sexta-feira, 29 de junho de 2012

Mercodilemas, mercosurpresas e a Integração Sul-Americana

Agência Carta Maior

29/06/2012

Mercodilemas, mercosurpresas

Martín Granovsky 

A reunião de chanceleres do Mercosul começou com um um fato previsível e uma surpresa. O previsível foi a confirmação de medidas para registrar a repulsa sulamericana à ruptura institucional no Paraguai. A surpresa, a renúncia do brasileiro Samuel Pinheiro Guimarães do cargo de alto representante do Mercosul. Guimarães vinha, há algum tempo, expressando seu descontentamento com a consistência do Mercosul. O bloco sulamericano enfrenta um desafio que não é novo, mas que a crise do Paraguai mostra com toda sua crueza. O artigo é de Martín Granovsky.

Samuel Pinheiro Guimarães

Buenos Aires - A cúpula que reuniu os chanceleres do Mercosul começou com um fato previsível e uma surpresa. O previsível foi a confirmação de medidas para registrar a repulsa sulamericana à ruptura institucional no Paraguai. A surpresa, a renúncia do brasileiro Samuel Pinheiro Guimarães do cargo de alto representante do Mercosul (chefe máximo com missões de negociação). Diplomata de carreira e filiado ao Partido dos Trabalhadores, Pinheiro Guimarães foi vice-chanceler e Secretário de Assuntos Estratégicos, com status de ministro, durante os oito anos do governo Lula.

O seu descontentamento pela escassa consistência do Mercosul não é novo. Ele havia manifestado isso na forma que o faz um diplomata, ou seja, dizendo que seria bom incorporar um maior nível de intercâmbio social e político, assinalando assim que a coesão não era o forte do mercado comum. Também comentou a falta de políticas específicas para os dois países menores do bloco, Paraguai e Uruguai.

Segundo o que o Página/12 conseguiu levantar, a oportunidade escolhida por este diplomata com peso intelectual próprio não entusiasmou nem ao governo brasileiro nem ao argentino. No caso brasileiro, aliás, não simétricas as expectativas de Pinheiro e as do governo liderado por Dilma Rousseff sobre os planos concretos e a autonomia prática do alto representante. De todo modo, considerado inclusive a crise menor dentro da crise maior, a renúncia dentro da interrupção da ordem institucional em um dos quatros membros, serve para uma reavaliação geral do tabuleiro.

Em 1991, a constituição do Mercosul em meio a regimes neoliberais diluiu a coordenação política prévia entre a Argentina e o Brasil e deu uma ênfase comercial a uma relação econômica que se baseava na integração administrada de setores produtivos. A coordenação dos tempos de Raúl Alfonsin e José Sarney voltou com Lula e Néstor Kirchner, e prossegue. Brasil e Argentina, apesar de terem hoje uma disparidade em tamanho relativo maior do que a que havia em 1985, apresentam uma sintonia política muito fina sobre a América do Sul e sobre o mundo e o volume de seu comércio é hoje três vezes maior do que em 1991.

Por outro lado, não conseguiram resolver a situação do Uruguai e do Paraguai, países que não têm semelhanças políticas, econômicas e institucionais. Por exemplo, o Uruguai é uma democracia consolidada e o Paraguai nunca terminou de estabilizar o regime constitucional que começou com a derrubada de Alfredo Stroessner pelo general Andrés Rodríguez em 1989. O establishment paraguaio agita esse tema agora com picardia. Dirigentes brancos e colorados sustentam que não importa que o Mercosul castigue o Paraguai pois isso acontece desde sempre.

A picardia consiste em basear um argumento com fundamentos em partes reais para encobrir a estratégia de que não ocorreu nada de mais. É um modo de reagir ao isolamento político do governo de Federico Franco, após a destituição relâmpago de Lugo. Relâmpago nas formas finais, é claro, porque antes 23 tentativas de impeachment, que se tornavam mais frequentes quanto maior era a debilidade político do ex-bispo.

É improvável que o Mercosul decida por um bloqueio econômico e comercial. Primeiro, porque os vizinhos, Argentina incluída, disseram que descartam essa possibilidade. E segundo porque, se quisessem, não poderiam fazê-lo. Como seria possível bloquear uma economia porosa onde pesa o contrabando? Como desconectar um país de onde vem 15% da energia elétrica argentina e 20% da brasileira?

