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segunda-feira, 14 de março de 2022
quinta-feira, 13 de maio de 2021
Debate de Geopolítica e Conjuntura do NEEGI: "Geopolítica e Conjuntura da Crise na Colômbia"
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sexta-feira, 3 de abril de 2020
Crise no Brasil : Dólar ultrapassa R$ 5,32 pela primeira vez na história
Agência Brasil, 03/04/2020
Dólar sobe pela sexta vez seguida e ultrapassa R$ 5,32
Bolsa caiu para o menor nível em dez dias
Por Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil - Brasília
Em mais um dia de tensão nos mercados globais, o dólar voltou a subir e a bater recorde. A bolsa de valores, que tinha se recuperado ontem (2), voltou a cair para o menor nível em dez dias.
O dólar comercial encerrou a sexta-feira (3) vendido a R$ 5,326, com alta de R$ 0,06 (+1,14%), na maior cotação nominal desde a criação do real. A divisa operou em alta o dia inteiro e fechou no valor máximo do dia, mesmo com o Banco Central (BC) tendo intervindo no mercado.
A autoridade monetária vendeu US$ 455 milhões das reservas internacionais. O dólar fechou a semana com alta de 4,3%. Em 2020, a divisa acumula alta de 32,72%.
Depois de um dia de alta, o índice Ibovespa, da B3, a bolsa de valores brasileira, fechou esta sexta aos 69.537 pontos, com queda de 3,76%. O índice seguiu as bolsas no exterior. O índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, encerrou o dia com queda de 1,69%, refletindo a destruição de 701 mil empregos nos Estados Unidos em março. A taxa de desemprego na maior economia do planeta cresceu de 3,5% em fevereiro para 4,4% no mês passado.
Há várias semanas, os mercados financeiros em todo o planeta atravessam um período de nervosismo por causa da recessão global provocada pelo agravamento da pandemia de coronavírus. As interrupções na atividade econômica associadas à restrição de atividades sociais travam a produção e o consumo, provocando instabilidades.
Petróleo
A intensificação da guerra de preços do petróleo entre Arábia Saudita e Rússia continuou a dar uma trégua nesta sexta-feira. Os dois países estão aumentando a produção de petróleo, o que tem provocado uma queda mundial nos preços, mas o presidente norte-americano Donald Trump postou ontem numa rede social que um acordo está sendo fechado entre os principais produtores.
A cotação do barril do tipo Brent, que na terça-feira atingiu o menor nível em 18 anos, estava US$ 34,70 por volta das 18h, com alta de 15,9%. Mesmo com a alta nos preços, as ações da Petrobras, as mais negociadas na bolsa, caíram hoje, depois de uma sequência de altas. Os papéis ordinários (com direito a voto em assembleia de acionistas) desvalorizaram-se 0,71% nesta sexta. Os papéis preferenciais (com preferência na distribuição de dividendos) caíram 1,1%.
Edição: Fábio Massalli
Fonte: Agência Brasil, EBC.
quinta-feira, 9 de janeiro de 2020
11 razões para o Brasil dizer não à guerra de Trump contra o Irã
Carta Capital, 8 de janeiro de 2020
Opinião
11 razões para o Brasil dizer não à guerra de Trump contra o Irã
O Brasil possui relações amistosas com o Irã de longa data. Atualmente, o fluxo de comércio entre os dois países é de US$ 2,1 bilhões
1. O mundo precisa de paz para que a economia global se recupere. O único setor econômico que tem interesse num conflito de grandes proporções é a indústria bélica.
2. Um dos principais motivos – senão o principal motivo – para a escalada beligerante de Donald Trump é fortalecer a sua campanha para evitar o impeachment e, na sequência, conseguir a reeleição. Ou seja, assim como vários de seus antecessores, o magnata das fake news quer se reeleger à custa de milhares de vidas, inclusive de seus compatriotas.
3. Um eventual conflito entre Estados Unidos e Irã tem grande possibilidade de envolver todos os países da Ásia – inclusive China e Rússia – e se transformar numa guerra de escala mundial. Ao contrário da 1ª e da 2ª Guerras, entretanto, as potências militares hoje possuem capacidade para exterminar a vida humana no planeta.
4. Há muitas alternativas à guerra que passam pelo diálogo e por outras medidas, como sanções econômicas. Aliás, as sanções econômicas impostas pela comunidade internacional – por pressão dos Estados Unidos – ao Irã só encontram precedentes na história quando comparadas ao embargo econômico contra Cuba. A guerra é um recurso extremo cujas consequências são impossíveis de estimar.
3. Um eventual conflito entre Estados Unidos e Irã tem grande possibilidade de envolver todos os países da Ásia – inclusive China e Rússia – e se transformar numa guerra de escala mundial. Ao contrário da 1ª e da 2ª Guerras, entretanto, as potências militares hoje possuem capacidade para exterminar a vida humana no planeta.
4. Há muitas alternativas à guerra que passam pelo diálogo e por outras medidas, como sanções econômicas. Aliás, as sanções econômicas impostas pela comunidade internacional – por pressão dos Estados Unidos – ao Irã só encontram precedentes na história quando comparadas ao embargo econômico contra Cuba. A guerra é um recurso extremo cujas consequências são impossíveis de estimar.
5. Além das sanções comerciais, o Irã sofre há mais de duas décadas com a ação sistemática de agências de espionagem que perseguem e “eliminam” cientistas iranianos de várias áreas, não apenas daqueles suspostamente relacionados ao programa nuclear do país.
6. Do ponto de vista do Brasil, a guerra pretendida por Donald Trump, definitivamente, não favorece qualquer interesse do país. Muito ao contrário.
7. A postura do governo Bolsonaro de apoiar a operação militar que resultou no assassinato do general Qasem Soleimani foi precipitada e irresponsável, fruto da submissão incondicional aos Estados Unidos que nos envergonha perante o mundo. Nenhum país emitiu uma nota de apoio ao governo Trump tão vassala quanto a do Brasil.
8. Em 2010, através do governo Lula e do governo da Turquia, foi feito um acordo com o Irã para que este país se comprometesse com o uso do urânio para finalidades pacíficas. Outro acordo foi firmado em 2015, desta vez com os Estados Unidos, então presidido por Barack Obama. Em 2018, Trump abandonou o acordo unilateralmente e impôs sanções ao Irã.
9. O sentimento do povo brasileiro é amplamente favorável à promoção da paz e isso é expresso nas tradições da nossa diplomacia, que é historicamente reconhecida no mundo inteiro por privilegiar a construção de consensos multilaterais e não por instigar o conflito, como o atual governo vem fazendo agora, ao jogar gasolina na fogueira acesa por Donald Trump. Ao adotar como sua a posição beligerante dos Estados Unidos, Jair Bolsonaro está traindo o povo brasileiro.
10. O Brasil possui relações amistosas com o Irã de longa data. Atualmente, o fluxo de comércio entre os dois países é de US$ 2,1 bilhões, com a balança favorável ao Brasil em US$ 2 bilhões. Em 2018 o Irã foi o maior mercado para o milho brasileiro e o quinto maior destino da carne bovina e da soja exportadas pelo Brasil.
Por estas e outras razões, digo com todas as letras: não à guerra de Trump e não à submissão irresponsável de Bolsonaro.
Este texto não reflete necessariamente a opinião de CartaCapital.
Referência:
PIMENTA, Paulo (2020). 11 razões para o Brasil dizer não à guerra de Trump contra o Irã Carta Capital, 8 de janeiro de 2020. <https://www.cartacapital.com.br/opiniao/11-razoes-para-o-brasil-dizer-nao-a-guerra-de-trump-contra-o-ira/>
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terça-feira, 26 de julho de 2016
Desafios para o Brasil diante das disputas geopolíticas globais
Carta Capital
O projeto do senador licenciado e ministro das Relações Exteriores José Serra, de eliminar a participação obrigatória da Petrobras no pré-sal, seria o começo do retrocesso, apontam vários críticos.Os problemas não terminam aí.
Falta ao País uma estratégia diante do confronto geopolítico global, no qual o acesso ou o bloqueio a fontes de energia é um elemento central, ensina o professor de Economia Ronaldo Fiani, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Mais grave ainda: por possuir as reservas da camada do pré-sal, a tecnologia de prospecção e extração de petróleo em águas profundas e ter a China como sócia em uma área de influência dos Estados Unidos, o Brasil está na linha de impacto do megaconflito entre Ocidente e Oriente.
Precisamente, o oposto do sugerido pelo senso comum, de que nada disso nos afeta por ser muito longínquo. Polarizado entre o pró e o antiamericanismo simplistas, evidência da captura das elites pelo confronto geopolítico, o País não conta com um líder como Getúlio Vargas.
Hábil negociador, soube tirar partido de outro conflito global, o da Segunda Guerra Mundial, em benefício do interesse nacional. O choque geopolítico mundial, minimizado ou sequer percebido por aqui, é detalhado pelo professor da UFRJ na entrevista a seguir:
CartaCapital: O País corre o risco imediato de perder o poder sobre o pré-sal, por conta da escalada acelerada pelo projeto do senador licenciado e Ministro das Relações Exteriores José Serra, de acabar com a participação obrigatória da Petrobras na reserva de petróleo e gás mais produtiva do mundo. É importante manter essa obrigatoriedade?
Ronaldo Fiani: Sim, mas não é suficiente.
CC: Por que?
RF: No debate político e na maior parte da mídia, a questão é apresentada como se fosse um dilema entreguismo versus soberania nacional. É bem mais complicado do que isso, principalmente quando se considera que a Petrobras está em campos do pré-sal associada com empresas chinesas que já investiram 10 bilhões de dólares na operação. Isso em uma área de influência dos Estados Unidos. É razoável, portanto, avaliar o problema num quadro mais amplo, como um reflexo, na questão do pré-sal e na América do Sul, do confronto geopolítico maior e mais estrutural que nós estamos vivendo.

