sua sexta década sem uma solução à vista? Qual a origem da insolubilidade deste conflito?
Origens históricas
O conflito em si é muito antigo e possui raízes históricas para a compreensão de sua atualidade: o papel desempenhado pelas antigas potências coloniais, França e Grã-Bretanha, e pelos Estados Unidos, ao moldar o mapa do Oriente Médio durante as negociações de Paz de Paris em 1919. No jogo das afirmações nacionais e da autodeterminação, contidos no discurso idealista do presidente norte-americano Woodrow Wilson, a Palestina tornou-se exceção no remapeamento do Oriente Médio após a Grande Guerra.
Primeiro, o governo britânico havia se comprometido a estabelecer ali um lar nacional para os judeus e optou por seguir sua promessa com a Declaração de Balfour de 2 de novembro de 1917. Na esteira dos eventos que sacudiam o mundo após a Primeira Guerra e com o desmonte dos Impérios, milhões de judeus tentavam deixar a Rússia e Áustria.
Amparado neste quadro, Chaim Weizmann deu início ao périplo político de criação do Estado de Israel, no final de 1919, apelando ao Conselho Supremo formado pelas potências vencedoras da guerra. O sionismo como luta por uma pátria para os judeus com segurança e dignidade. Outra figura importante era a de Theodor Herzl, jornalista de Viena, que organizou o primeiro congresso sionista e emplacaria a idéia de compra de Uganda pelos ingleses a fim de lá se criar um Estado judeu.
Segundo, os Estados Unidos se abstiveram de implementar a solução preconizada pelo relatório Craig-Kane, encomendado por Wilson para averiguar a real situação das antigas possessões do recém-extinto Império Otomano. O relatório era enfaticamente contrário ao programa sionista e desaconselhava veementemente a criação do Estado judeu. Como aponta o historiador judeu Eric Hobsbawn, "essa seria outra relíquia problemática e não esquecida da Primeira Guerra Mundial".
Em seguida, a invenção do Estado de Israel, em 1948, após a 2ª. Guerra Mundial, ofereceu um "direito de retorno" a qualquer judeu do mundo. O novo Estado vinha sendo moldado desde o fim da Primeira Grande Guerra pela imigração maciça e a recolonização, intensificada como política de Estado após 1948, gerando um Estado judeu com dimensões maiores do que o previsto pela partilha britânica com os aliados de guerra. A resultante direta foi a expulsão de 700 mil palestinos não-judeus e o abandono da idéia de criação de um Estado palestino. Como conseqüência, originam-se os movimentos fundamentalistas de afirmação nacional que alimentaram tanto o terrorismo quanto as crises constantes entre os diferentes atores regionais.
Campanha 2008-2009
Enquanto Israel tornava-se uma potência tecnológica e militar na região, alcançando o poder nuclear na década 1970, os palestinos passaram a viver em uma situação de apartheid e diáspora dentro das fronteiras ampliadas de um Estado de Israel inventado.
Neste processo, a relação especial estabelecida com os EUA foi decisiva para suportar os objetivos de afirmação nacional israelense. Cercado por nações árabes, Israel elege a segurança absoluta como parte de sua grande estratégia de política externa. Na crise atual, o planejamento de longo tempo ficou evidente e se aproveitou das lições aprendidas há dois anos atrás no conflito contra o Hizbollah no Líbano. Assim, a força terrestre seria necessária para garantir a segurança da população israelense que circunda a faixa de Gaza e a aniquilação do poder de fogo do Hamas tornou-se condição sine qua non para a abertura das negociações diplomáticas. Dessa forma, o nível de sucesso da campanha terrestre pode trazer de volta a reocupação de Gaza como um elemento de segurança pretendido como parte dos objetivos israelenses.
As ferozes ações de Israel alimentam um ciclo de violência que perpetuam ações e reações dos grupos armados palestinos. A campanha militar israelense de 2008-2009, que levou a uma crise humanitária e a carnificina de milhares de mortos e feridos, fez com que a população local perdesse gradativamente suas cores políticas. Com isso, uma ação coordenada entre Hamas e Fatah é facilitada e pode levar a uma onda duradoura de terror contra Israel. Ao mesmo tempo, o envolvimento da Síria, do Líbano e do Irã torna-se inevitável tanto para contrabalançar as ações israelenses quanto para preservar a segurança e estabilidade regionais.
Com a operação em Gaza em andamento, a mídia internacional foi responsável por apontar as atrocidades do conflito. Aquilo que não tinha sido mostrado no Afeganistão e no Iraque passou a ser noticiado pelas agências internacionais de comunicação. Imagens e notícias estarrecedoras o suficiente para sensibilizar a opinião pública acerca das barbaridades da guerra. Em contraposição, o governo de Israel viu-se impelido a calibrar seu discurso e garantir a legitimidade de suas ações. A justificativa reside no fato de os israelenses combaterem uma organização terrorista como forma de exercer seu direito de autodefesa. Entretanto, os apelos e discursos, muitas vezes contraditórios, obscurecem o entendimento do conflito e dificultam o acesso às possíveis verdades.
Recorre-se então à memória, mas ela também prega truques: é a memória do longínquo que encontra a memória do recente e com elas residem ressentimento e ódio, perpetuando-se a intolerância e a irresponsabilidade. Destarte, árabes e judeus não podem ser acusados e responsabilizados pela perenidade do conflito no Oriente Médio. A história não permite julgamentos, mas ensina lições que precisam ser aprendidas. A responsabilidade sistêmica de lidar com os problemas estratégicos internacionais urge como eixo da política global do século 21. Precisamos estar cientes que um sistema de spill over negativo afeta toda a sociedade global.
Logo, a persistência da solução de força por parte dos israelenses se junta à reatividade palestina, à relutância norte-americana, à inoperância das Nações Unidas e à incapacidade de britânicos, franceses e da União Européia em resolver por definitivo a situação judaico-palestina. Em suma, as causas da não-solução do conflito no Oriente Médio são múltiplas, complexas e têm origens remotas. Certamente abalam a estabilidade da ordem internacional, mas não podem ser vistas pelo prisma fatalista da inevitabilidade.
Nós fazemos com que o conflito seja perpétuo... Mas não precisa ser assim para sempre!
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Thiago Gehre Galvão é professor do departamento de Relações Internacionais da Universidade Federal de Roraima e doutorando em Relações Internacionais do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília.
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