CC: A abordagem predominante é de encarar o pré-sal como um assunto estratégico de suprimento de energia.
RF: É bem mais abrangente que isso. Energia, geopolítica guerra sempre estiveram ligadas. A expressão mais direta e fundamental de poder dos Estados é a capacidade de fazerem guerra. A partir do século 19, houve uma mudança dramática. Com a revolução industrial, começou-se também a fazer guerra em escala industrial. A capacidade de o estado projetar poder passou a depender, essencialmente, da sua produção de armas, munição, navios. Para movimentar essa máquina, há necessidade de energia em quantidade crescente.
No século 20, o próprio ato de guerrear passou a consumir energia de forma fantástica. Foi quando o primeiro-ministro Winston Churchill decidiu mudar o combustível da marinha real britânica, a maior do mundo, de carvão para petróleo.
Ele tomou essa decisão porque os navios movidos a óleo eram mais rápidos e, principalmente, podiam ser abastecidos em alto mar, coisa que no navio movido a carvão era praticamente impossível. Além disso, exigia uma mão de obra menor só para cuidar do combustível. No navio de guerra usual, muito da mão de obra era para cuidar do carvão. A substituição, portanto, liberava soldados para cuidar dos armamentos.
CC: E a marinha ganhava agilidade.
RF: A possibilidade de reabastecer em alto-mar deu uma mobilidade fantástica para a marinha britânica, e depois à dos Estados Unidos, mas criou um problema. A Grã-Bretanha tinha reservas de carvão no seu próprio território, mas naquela época ainda não tinha petróleo, que estava na Ásia Central e depois, no Oriente Médio. Isso criou a questão geopolítica na energia. Porque se você corta as fontes de combustível, paralisa uma máquina de guerra praticamente de imediato.
Pearl Harbour aconteceu porque os Estados Unidos, que produziam seis sétimos de todo o petróleo consumido na Segunda Guerra Mundial, tentaram impor um embargo de petróleo ao Japão.
A decisão de Hitler, considerada um grave erro por analistas menos informados sobre a questão energética, de dirigir as suas tropas para Stalingrado ao invés de ir direto a Moscou, ocorreu porque as forças alemãs precisavam desesperadamente do petróleo do mar Negro e do Cáucaso para se deslocar e resistir em uma guerra prolongada. A substituição do combustível aumentou muito a capacidade da Grã-Bretanha, e depois dos Estados Unidos, de projetar poder naval.
CC: O acesso à energia é, portanto, crucial.
RF: Sim, mas para fazer guerra hoje, com a indústria moderna, em grande escala, não basta um superávit permanente de energia, é preciso também negar ao inimigo o acesso às fontes de energia. O confronto geopolítico contemporâneo é um gigantesco xadrez que inclui a América do Sul, África Ocidental, Ásia, e consiste na manipulação de fontes de energia, através da construção de oleodutos e gasodutos que integrem países, permitam ter acesso a fontes de energia e eventualmente negá-lo a outros países, hostis.
CC: Quais são os elementos principais da geopolítica nos dias atuais?
RF: A geopolítica no século 19 visava, basicamente, garantir as rotas navais, por serem o meio de expansão comercial no globo. Na primeira década do século 20, o geógrafo Halford Mackinder, na Inglaterra, e depois o estrategista Nicholas J. Spykman, nos Estados Unidos, perceberam que o poder naval não era mais suficiente.
O desenvolvimento do transporte terrestre, especialmente das ferrovias, podia se tornar uma base de poder muito grande, por permitir o transporte de tropas e armamentos mais rápido que os navios.
E isso se tornava particularmente grave porque, face a possibilidade de integrar Ásia e Europa, fatalmente Grã-Bretanha, Estados Unidos e outros países seriam empurrados para a margem do sistema global. Juntar Ásia com Europa resulta na maior massa de terra, recursos e população do planeta, a chamada Eurásia.
Daí porque toda a estratégia dos Estados Unidos no pós-guerra seria exatamente conter qualquer poder que busque integrar Ásia e Europa. A sabedoria da China, carente em energia, foi usá-la para se expandir
CC: Qual a importância da China nesse contexto?
RF: É crucial porque, ao contrário dos demais estados e forças políticas, não busca integrar Ásia e Europa politicamente, mas economicamente, através das famosas rotas da seda, eixos de infraestrutura de comunicação, transporte e, principalmente, energia. Há uma série de desdobramentos extremamente importantes. O primeiro tem a ver com a Rússia, essencial no projeto chinês de integrar Ásia e Europa. Decorre daí a escalada de tensão entre a Otan e a Rússia. Sem o apoio desse país, não é possível fazer aquela integração, por causa da posição geoestratégica que a Rússia desfruta nessa união. Na América do Sul, os investimentos chineses buscam integrar os países à rede de interesses em construção para a Ásia e a Europa, com a mesma estratégia. Investe-se em energia, transporte, inclusive há o projeto da estrada de ferro proposta pela China para ligar o Brasil ao Pacífico.
CC: Por que a integração de Ásia e Europa através da China é tão importante?
RF: A maior massa de terra é a junção de Europa e Ásia. Para controlar a Eurásia, é preciso dominar o seu centro, a Ásia Central. Quem fizer isso, controlará o planeta. Essa é a visão de Mackinder. Grã-Bretanha e, de certa forma, Estados Unidos têm uma preocupação muito grande em impedir que outro poder político domine a Ásia Central.
Entretanto, todas as tentativas nesse sentido fracassaram no século 20, por se tratar de um mosaico de culturas e povos que dificulta muito a unificação política da região. O que os chineses estão fazendo agora? Não estão unificando politicamente, mas economicamente. Eles constroem, neste momento, uma monumental infraestrutura de transporte e telecomunicações para ligar a China à Europa, passando pela Ásia Central. Com isso, a energia se transformou num instrumento para controlar aquilo que Mackinder considerou o centro da política no tabuleiro internacional.
A grande percepção da China foi transformar aquilo que em princípio seria uma debilidade da sua estratégia de potência, que é o fato de não dispor de fontes de energia, em um instrumento para unificar e projetar o seu poder economicamente sobre o centro do tabuleiro da Eurásia, com a ajuda inestimável e muito bem-vinda da Rússia. O Brasil se vê distante da guerra geopolítica, mas está no seu centro
CC: Como o Brasil se posiciona no jogo geopolítico?
RF: Essa é uma questão extremamente difícil, porque a inserção do País é muito problemática. O movimento da China para controlar o centro da Eurásia economicamente, inclusive importando energia, não é observado por Estados Unidos, União Europeia e Japão de forma tranquila. Ao contrário, determina um aguçamento do conflito, como se observa na Ucrânia, na Macedônia, na Síria, reflexos do esforço das chamadas potências ocidentais para afastar a possibilidade de unidade entre Ásia e Europa mediada pela China. São conflitos em torno da área de influência de Rússia e China.
É importante entender que a parceria entre Rússia e China não é apenas uma questão de conveniência de dois países que se sentem ameaçados. Ela é geoestratégica, porque a condição necessária para os chineses alcançarem a Europa de modo eficaz é o apoio da Rússia, influente na Europa Central. Do mesmo modo que o respaldo da China é indispensável para a Rússia enfrentar a Otan.
Desde o ano passado, uma ferrovia une Yiwu, próxima a Xangai, a Madri, na Espanha, para transporte de carga em tempo muito inferior ao dos navios. Esse é o pesadelo dos países que perderiam poder em escala global se essa articulação realmente acontecer. O Brasil está exatamente no meio desse conflito entre Estados Unidos e seus aliados e China e Rússia e seus aliados.
CC: Por que?
RF: Porque a questão não é apenas garantir oferta de energia para a capacidade de um país projetar poder, é principalmente negar ao outro que o confronta o acesso a essas fontes de energia.
E nós temos não só grandes reservas no pré-sal como uma empresa brasileira com capacidade de explorar essas reservas, o que nos dá uma notável autonomia para aproveitar esse recurso, e essa empresa se encontra associada às empresas chinesas de petróleo CNOOC e CNPC.
Portanto estamos inseridos num espaço tradicionalmente de influência norte-americana, com uma empresa com capacidade tecnológica de explorar o pré-sal, associada a uma empresa chinesa. Estamos exatamente, digamos assim, na linha de confronto. A situação é agravada ainda mais pelo fato de termos um projeto de submarino nuclear com capacidade de fechar o corredor do Atlântico, por ser muito mais rápido que o convencional.
Há uma crença generalizada no País de que nós estamos fora desse confronto entre Oriente e Ocidente. Devido às reservas energéticas e as matérias-primas que temos, estamos diretamente na linha de frente desse conflito.
A posição oposta, de que isso tudo não nos diz respeito por estar muito longe, é profundamente equivocada e pode ter consequências gravíssimas. E isso me preocupa muito porque eu não vejo por parte dos políticos, das lideranças políticas, e mesmo da maior parte dos intelectuais brasileiros, a percepção desse quadro. Não temos uma liderança extremamente hábil como foi Getúlio Vargas
CC: Seria melhor fazer parceria com a China ou os Estados Unidos?
RF: Examinada de perto, nenhuma das duas parcerias atende, neste momento, às necessidades do Brasil. O modelo chinês de desenvolvimento é muito parecido com o padrão britânico do século 19, no sentido de que a China consome matérias primas e exporta produtos industrializados e nós exportamos matérias-primas e importamos manufaturados chineses.
Segundo especialistas em comércio exterior, a economia brasileira tem-se tornado progressivamente competidora com a economia norte-americana, por exemplo em soja e automóveis. Fazer exportações significativas desses produtos aos EUA parece pouco provável, pois eles são grandes produtores. Não há, portanto, uma relação de complementaridade. Um alinhamento automático, quer a um lado, quer a outro, provocaria danos irreversíveis na economia nacional.
CC: O que o Brasil deveria fazer nesse contexto?
RF: Falta ao País a formulação de uma estratégia frente a esse confronto geopolítico global. Não percebo, entretanto, em nenhuma força política, a formulação dessa estratégia.
CC: O contexto político-econômico do País é uma complicação adicional.
RF: O sistema político do País está se desintegrando e não há nenhuma preocupação em preservar as organizações e instituições. A partir daí, o que vai acontecer é absolutamente imprevisível.
CC: No período de Getúlio Vargas, o País soube tomar partido do conflito que opunha as forças aliadas e o chamado eixo.
RF: Exatamente. Entre os anos 1930 e hoje, claro que são situações historicamente muito diferentes, mas há um traço comum: tanto naquele momento como agora, o mundo vivia um confronto geopolítico. Só que naquele período tivemos uma liderança extremamente habilidosa, que era o Getúlio Vargas (nota da redação: na Segunda Guerra Mundial, Vargas ameaçou aliar-se ao Eixo Alemanha-Japão-Itália e com isso obteve dos Estados Unidos, através do Eximbank, financiamento para construir a Usina de Volta Redonda, fundamental para a constituição da indústria no Brasil).
Hoje, nós não temos uma liderança semelhante. Como é que o País fica? Ao invés de se pensar uma estratégia, há uma captura das elites políticas no Brasil por esse confronto geopolítico. Há uma polarização antiamericanismo versus alinhamento automático com os Estados Unidos, evidência de que ocorreu uma captura dos agentes pela própria dinâmica do confronto geopolítico. É extremamente preocupante por serem duas saídas muito simplistas.
Na verdade, o Brasil não pode prescindir nem dos Estados Unidos, dada a posição que esse país ocupa no continente e o fato de ainda ser a maior potência global, nem da China, que hoje, de certa forma, sustenta o comércio exterior brasileiro. É preocupante não se discutir alternativas. Há uma captura pela mesma dinâmica de polarização do confronto global. Assim vai ser difícil conferir à economia brasileira o dinamismo necessário para sustentar cerca de 200 milhões de habitantes. A nossa afinidade está muito mais na África do que na América andina.
CC: Como o senhor vê esse movimento do Ministério das Relações Exteriores que pode resultar no fechamento de representações na África?
RF: Alguns dizem que o Brasil é o país mais ocidental da África, em tom crítico. Não vejo necessariamente como crítica ou elogio. Houve uma dinâmica muito forte de expansão de representações brasileiras na África com base em um desejo de ampliar a participação e a credibilidade do País no cenário global, torná-lo um player efetivo nas relações internacionais. No quadro de confronto geopolítico mencionado, essa perspectiva não é errada, mas precisa ser situada em um contexto.
Hoje a economia brasileira não encontra solução no alinhamento automático em nenhum dos dois lados do confronto global e é necessário estabelecer vínculos comerciais com países que são também uma alternativa para o avanço da nossa economia. Essas representações devem ser avaliadas da perspectiva daquilo que a relação entre os países pode gerar para dinamizar a economia brasileira. Visar simplesmente a projeção do Brasil no cenário internacional, num clima de confronto, é muito difícil.
CC: Qual é a relação entre geopolítica e a questão da energia?
RF: Um dos enganos mais comuns é considerar a energia como uma questão isolada. Energia, ao menos desde o início do século 20, é uma questão geopolítica. Pensá-la isoladamente como um problema em si leva a não perceber que a questão energética sempre estará inserida num contexto geopolítico e será determinada por injunções geopolíticas, ainda mais no momento atual.
CC: Como ficam a América Latina e a África no conflito geopolítico descrito?
RF: Essa é uma pergunta que também me obriga a ir contra a crença geral. Muito da geopolítica brasileira foi pensada numa espécie de extrapolação do Tratado de Tordesilhas. Como nós empurramos a linha de Tordesilhas para o Oeste, o destino brasileiro seria os Andes, seria chegar no Pacífico. É possível ver uma retomada disso naquele projeto mencionado de ferrovia ligando o Brasil ao Pacífico e chegando no Peru, que os chineses estão propondo. Mas é importante ter uma outra dimensão, que é social e cultural, da geopolítica.
Na verdade, nós temos profundas, fortes e muito sólidas raízes africanas. A nossa afinidade está muito mais na África do que na América andina. Na verdade, nós temos que nos orgulhar disso, porque a nossa afinidade está na África, a nossa facilidade de diálogo está na África. Então, novamente, as potências que estabelecerem uma aliança com o Brasil terão um pé na África.
Daí vem também uma outra dimensão que não tem necessariamente a ver com energia, tem mais a ver com história e geografia, da nossa importância geopolítica nesse conflito, que é o fato que o Brasil é uma ponte para a África.
Portanto controlando este lado do tabuleiro, você cria afinidades com outro lado do tabuleiro também. Ajuda nesse movimento. Além, é claro, de você controlar o Atlântico Sul.
CC: Todos esses fatores, conclui-se da sua análise, tornam a questão energética uma arma geopolítica.
RF: E é por isso que hoje pensar a questão energética do País como um problema única e exclusivamente econômico, como um problema de ‘como fica o custo de extração do pré-sal com a manipulação de preços dos sauditas’, é pensar de uma forma totalmente errada. Até porque, como os sauditas estão mostrando, energia sempre foi e sempre será, uma arma de luta política e geopolítica.
O que mais me preocupa neste momento é que não parece existir, nem das lideranças políticas nem na intelectualidade de uma forma geral, a percepção da gravidade do posicionamento brasileiro nesse conflito geopolítico internacional. Não adianta o domínio do pré-sal se não houver uma estratégia definida a partir da percepção desse contexto.
FONTE: http://www.cartacapital.com.br/economia/201cbrasil-se-ve-distante-da-guerra-geopolitica-mas-esta-no-centro201d
Economia
Entrevista - Ronaldo Fiani
“Brasil se vê distante da guerra geopolítica, mas está no centro”
Em meio à discussão sobre o pré-sal, o País ainda se baseia na oposição
simplista entre alinhamento aos EUA e antiamericanismo, diz economista
da UFRJ.
O Brasil estaria na iminência de entregar
ao capital externo o seu patrimônio petrolífero incomum e a empresa com a
melhor tecnologia do mundo para explorá-lo, acusa a oposição ao governo interino de Michel Temer.
O projeto do senador licenciado e ministro das Relações Exteriores José Serra, de eliminar a participação obrigatória da Petrobras no pré-sal, seria o começo do retrocesso, apontam vários críticos.Os problemas não terminam aí.
Falta ao País uma estratégia diante do confronto geopolítico global, no qual o acesso ou o bloqueio a fontes de energia é um elemento central, ensina o professor de Economia Ronaldo Fiani, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Mais grave ainda: por possuir as reservas da camada do pré-sal, a tecnologia de prospecção e extração de petróleo em águas profundas e ter a China como sócia em uma área de influência dos Estados Unidos, o Brasil está na linha de impacto do megaconflito entre Ocidente e Oriente.
Precisamente, o oposto do sugerido pelo senso comum, de que nada disso nos afeta por ser muito longínquo. Polarizado entre o pró e o antiamericanismo simplistas, evidência da captura das elites pelo confronto geopolítico, o País não conta com um líder como Getúlio Vargas.
Hábil negociador, soube tirar partido de outro conflito global, o da Segunda Guerra Mundial, em benefício do interesse nacional. O choque geopolítico mundial, minimizado ou sequer percebido por aqui, é detalhado pelo professor da UFRJ na entrevista a seguir:
CartaCapital: O País corre o risco imediato de perder o poder sobre o pré-sal, por conta da escalada acelerada pelo projeto do senador licenciado e Ministro das Relações Exteriores José Serra, de acabar com a participação obrigatória da Petrobras na reserva de petróleo e gás mais produtiva do mundo. É importante manter essa obrigatoriedade?
Ronaldo Fiani: Sim, mas não é suficiente.
CC: Por que?
RF: No debate político e na maior parte da mídia, a questão é apresentada como se fosse um dilema entreguismo versus soberania nacional. É bem mais complicado do que isso, principalmente quando se considera que a Petrobras está em campos do pré-sal associada com empresas chinesas que já investiram 10 bilhões de dólares na operação. Isso em uma área de influência dos Estados Unidos. É razoável, portanto, avaliar o problema num quadro mais amplo, como um reflexo, na questão do pré-sal e na América do Sul, do confronto geopolítico maior e mais estrutural que nós estamos vivendo.

CC: A abordagem predominante é de encarar o pré-sal como um assunto estratégico de suprimento de energia.
RF: É bem mais abrangente que isso. Energia, geopolítica guerra sempre estiveram ligadas. A expressão mais direta e fundamental de poder dos Estados é a capacidade de fazerem guerra. A partir do século 19, houve uma mudança dramática. Com a revolução industrial, começou-se também a fazer guerra em escala industrial. A capacidade de o estado projetar poder passou a depender, essencialmente, da sua produção de armas, munição, navios. Para movimentar essa máquina, há necessidade de energia em quantidade crescente.
No século 20, o próprio ato de guerrear passou a consumir energia de forma fantástica. Foi quando o primeiro-ministro Winston Churchill decidiu mudar o combustível da marinha real britânica, a maior do mundo, de carvão para petróleo.
Ele tomou essa decisão porque os navios movidos a óleo eram mais rápidos e, principalmente, podiam ser abastecidos em alto mar, coisa que no navio movido a carvão era praticamente impossível. Além disso, exigia uma mão de obra menor só para cuidar do combustível. No navio de guerra usual, muito da mão de obra era para cuidar do carvão. A substituição, portanto, liberava soldados para cuidar dos armamentos.
CC: E a marinha ganhava agilidade.
RF: A possibilidade de reabastecer em alto-mar deu uma mobilidade fantástica para a marinha britânica, e depois à dos Estados Unidos, mas criou um problema. A Grã-Bretanha tinha reservas de carvão no seu próprio território, mas naquela época ainda não tinha petróleo, que estava na Ásia Central e depois, no Oriente Médio. Isso criou a questão geopolítica na energia. Porque se você corta as fontes de combustível, paralisa uma máquina de guerra praticamente de imediato.
Pearl Harbour aconteceu porque os Estados Unidos, que produziam seis sétimos de todo o petróleo consumido na Segunda Guerra Mundial, tentaram impor um embargo de petróleo ao Japão.
A decisão de Hitler, considerada um grave erro por analistas menos informados sobre a questão energética, de dirigir as suas tropas para Stalingrado ao invés de ir direto a Moscou, ocorreu porque as forças alemãs precisavam desesperadamente do petróleo do mar Negro e do Cáucaso para se deslocar e resistir em uma guerra prolongada. A substituição do combustível aumentou muito a capacidade da Grã-Bretanha, e depois dos Estados Unidos, de projetar poder naval.
CC: O acesso à energia é, portanto, crucial.
RF: Sim, mas para fazer guerra hoje, com a indústria moderna, em grande escala, não basta um superávit permanente de energia, é preciso também negar ao inimigo o acesso às fontes de energia. O confronto geopolítico contemporâneo é um gigantesco xadrez que inclui a América do Sul, África Ocidental, Ásia, e consiste na manipulação de fontes de energia, através da construção de oleodutos e gasodutos que integrem países, permitam ter acesso a fontes de energia e eventualmente negá-lo a outros países, hostis.
CC: Quais são os elementos principais da geopolítica nos dias atuais?
RF: A geopolítica no século 19 visava, basicamente, garantir as rotas navais, por serem o meio de expansão comercial no globo. Na primeira década do século 20, o geógrafo Halford Mackinder, na Inglaterra, e depois o estrategista Nicholas J. Spykman, nos Estados Unidos, perceberam que o poder naval não era mais suficiente.
O desenvolvimento do transporte terrestre, especialmente das ferrovias, podia se tornar uma base de poder muito grande, por permitir o transporte de tropas e armamentos mais rápido que os navios.
E isso se tornava particularmente grave porque, face a possibilidade de integrar Ásia e Europa, fatalmente Grã-Bretanha, Estados Unidos e outros países seriam empurrados para a margem do sistema global. Juntar Ásia com Europa resulta na maior massa de terra, recursos e população do planeta, a chamada Eurásia.
Daí porque toda a estratégia dos Estados Unidos no pós-guerra seria exatamente conter qualquer poder que busque integrar Ásia e Europa. A sabedoria da China, carente em energia, foi usá-la para se expandir
CC: Qual a importância da China nesse contexto?
RF: É crucial porque, ao contrário dos demais estados e forças políticas, não busca integrar Ásia e Europa politicamente, mas economicamente, através das famosas rotas da seda, eixos de infraestrutura de comunicação, transporte e, principalmente, energia. Há uma série de desdobramentos extremamente importantes. O primeiro tem a ver com a Rússia, essencial no projeto chinês de integrar Ásia e Europa. Decorre daí a escalada de tensão entre a Otan e a Rússia. Sem o apoio desse país, não é possível fazer aquela integração, por causa da posição geoestratégica que a Rússia desfruta nessa união. Na América do Sul, os investimentos chineses buscam integrar os países à rede de interesses em construção para a Ásia e a Europa, com a mesma estratégia. Investe-se em energia, transporte, inclusive há o projeto da estrada de ferro proposta pela China para ligar o Brasil ao Pacífico.
CC: Por que a integração de Ásia e Europa através da China é tão importante?
RF: A maior massa de terra é a junção de Europa e Ásia. Para controlar a Eurásia, é preciso dominar o seu centro, a Ásia Central. Quem fizer isso, controlará o planeta. Essa é a visão de Mackinder. Grã-Bretanha e, de certa forma, Estados Unidos têm uma preocupação muito grande em impedir que outro poder político domine a Ásia Central.
Entretanto, todas as tentativas nesse sentido fracassaram no século 20, por se tratar de um mosaico de culturas e povos que dificulta muito a unificação política da região. O que os chineses estão fazendo agora? Não estão unificando politicamente, mas economicamente. Eles constroem, neste momento, uma monumental infraestrutura de transporte e telecomunicações para ligar a China à Europa, passando pela Ásia Central. Com isso, a energia se transformou num instrumento para controlar aquilo que Mackinder considerou o centro da política no tabuleiro internacional.
A grande percepção da China foi transformar aquilo que em princípio seria uma debilidade da sua estratégia de potência, que é o fato de não dispor de fontes de energia, em um instrumento para unificar e projetar o seu poder economicamente sobre o centro do tabuleiro da Eurásia, com a ajuda inestimável e muito bem-vinda da Rússia. O Brasil se vê distante da guerra geopolítica, mas está no seu centro
CC: Como o Brasil se posiciona no jogo geopolítico?
RF: Essa é uma questão extremamente difícil, porque a inserção do País é muito problemática. O movimento da China para controlar o centro da Eurásia economicamente, inclusive importando energia, não é observado por Estados Unidos, União Europeia e Japão de forma tranquila. Ao contrário, determina um aguçamento do conflito, como se observa na Ucrânia, na Macedônia, na Síria, reflexos do esforço das chamadas potências ocidentais para afastar a possibilidade de unidade entre Ásia e Europa mediada pela China. São conflitos em torno da área de influência de Rússia e China.
É importante entender que a parceria entre Rússia e China não é apenas uma questão de conveniência de dois países que se sentem ameaçados. Ela é geoestratégica, porque a condição necessária para os chineses alcançarem a Europa de modo eficaz é o apoio da Rússia, influente na Europa Central. Do mesmo modo que o respaldo da China é indispensável para a Rússia enfrentar a Otan.
Desde o ano passado, uma ferrovia une Yiwu, próxima a Xangai, a Madri, na Espanha, para transporte de carga em tempo muito inferior ao dos navios. Esse é o pesadelo dos países que perderiam poder em escala global se essa articulação realmente acontecer. O Brasil está exatamente no meio desse conflito entre Estados Unidos e seus aliados e China e Rússia e seus aliados.
CC: Por que?
RF: Porque a questão não é apenas garantir oferta de energia para a capacidade de um país projetar poder, é principalmente negar ao outro que o confronta o acesso a essas fontes de energia.
E nós temos não só grandes reservas no pré-sal como uma empresa brasileira com capacidade de explorar essas reservas, o que nos dá uma notável autonomia para aproveitar esse recurso, e essa empresa se encontra associada às empresas chinesas de petróleo CNOOC e CNPC.
Portanto estamos inseridos num espaço tradicionalmente de influência norte-americana, com uma empresa com capacidade tecnológica de explorar o pré-sal, associada a uma empresa chinesa. Estamos exatamente, digamos assim, na linha de confronto. A situação é agravada ainda mais pelo fato de termos um projeto de submarino nuclear com capacidade de fechar o corredor do Atlântico, por ser muito mais rápido que o convencional.
Há uma crença generalizada no País de que nós estamos fora desse confronto entre Oriente e Ocidente. Devido às reservas energéticas e as matérias-primas que temos, estamos diretamente na linha de frente desse conflito.
A posição oposta, de que isso tudo não nos diz respeito por estar muito longe, é profundamente equivocada e pode ter consequências gravíssimas. E isso me preocupa muito porque eu não vejo por parte dos políticos, das lideranças políticas, e mesmo da maior parte dos intelectuais brasileiros, a percepção desse quadro. Não temos uma liderança extremamente hábil como foi Getúlio Vargas
CC: Seria melhor fazer parceria com a China ou os Estados Unidos?
RF: Examinada de perto, nenhuma das duas parcerias atende, neste momento, às necessidades do Brasil. O modelo chinês de desenvolvimento é muito parecido com o padrão britânico do século 19, no sentido de que a China consome matérias primas e exporta produtos industrializados e nós exportamos matérias-primas e importamos manufaturados chineses.
Segundo especialistas em comércio exterior, a economia brasileira tem-se tornado progressivamente competidora com a economia norte-americana, por exemplo em soja e automóveis. Fazer exportações significativas desses produtos aos EUA parece pouco provável, pois eles são grandes produtores. Não há, portanto, uma relação de complementaridade. Um alinhamento automático, quer a um lado, quer a outro, provocaria danos irreversíveis na economia nacional.
CC: O que o Brasil deveria fazer nesse contexto?
RF: Falta ao País a formulação de uma estratégia frente a esse confronto geopolítico global. Não percebo, entretanto, em nenhuma força política, a formulação dessa estratégia.
CC: O contexto político-econômico do País é uma complicação adicional.
RF: O sistema político do País está se desintegrando e não há nenhuma preocupação em preservar as organizações e instituições. A partir daí, o que vai acontecer é absolutamente imprevisível.
CC: No período de Getúlio Vargas, o País soube tomar partido do conflito que opunha as forças aliadas e o chamado eixo.
RF: Exatamente. Entre os anos 1930 e hoje, claro que são situações historicamente muito diferentes, mas há um traço comum: tanto naquele momento como agora, o mundo vivia um confronto geopolítico. Só que naquele período tivemos uma liderança extremamente habilidosa, que era o Getúlio Vargas (nota da redação: na Segunda Guerra Mundial, Vargas ameaçou aliar-se ao Eixo Alemanha-Japão-Itália e com isso obteve dos Estados Unidos, através do Eximbank, financiamento para construir a Usina de Volta Redonda, fundamental para a constituição da indústria no Brasil).
Hoje, nós não temos uma liderança semelhante. Como é que o País fica? Ao invés de se pensar uma estratégia, há uma captura das elites políticas no Brasil por esse confronto geopolítico. Há uma polarização antiamericanismo versus alinhamento automático com os Estados Unidos, evidência de que ocorreu uma captura dos agentes pela própria dinâmica do confronto geopolítico. É extremamente preocupante por serem duas saídas muito simplistas.
Na verdade, o Brasil não pode prescindir nem dos Estados Unidos, dada a posição que esse país ocupa no continente e o fato de ainda ser a maior potência global, nem da China, que hoje, de certa forma, sustenta o comércio exterior brasileiro. É preocupante não se discutir alternativas. Há uma captura pela mesma dinâmica de polarização do confronto global. Assim vai ser difícil conferir à economia brasileira o dinamismo necessário para sustentar cerca de 200 milhões de habitantes. A nossa afinidade está muito mais na África do que na América andina.
CC: Como o senhor vê esse movimento do Ministério das Relações Exteriores que pode resultar no fechamento de representações na África?
RF: Alguns dizem que o Brasil é o país mais ocidental da África, em tom crítico. Não vejo necessariamente como crítica ou elogio. Houve uma dinâmica muito forte de expansão de representações brasileiras na África com base em um desejo de ampliar a participação e a credibilidade do País no cenário global, torná-lo um player efetivo nas relações internacionais. No quadro de confronto geopolítico mencionado, essa perspectiva não é errada, mas precisa ser situada em um contexto.
Hoje a economia brasileira não encontra solução no alinhamento automático em nenhum dos dois lados do confronto global e é necessário estabelecer vínculos comerciais com países que são também uma alternativa para o avanço da nossa economia. Essas representações devem ser avaliadas da perspectiva daquilo que a relação entre os países pode gerar para dinamizar a economia brasileira. Visar simplesmente a projeção do Brasil no cenário internacional, num clima de confronto, é muito difícil.
CC: Qual é a relação entre geopolítica e a questão da energia?
RF: Um dos enganos mais comuns é considerar a energia como uma questão isolada. Energia, ao menos desde o início do século 20, é uma questão geopolítica. Pensá-la isoladamente como um problema em si leva a não perceber que a questão energética sempre estará inserida num contexto geopolítico e será determinada por injunções geopolíticas, ainda mais no momento atual.
CC: Como ficam a América Latina e a África no conflito geopolítico descrito?
RF: Essa é uma pergunta que também me obriga a ir contra a crença geral. Muito da geopolítica brasileira foi pensada numa espécie de extrapolação do Tratado de Tordesilhas. Como nós empurramos a linha de Tordesilhas para o Oeste, o destino brasileiro seria os Andes, seria chegar no Pacífico. É possível ver uma retomada disso naquele projeto mencionado de ferrovia ligando o Brasil ao Pacífico e chegando no Peru, que os chineses estão propondo. Mas é importante ter uma outra dimensão, que é social e cultural, da geopolítica.
Na verdade, nós temos profundas, fortes e muito sólidas raízes africanas. A nossa afinidade está muito mais na África do que na América andina. Na verdade, nós temos que nos orgulhar disso, porque a nossa afinidade está na África, a nossa facilidade de diálogo está na África. Então, novamente, as potências que estabelecerem uma aliança com o Brasil terão um pé na África.
Daí vem também uma outra dimensão que não tem necessariamente a ver com energia, tem mais a ver com história e geografia, da nossa importância geopolítica nesse conflito, que é o fato que o Brasil é uma ponte para a África.
Portanto controlando este lado do tabuleiro, você cria afinidades com outro lado do tabuleiro também. Ajuda nesse movimento. Além, é claro, de você controlar o Atlântico Sul.
CC: Todos esses fatores, conclui-se da sua análise, tornam a questão energética uma arma geopolítica.
RF: E é por isso que hoje pensar a questão energética do País como um problema única e exclusivamente econômico, como um problema de ‘como fica o custo de extração do pré-sal com a manipulação de preços dos sauditas’, é pensar de uma forma totalmente errada. Até porque, como os sauditas estão mostrando, energia sempre foi e sempre será, uma arma de luta política e geopolítica.
O que mais me preocupa neste momento é que não parece existir, nem das lideranças políticas nem na intelectualidade de uma forma geral, a percepção da gravidade do posicionamento brasileiro nesse conflito geopolítico internacional. Não adianta o domínio do pré-sal se não houver uma estratégia definida a partir da percepção desse contexto.
FONTE: http://www.cartacapital.com.br/economia/201cbrasil-se-ve-distante-da-guerra-geopolitica-mas-esta-no-centro201d
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quarta-feira, 20 de julho de 2016
O Pré-Sal e a Petrobrás no centro da geopolítica do golpe no Brasil
Carta Maior, 19/07/2016 - Copyleft
Petrobras: o golpe da privatização
Se comprar a Petrobrás já significa um grande negócio em qualquer circunstância, essa avaliação fica ainda mais tentadora em uma conjuntura de crise.
Paulo Kliass *
A conjunção da crise política e da crise
econômica ao longo dos últimos tempos tem contribuído para provocar uma
preocupante paralisia nas atividades do conjunto do setor público
brasileiro. Em particular, ganha destaque o caso de nossa maior empresa
estatal, a Petrobrás.
As denúncias e as investigações associadas à Operação Lava Jato somaram-se ao aprofundamento das dificuldades globais enfrentadas pelo setor petrolífero. A maior preocupação dos que operam no setor vem do movimento empreendido pelos países produtores, liderados pela Arábia Saudita, forçando a redução do preço dessa importante “commodity” nos mercados mundiais. Isso significou uma perda significativas de suas receitas.
No caso específico do Brasil, além disso, pesam negativamente as medidas envolvendo as empresas da construção civil e demais fornecedoras e/ou parceiras da Petrobrás. Esse quadro geral de certo imobilismo na tomada de decisões estratégicas compromete a gestão do presente e prejudica muito também as opções de investimento futuro. Com isso, estamos reduzindo nos dias de hoje a dimensão da empresa de amanhã.
As denúncias e as investigações associadas à Operação Lava Jato somaram-se ao aprofundamento das dificuldades globais enfrentadas pelo setor petrolífero. A maior preocupação dos que operam no setor vem do movimento empreendido pelos países produtores, liderados pela Arábia Saudita, forçando a redução do preço dessa importante “commodity” nos mercados mundiais. Isso significou uma perda significativas de suas receitas.
No caso específico do Brasil, além disso, pesam negativamente as medidas envolvendo as empresas da construção civil e demais fornecedoras e/ou parceiras da Petrobrás. Esse quadro geral de certo imobilismo na tomada de decisões estratégicas compromete a gestão do presente e prejudica muito também as opções de investimento futuro. Com isso, estamos reduzindo nos dias de hoje a dimensão da empresa de amanhã.
A profunda politização do debate em torno da
empresa acabou por ser refletida em uma campanha orquestrada pelo
financismo e pelos grandes meios de comunicação, com o objetivo de
desgastar os governos Dilma e Lula. Além disso, esse movimento tem por
objetivo explícito a redução da credibilidade da empresa e a intenção de
promover a desvalorização do próprio patrimônio da Petrobrás.
Contra o catastrofismo: recorde de produção.
No entanto, a força da realidade acaba jogando contra as tentativas liquidacionistas. As informações oferecidas pelas áreas operacionais da empresa insistem em desmentir as versões dos arautos do catastrofismo, sempre de plantão. O fato é que, não obstante a crise financeira indiscutível e as dificuldades enfrentadas, a Petrobrás continua batendo todos os recordes da produção pela exploração de suas reservas.
Contra o catastrofismo: recorde de produção.
No entanto, a força da realidade acaba jogando contra as tentativas liquidacionistas. As informações oferecidas pelas áreas operacionais da empresa insistem em desmentir as versões dos arautos do catastrofismo, sempre de plantão. O fato é que, não obstante a crise financeira indiscutível e as dificuldades enfrentadas, a Petrobrás continua batendo todos os recordes da produção pela exploração de suas reservas.
O relatório de junho traz as estatísticas a respeito da produção de óleo e gás, anunciando que a empresa alcançou um novo valor máximo em sua atividade exploratória. No período de um mês, verificou-se uma produção média de 2,9 milhões de barris de óleo equivalente por dia (petróleo e gás natural). Com isso, foi ligeiramente superada a cifra anterior de agosto de 2015, quando a marca havia sido de 2,88 milhões. Outro aspecto relevante é que mais de 30% dessa quantidade vêm das fontes do Pré Sal.
Assim, as perspectivas futuras de nossas reservas são bastante promissoras, uma vez que a cada novo período entram em operação novas instalações implantadas nessa estratégica região das águas profundas de nossa costa. Ainda que a redução atual dos preços do barril não estimule muito novos investimentos nesse tipo de jazida, é inegável que a demanda futura mundial por essa fonte energética ainda assegura uma receita imprescindível para o futuro de nosso País.
OPEP reconhece a produção do Brasil.
No entanto, toda cautela é necessária para operar em mercado tão marcado pela especulação e pela volatilidade. Em 2003, por exemplo, o barril estava na casa de US$ 30. Iniciou uma escalada de elevação, que foi muito acelerada pela demanda chinesa e associada ao crescimento da economia em escala global. Chegou a superar a marca dos 130 dólares às véspera da crise de 2008. Para os que acompanhavam de perto o setor, tratava-se de uma bolha especulativa nítida e clara. Tal tendência altista não seria sustentável no tempo. Com a redução do ritmo da economia mundial, os preços baixaram e agora se situam no patamar de US$ 45.
De qualquer forma, essa tendência de médio prazo do aumento da importância brasileira é reconhecida até mesmo pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). A entidade reconhece em seu último Relatório mensal que o Brasil será o país que promoverá o maior crescimento da produção em 2017, considerando-se o universo de países que não pertencem ao cartel. E o próprio documento credita às jazidas do Pré Sal esse importante acréscimo da oferta prevista do produto.
Ora, frente a um quadro como esse, beira à irresponsabilidade o discurso a favor da privatização da empresa ou de alguns de seus setores. É muito comum ouvirmos as referências - proferidas pelos mesmos “especialistas” que defendem a ortodoxia e o austericídio - a uma suposta inviabilidade inconteste da estatal. “A Petrobrás está quebrada!”, afirmam movidos por um sentimento aguerrido e difuso, que oscila entre o prazer e o desejo.
Petrobrás tem problemas, mas não está “quebrada”.
É inegável que a empresa acumulou um volume de dívidas bastante elevado ao longo dos últimos anos, em razão dos investimentos realizados. No entanto, seu valor patrimonial supera em muito esse tipo de compromisso com credores e ela tem plena capacidade de cumprir com tais obrigações. Basta um pouco de tempo e a vontade de iniciar um processo de replanejamento de suas atividades de forma integrada. Aliás, esse quadro atual de dificuldades econômico-financeiras é uma característica comum que afeta todas as gigantes do mundo petrolífero, em razão dessa mudança de patamar dos preços do óleo.
Algumas poucas são as certezas que se pode ter nessa conjuntura de insegurança e dúvidas quanto à capacidade de recuperação da economia mundial e de busca de fontes alternativas de energia. Mas uma delas é que a privatização de empresas públicas revela-se como enorme equívoco em termos de opção de políticas públicas. Tanto mais quando se trata de uma empresa de sucesso como a Petrobrás, que garante sozinha uma parcela importante de nosso PIB, que apresenta um expressivo efeito multiplicador para outras áreas e que influencia de forma decisiva nossa capacidade de inovação tecnológica.
A Petrobrás é reconhecida pela população como um patrimônio nacional, em razão das conquistas que ela apresentou ao longo de seus mais de sessenta anos de história. Talvez essa seja uma das razões que tem impedido que ela venha a ser objeto de aventuras liberalóides mais radicais. Afinal, todos sabemos muito bem os múltiplos interesses que se apresentam para uma longa lista de conglomerados desejosos de participar de qualquer processo privatizante.
Se comprar a Petrobrás já significa um grande negócio em qualquer circunstância, essa avaliação fica ainda mais tentadora para o capital em uma conjuntura de crise e recessão, tal como vivemos agora. Isso porque os preços dos ativos patrimoniais tendem a ser jogados lá para baixo e a privatização sai ainda mais em conta do que as conhecidas negociatas do passado nem tão longínquo assim. Basta que nos lembremos da Vale do Rio Doce, das empresas de telefonia, das empresas de eletricidade, do parque das siderúrgicas e muito mais.
Golpe da privatização: fatiamento e cocontrole.
O novo presidente da empresa indicado por Michel Temer tomou posse há poucas semanas atrás. Depois de ter ocupado cargos de primeiro escalão durante o governo de FHC, Pedro Parente foi prestar seus serviços junto a grandes grupos do capital privado. Agora está à frente de uma empresa muito visada pela sanha privatista do grupo que espera a confirmação do afastamento de Dilma para ver o anúncio daquilo que o presidente interino já chamou de “medidas impopulares”.
Mas por enquanto Parente revela certa “prudência”, vai comendo pelas beiradas. Em recente entrevista, afirmou ser contrário à “privatização total” da Petrobrás, pois esse tema seria ainda um “dogma” na sociedade brasileira. Assim, ele sugere uma estratégia mais cautelosa e que ofereceria menos resistência a esse tipo de iniciativa. Ele promete fatiar a empresa e vender para o capital privado alguns de seus ramos de negócios. Seria o caso, por exemplo, da área de distribuição. Além disso, ele começa a articular de forma hábil e inteligente outras formas para a privatização. Dentre elas surge o pomposo nome de “cocontrole”, onde a empresa seria de fato vendida ao setor privado e restaria uma ilusão de alguma forma pública de controle sobre os destinos da mesma. Pura balela!
Finalmente, vale ressaltar a conhecida estratégia de sucateamento deliberado da empresa existente, por meio de contenção de seus investimentos e das iniciativas que fizeram com que ela tivesse se transformado em uma empresa de referência no setor. Esse processo se combina com a tentativa de abertura da exploração do Pré Sal para o capital internacional e a proibição implícita de a Petrobrás aumentar sua presença nesses novos empreendimentos. Deixada à margem das novas operações, ela certamente perderia o fôlego para enfrentar a presença da concorrência dos poderosos conglomerados privados. Todos os novos espaços e blocos seriam generosamente oferecidos às multinacionais, o que representa uma opção explícita pelo processo de privatização.
* Paulo Kliass é doutor em Economia pela Universidade de Paris 10 e Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal.
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
A guerra proxy na Síria e as disputas estratégicas russo-estadunidenses no Oriente Médio
Mundorama, 20/09/2013
A guerra proxy na Síria e as disputas estratégicas russo-estadunidenses no Oriente Médio
Lucas Kerr Oliveira, Pedro V. P. Brites & João Arthur Silva Reis
O
acordo entre Rússia e Estados Unidos para a destruição das armas
químicas sírias, anunciado dia 14 de setembro, pode, ao menos por ora,
impedir uma nova intervenção estadunidense no Oriente Médio. O arranjo
estabelece que o regime de Bashar Al-Assad entregue seu arsenal químico
para o controle internacional e que este seja destruído até a metade de
2014 (RiaNovosti, 2013). O acordo proposto pela Rússia em 09 de setembro
arrefeceu a escalada da mobilização militar dos EUA. O sucesso da
iniciativa diplomática russa, que em grande medida deve-se ao envio de
uma esquadra com considerável poder de fogo no Mediterrâneo, pode ser
considerado uma inflexão na situação regional. Ao impedir o ataque à
Síria, foi freada uma tendência que se mantinha desde a queda de Kaddafi
em 2011: o avanço quase sem resistência dos interesses dos EUA e de
seus aliados no Oriente Médio.
A guerra na Síria teve início a partir de
uma escalada de violência, que começou com os protestos de 2011, pouco
depois do início da “Primavera Árabe”. A violência das manifestações
aumentou progressivamente, com crescente número de mortos, à medida que
rebeldes armados aproveitaram-se da situação para atacar o governo
instituído. Importa destacar que a “oposição” é formada por diferentes
facções de rebeldes, inclusive com rivalidades entre si. Enquanto
algumas facções são essencialmente étnicas, como os curdos sírios,
outras são formadas por grupos religiosos conservadores e
fundamentalistas, além de grupos como o Exército Sírio Livre, que inclui
desertores das forças armadas nacionais e recebem apoio turco. Bandos
armados mais radicais, como a Al-Nusra, ligada à Al-Qaeda, recebem apoio
saudita e inclui grandes contingentes de mercenários líbios e
chechenos. Este é o principal indício de que realmente está em andamento
uma guerra proxy de diversos atores, entre eles Arábia Saudita e Turquia, contra a Síria.
Os Estados Unidos adotaram, desde o
princípio, uma postura de condenação ao regime sírio e apoio aos
rebeldes. Entretanto, apesar do suporte dado pela OTAN e pela CIA aos
rebeldes – via Turquia e Jordânia –, os EUA não conseguiram obter a
renúncia ou a capitulação do regime de Assad (Lubold, 2013). Entretanto,
em 2012, Obama afirmou que os EUA só interviriam na Síria se o regime
de Assad ultrapassasse o que ele chamou de “linha vermelha”, ou seja,
utilizasse armas químicas ou biológicas.
Após o incidente de 21 de agosto, em que
ocorreu o uso de armas químicas, o governo americano declarou que iria
intervir militarmente na Síria, à revelia do Conselho de Segurança da
ONU, mesmo que a comissão das Nações Unidas não tenha conseguido
identificar o autor dos ataques (ONU, 2013), O Presidente americano,
porém, transferiu para o Congresso a responsabilidade final de aprovar
ou não a intervenção, que, a princípio, seria uma ação limitada,
restrita a alvos específicos. Apesar do apoio incondicional da França, o
veto do parlamento britânico à intervenção representou um revés
significativo para a estratégia dos EUA. Além disso, na cúpula do G-20
em São Petersburgo ficou evidente o relativo isolamento americano, já
que boa parte dos países presentes se opôs à ação militar.
Nesse contexto, a posição russa foi a
mais assertiva. O anuncio do envio de navios do Mar Negro, do Norte e do
Pacífico para o Mediterrâneo leste, foi um claro sinal de que a Rússia
não toleraria um ataque à Síria, tradicional aliado do país. Em 11 de
setembro, havia 8 navios russos na região, enquanto os EUA, por sua vez,
contavam com 6 vasos de superfície, além de uma série de bases aéreas e
navais no entorno. Apesar da evidente assimetria logística em favor dos
Estados Unidos, não há grande discrepância na capacidade destrutiva
mútua das duas esquadras. Trata-se de uma correlação surpreendente, dada
a superioridade técnica da marinha estadunidense. Esse relativo
equilíbrio de forças demonstra que o projeto da US Navy, ainda da
década de 1990, de privilegiar a capacidade de ataque à terra, deixou-a
relativamente vulnerável diante de outra marinha de guerra (Martins,
2013). Portanto, a presença da marinha russa no Mediterrâneo não teve
caráter meramente simbólico, mas sim de dissuasão efetiva, ao demonstrar
a possibilidade de escalada do conflito em caso de intervenção
americana.
A presença das marinhas americana e russa
na região reflete a importância geoestratégica do Oriente Médio para os
dois países. Os múltiplos interesses estadunidenses na região incluem,
principalmente, o controle geopolítico do petróleo e a defesa de seus
aliados regionais. Nas duas últimas décadas ganhou força o projeto
neoconservador de remodelar o mapa do Grande Oriente Médio em bases
étnico-religiosas (Peters, 2006). A iniciativa de fragmentar a maior
parte dos Estados Nacionais da região através de uma guerra permanente,
tudo indica, começou com a balcanização do Iraque, Líbia e Síria, sendo o
Irã um dos possíveis próximos alvos. Tal projeto aproxima os interesses
dos neocons estadunidenses aos dos wahhabitas sauditas, que
declaram a pretensão de liderar um grande califado regional
petroexportador de maioria sunita, capaz de competir com o petróleo
russo. Para isso, seria preciso viabilizar uma nova rede de oleodutos
alternativa ao escoamento através do Estreito de Ormuz, sob a liderança
saudita.
Para a Rússia é fundamental sustentar o
equilíbrio de poder no Oriente Médio, mantendo os únicos aliados que lhe
restaram na região, o Irã e a Síria, onde se localiza o Porto de
Tartus, a única base naval russa de águas quentes fora de seu
território. A possível balcanização destes aliados não ameaça apenas os
interesses russos na região, mas influencia diretamente na estabilidade
do Cáucaso. Principalmente porque há muitos chechenos entre as forças
rebeldes sírias, o que fortalece o movimento separatista na Chechênia e
Daguestão, um claro problema de segurança nacional para a Rússia.
Portanto, da perspectiva russa, combater os rebeldes sírios seria uma
forma de enfraquecer os radicais chechenos baseados no exterior (Hill,
2013). Assim, compreende-se que a oposição russa à intervenção dos EUA
tem motivações mais profundas do que a simples defesa de um regime
aliado.
Cabe destacar que a resolução da guerra
na Síria ainda parece bastante distante. Mesmo se o acordo para a
retirada das armas químicas se efetivar, isso não garante a
estabilização do país e nem previne uma nova futura escalada das tensões
entre as potências extrarregionais. Além disso, a evolução da crise na
Síria será vital para o jogo político doméstico nos Estados Unidos. Após
endurecer a retórica, a despeito da oposição da opinião pública à
intervenção, o governo Obama teve de recuar diante da proposta do
governo Putin, o que pode emparedar ainda mais o governo democrata.
Nesse sentido, as disputas internas sobre o projeto americano para o
Oriente Médio, bem como a reação de Rússia e China, parecem ensejar uma
instabilidade ainda maior na região nos próximos anos.
Referências Bibliográficas
BINNIE, Jeremy (2013). “Syrian militant group swears allegiance to Al-Qaeda”. IHS Jane’s Defence Weekly, 10 de abril de 2013. <http://www.janes.com/article/11900/syrian-militant-group-swears-allegiance-to-al-qaeda>Acesso em 16 de setembro de 2013.
HILL, Fiona (2013). “The Real Reason Putin Supports Assad”. Foreign Affairs, 25 de março de 2013. <http://www.foreignaffairs.com/articles/139079/fiona-hill/the-real-reason-putin-supports-assad> Acesso em 16 de setembro de 2013.
LUBOLD, Gordon (2013). “Is Anyone In Charge Of U.S. Syria Policy?” Foreign Policy, 20 de junho de 2013. <http://www.foreignpolicy.com/articles/2013/06/20/who_is_in_charge_of_us_syria_policy>Acesso em 16 de setembro de 2013.
MARTINS, José M. Q. (2013). Painel Síria: Escalada ou Reequilíbrio? Apresentação realizada em 12 de setembro de 2013. FCE, Ufrgs, Porto Alegre, RS.
ONU (2013). Report on the Alleged Use of Chemical Weapons in the Ghouta Area of Damascus on 21 August 2013.
United Nations Mission to Investigate Allegations of the Use of
Chemical Weapons in the Syrian Arab Republic. Organização das Nações
Unidas. <http://www.un.org/disarmament/content/slideshow/Secretary_General_Report_of_CW_Investigation.pdf> Acesso em 17 de setembro de 2013.
PETERS, Ralph (2006). “Blood borders: How a better Middle East would look”. Armed Forces Journal, Junho de 2006. <http://armedforcesjournal.com/archive/issue/2006/06/toc> Acesso em 15 de setembro de 2013.
RIA Novosti (2013). Russia, US Agree Syria Chemical Weapons Deal in Geneva. RIA Novosti, 14 de setembro de 2013. <http://en.rian.ru/russia/20130914/183438364/Russia-US-Agree-Syria-Chemical-Weapons-Deal-in-Geneva.html> Acesso em 16 de setembro de 2013.
_________________________________
Lucas Kerr de Oliveira é professor e
coordenador do curso de Relações Internacionais e Integração da
Universidade Federal da Integração Latino-Americana – UNILA. Doutor em
Ciência Política e Mestre em Relações Internacionais pela Universidade
Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS.
Pedro Vinícius Pereira Brites é Diretor-Geral do Instituto
Sul-Americano de Política e Estratégia – ISAPE. Mestrando em Estudos
Estratégicos Internacionais e Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio
Grande do Sul – UFRGS, bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de
Pessoal de Nível Superior – CAPES.
João Arthur da Silva Reis é Graduando em Relações Internacionais pela
Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Pesquisador colaborador do Centro de Estudos Internacionais sobre Governo – CEGOV-UFRGS e do ISAPE.
_________________________________
Fonte:
KERR-OLIVEIRA, Lucas; BRITES, Pedro V. P. & REIS, João A. S. (2013). A guerra proxy na Síria e as disputas estratégicas russo-estadunidenses no Oriente Médio. Mundorama, 20/09/2013. Mundorama,
Divulgação Científica em Relações Internacionais, ISSN 2175-2052.
<http://mundorama.net/2013/09/20/a-guerra-proxy-na-siria-e-as-disputas-estrategicas-russo-estadunidenses-no-oriente-medio-por-lucas-kerr-de-oliveira-pedro-vinicius-pereira-brites-e-joao-arthur-da-silva-reis/>
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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Curso de Geopolítica da Energia
Curso : "Geopolítica da Energia"
ISAPE promove curso de Geopolítica da Energia com o prof. Lucas Kerr de Oliveira, de 21 a 24 de janeiro, em Porto Alegre
O Instituto Sul-Americano de Política e Estratégia, ISAPE, promove nos dias 21 a 24 de janeiro de 2013 o curso "Geopolítica da Energia", que trata da geopolítica dos recursos energéticos que sustentam a economia global. Através de uma análise histórica, de uma apreciação do papel dos recursos na estratégia das grandes potências e de uma análise do atual perfil geográfico e tecnológico de recursos estratégicos, o curso provocará o aluno sobre a importância da problemática energética no nível internacional, abordando questões como a geopolítica do petróleo, as guerras por recursos energéticos, a transição energética e as fontes de energia mais limpas.
O
curso será ministrado pelo Professor Dr. Lucas Kerr de Oliveira, no
Clube de Cultura de Porto Alegre, as 18:30 às 22:00, nos dias 21, 22, 23
e 24 de janeiro de 2013.
sábado, 1 de dezembro de 2012
Forças Armadas do Brasil simulam defesa das plataformas de petróleo em alto mar
Agência Brasil, 28/11/2012
Flávia Villela
Repórter da Agência Brasil
Embarcado
há 16 dias, o estudante Antônio Marco Ferreira Neto, 19 anos, foi um
dos 23 alunos do Colégio Naval que se apresentaram como voluntários para
participar da operação como observadores. “Vim, porque queria ter um
melhor preparo para fazer uma escolha no futuro na carreira que pretendo
seguir a Marinha”.
http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-11-28/operacao-em-alto-mar-das-forcas-armadas-prepara-pais-para-defesa-das-plataformas-de-petroleo
Operação em alto-mar das Forças Armadas prepara país para defesa das plataformas de petróleo
Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro – Vôos rasantes, bombas, tiros de canhão e
metralhadoras e fumaça em plena costa brasileira fizeram parte da
simulação de ataque de duas aeronaves contra o navio de desembarque de
carro de combate Almirante Sabóia, de 138 metros de comprimento, da
Marinha brasileira.
O ataque simulado, feito hoje (28) a cerca de 80 quilômetros da entrada
da Baía de Guanabara, foi um dos exercícios da terceira edição da
Operação Atlântico 3, coordenada pelo Ministério da Defesa.
De acordo com o comandante da Primeira Divisão da Esquadra da Marinha,
contra-almirante Márcio Ferreira de Mello, testes como esses servem para
preparar o país para emergências que possam ameaçar a chamada Amazônia
Azul, área marítima com cerca de 700 quilômetros de extensão a partir da
costa brasileira.
“Neste ano focamos na defesa de instalações estratégicas, como as
nossas plataformas de petróleo e nossas linhas de comunicação marítimas,
pois o tráfego marítimo é responsável por 95% do nosso comércio
exterior”.
Outro objetivo importante, segundo Ferreira de Mello, é testar e
incrementar a integração entre as três Forças para momentos de atuação
conjunta.
A operação durou duas semanas, mobilizou cerca de 10 mil homens das
Forças Armadas e custou aproximadamente R$ 15 milhões. Além da parte
marítima, que contou com submarinos, navios-patrulha oceânicos, fragatas
e corvetas, a parte aérea mobilizou aviões, helicópteros e homens,
enquanto carros de combate do Exército encarregaram-se da proteção
terrestre.
Ao longo do dia foram feitos cinco exercícios: simulação de ataque
de aeronaves à Força Naval, de incêndio a bordo causado por ataque,
incidente de proteção marítima envolvendo um suposto navio exercendo
atividades ilegais em águas brasileiras, tiro de superfície sobre alvo à
deriva e a transferência de um militar entre dois navios.
Cursando o 3º ano do ensino médio, o rapaz disse que a parte da Armada
foi a que mais gostou de ver durante os testes. “Foi muito proveitoso o
convívio com praças e oficiais que nos deram muitas informações a
respeito da carreira”, comentou.
As operações Atlântico anteriores ocorreram em 2008 e 2010. O
contra-almirante ressaltou que todos os anos as Forças Armadas fazem
pelo menos duas operações de testes, na costa ou nos rios brasileiros.
Edição: Davi Oliveira
http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-11-28/operacao-em-alto-mar-das-forcas-armadas-prepara-pais-para-defesa-das-plataformas-de-petroleo
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quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Uma geopolítica das grandes potências no século XXI
TerceraInformacion
26-10-2011
La geopolítica de las potencias en el siglo XXI
Artículos de Opinión
Juan Eduardo Romero(*)
26-10-2011
La geopolítica de las potencias en el siglo XXI
Artículos de Opinión
Juan Eduardo Romero(*)
El reciente asesinato de Mohamar Gadhafi no es un hecho
fortuito. No se trata de desconocer que el férreo gobierno que mantuvo
desde 1969 no tuviera fallos y mucho menos que fuera toda una
exageración. Creo que hay un problema conceptual de forma que debe ser
comprendido en su justa medida.
En primer lugar, hay consideraciones sobre los efectos de los liderazgos personalistas y religiosos en África y Medio oriente. Hay una tradición histórica que nos muestra múltiples gobiernos al estilo Gadhafi en toda el área. La pregunta ¡por qué intervenir en unos y en otros no?¿Por que se permitió la masacre en Egipto, Yemen y otros espacios y no se declaro un embargo como el de Libia? La respuesta es que en esos países alineados con los intereses estratégicos de los EEUU en la zona, se produjo una “transición” hacia un modelo acordado que mantuviera el estado de dominación y control; por lo tanto en ese esquema el líder libio no encajaba y se hizo necesaria su desaparición.
En segundo lugar, hay un tema político-cultural. Libia y antes que él, Irak y antes Afganistán, reflejan el planteamiento sostenido en EEUU por Samuel Huntington sobre un “choque de civilizaciones” que amenazaba la supremacía de occidente, autorepresentada en la figura de los EEUU, Inglaterra, Francia, Alemania, Italia. Esta amenaza al orden mundial que surgió luego de la II Gran Guerra (1939-1945) y que permitió consolidar la estrategia hegemónica planteada por los EEUU desde los inicios de su expansión imperialista con la formulación de la Doctrina Monroe en 1823, no puede ser permitida bajo ningún marco jurídico, político o diplomático. Por ello el accionar contundente de todas las fuerzas de la OTAN contra el pueblo Libio.
En tercer lugar, el tema del reacomodo geopolítico energético. Los EEUU y en general el denominado G-8, con la excepción de Rusia y Canadá, tienen la disyuntiva que sus reservas energéticas (petróleo y gas) reales o estratégicas, se encuentran en franca disminución. Los EEUU tienen reservas estratégicas limitadas y ya el presidente Obama anunció la utilización de más de 30 millones de barriles de sus reservas. Ello es así, pues los EEUU para mantener su supremacía militar deben dotar de gasolina – para movilización y acción- a sus más de 250.000 soldados repartidos en todo el mundo (180.000 en Irak, 40.000 en Afganistán y el resto en todo el mundo). Ello representa para cada soldado en capacidad de movilizarse y actuar un costo de 60 lts de gasolina diarios. Es decir, estamos hablando que el costo del mantenimiento energético de la maquinaria de guerra de los EEUU es de 15 millones de lts, que al multiplicarlo por su costo en US$, representan casi 30 millones de US$ diarios, 210 millones semanales, 840 millones de US$ mensuales. Por ello, la intervención en Libia se traduce en una repartición de sus capacidades energéticas, tal como sucedió con Irak y Afganistán.
En primer lugar, hay consideraciones sobre los efectos de los liderazgos personalistas y religiosos en África y Medio oriente. Hay una tradición histórica que nos muestra múltiples gobiernos al estilo Gadhafi en toda el área. La pregunta ¡por qué intervenir en unos y en otros no?¿Por que se permitió la masacre en Egipto, Yemen y otros espacios y no se declaro un embargo como el de Libia? La respuesta es que en esos países alineados con los intereses estratégicos de los EEUU en la zona, se produjo una “transición” hacia un modelo acordado que mantuviera el estado de dominación y control; por lo tanto en ese esquema el líder libio no encajaba y se hizo necesaria su desaparición.
En segundo lugar, hay un tema político-cultural. Libia y antes que él, Irak y antes Afganistán, reflejan el planteamiento sostenido en EEUU por Samuel Huntington sobre un “choque de civilizaciones” que amenazaba la supremacía de occidente, autorepresentada en la figura de los EEUU, Inglaterra, Francia, Alemania, Italia. Esta amenaza al orden mundial que surgió luego de la II Gran Guerra (1939-1945) y que permitió consolidar la estrategia hegemónica planteada por los EEUU desde los inicios de su expansión imperialista con la formulación de la Doctrina Monroe en 1823, no puede ser permitida bajo ningún marco jurídico, político o diplomático. Por ello el accionar contundente de todas las fuerzas de la OTAN contra el pueblo Libio.
En tercer lugar, el tema del reacomodo geopolítico energético. Los EEUU y en general el denominado G-8, con la excepción de Rusia y Canadá, tienen la disyuntiva que sus reservas energéticas (petróleo y gas) reales o estratégicas, se encuentran en franca disminución. Los EEUU tienen reservas estratégicas limitadas y ya el presidente Obama anunció la utilización de más de 30 millones de barriles de sus reservas. Ello es así, pues los EEUU para mantener su supremacía militar deben dotar de gasolina – para movilización y acción- a sus más de 250.000 soldados repartidos en todo el mundo (180.000 en Irak, 40.000 en Afganistán y el resto en todo el mundo). Ello representa para cada soldado en capacidad de movilizarse y actuar un costo de 60 lts de gasolina diarios. Es decir, estamos hablando que el costo del mantenimiento energético de la maquinaria de guerra de los EEUU es de 15 millones de lts, que al multiplicarlo por su costo en US$, representan casi 30 millones de US$ diarios, 210 millones semanales, 840 millones de US$ mensuales. Por ello, la intervención en Libia se traduce en una repartición de sus capacidades energéticas, tal como sucedió con Irak y Afganistán.
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Oferta de energia precisa crescer cerca de 5% ao ano nesta década
28/09/2011
Oferta de energia precisa crescer cerca de 5% ao ano, diz secretário de Desenvolvimento Energético
Gorette Brandão
O
Brasil terá de enfrentar o desafio de expandir a oferta de energia a
uma taxa ao redor de 5% ao ano, conforme assinalou o secretário de
Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e
Energia, Altino Ventura Filho. Em audiência que debateu o Plano Decenal
de Energia 2011/2020, ele disse que esforço significa dobrar o sistema
energético ao fim de 12 anos, ampliando em 70% a atual capacidade
instalada de 112 mil megawatts.
Altino Ventura salientou que o
país apresenta vantagens competitivas, pois enquanto tem uma matriz
energética diversificada, utilizando mais de 86% de fontes renováveis
para produzir energia, esse índice cai a 18% no restante do mundo. Entre
outros dados, mostrou que até 2020 a participação do petróleo na matriz
de energia cairá de 37,8% para 30,4%. Quanto aos derivados de cana,
haverá um aumento dos atuais 17,7% para 21,8%.
- É uma matriz com
predomínio de fontes competitivas, de baixa emissão de gases de efeito
estufa e tecnologia nacional em que o Brasil tem grande potencial -
destacou o secretário do ministério.
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Discovery Channel discute a exploração do petróleo do Pré-Sal
Diário do Pré-Sal
O documentário "O Desafio do Pré-Sal" é a mais recente co-produção do Discovery Channel com a produtora brasileira Mixer, cujo tema é a exploração do petróleo do Pré-Sal. Dirigido por Marcello Bozzin, tem uma hora de duração e entrevista diversos especialistas, desde engenheiros, cientistas, ambientalistas e analistas de relações internacionais e geopolítica do petróleo, que discutem diferentes perspectivas referentes aos principais aspectos da exploração do Pré-Sal, desde sua geografia e formação geológica, passando pelos desafios tecnológicos, financeiros e ambientais, até os aspectos políticos, econômicos e geopolíticos envolvidos na exploração deste grande campo petrolífero que pode conter cerca de 100 bilhões de barris de petróleo, situando sua descoberta entre as maiores das últimas décadas em todo o mundo.
O documentário "O Desafio do Pré-Sal" é a mais recente co-produção do Discovery Channel com a produtora brasileira Mixer, cujo tema é a exploração do petróleo do Pré-Sal. Dirigido por Marcello Bozzin, tem uma hora de duração e entrevista diversos especialistas, desde engenheiros, cientistas, ambientalistas e analistas de relações internacionais e geopolítica do petróleo, que discutem diferentes perspectivas referentes aos principais aspectos da exploração do Pré-Sal, desde sua geografia e formação geológica, passando pelos desafios tecnológicos, financeiros e ambientais, até os aspectos políticos, econômicos e geopolíticos envolvidos na exploração deste grande campo petrolífero que pode conter cerca de 100 bilhões de barris de petróleo, situando sua descoberta entre as maiores das últimas décadas em todo o mundo.
Os demais documentários resultantes desta parceria incluiram temas como as enchentes e as pesquisas com células-tronco, que passaram no Discovery Channel em fevereiro deste ano, todos coproduzidos pela Mixer sob supervisão do Discovery Networks Latin America/US Hispanic.
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