O Mercosul enfrenta um desafio que não é novo, mas que a crise do Paraguai mostra com toda sua crueza. Neste ponto, crescem as chances de ingresso como membro pleno da Venezuela, como informou o Página/12, ainda que não se saiba de por via da suspensão de direitos do Paraguai, cujo Senado vinha trancando a entrada, ou mediante uma mudança no regulamento de incorporação de novos membros, mecanismo já acordado por sugestão feita na cúpula anterior pelo presidente uruguaio José “Pepe” Mujica.

Também neste ponto se entendem melhor os motivos da construção da Unasul, uma forma de integração política em primeiro lugar a partir dos chefes de Estado, que não abriga só os simpáticos a Lugo, mas, em geral, os afins às regras da democracia. Lugo é um espelho no qual nenhum presidente, de Hugo Chávez e Sebastian Piñera, desejaria se enxergar.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer



 (*) Leia aqui o relatório final de Samuel Pinheiro Guimarães ao Conselho de Ministros do Mercosul, apresentado em Mendoza, em 27 de junho de 2012:  http://www2.camara.gov.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-mistas/cpcms/publicacoeseeventos/relatorio-ao-conselho-de-ministros

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Vídeo do discurso da Presidenta Dilma Rousseff na Rio+20


Dilma afirma que crise não impede desenvolvimento sustentável


Vídeo do discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de abertura do Pavilhão Brasil na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável - Rio+20 - Rio de Janeiro/RJ




quinta-feira, 3 de maio de 2012

Censo do IBGE comprova que Brasil reduz desigualdade

Agrosoft

 03/05/2012

Censo do IBGE comprova que Brasil reduz desigualdades regionais e sociais

 Os avanços nos indicadores sociais do Brasil na última década, apontados pelos resultados gerais da amostra do Censo 2010, mostram que o País está no caminho certo para erradicar a miséria, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). Além do aumento de renda, os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) demonstram queda da mortalidade infantil e aumento da frequência escolar, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, as mais pobres do País. 

Fonte: Censo IBGE 2010

A taxa de mortalidade infantil teve redução recorde: o índice de 2010 (veja tabela acima) é 47,5% menor do que o registrado em 2000. "Em uma década, a mortalidade infantil caiu praticamente pela metade", afirma a ministra do MDS, Tereza Campello. O Nordeste teve a maior redução, de 58,6%. O IBGE reconhece a ampliação de políticas de acompanhamento da saúde e a melhor distribuição de renda como fatores preponderantes para a queda da mortalidade infantil.

As mulheres grávidas beneficiárias do Bolsa Família têm 1,5 de consultas pré-natal a mais do que as grávidas não beneficiárias com igual perfil socioeconômico. A quantidade de crianças nascidas entre 37 e 41 semanas é 14,1% maior nas famílias beneficiárias, em comparação com as famílias não beneficiárias, apontam estudos do MDS.

A frequência escolar aumentou na população de 7 a 14 anos. No Nordeste, o percentual de crianças fora da escola caiu para 45,1%. No Norte, a queda foi de 50% em relação a 2000. Hoje, o Bolsa Família acompanha a frequência escolar de 13,3 milhões de alunos entre seis e 15 anos.

Natalidade

A ministra considera ainda que os dados do Censo contribuem para rebater "mitos" em torno do Bolsa Família. A taxa de fecundidade caiu especialmente nas regiões Nordeste (23,4%) e Norte (queda de 21,8%). "Os dados mostram que o Bolsa Família não incentiva a natalidade. Ao contrário. A queda é maior nas regiões que mais recebem os benefícios do programa", assinala Tereza Campello.

De acordo com a ministra, os resultados do Censo reforçam a opção do governo brasileiro por um modelo de desenvolvimento que prioriza a inclusão dos mais pobres, que fez do Brasil uma referência para o mundo em crescimento com inserção social.

Mínimo e programas sociais melhoram padrão de vida

Na avaliação do MDS, o aumento do salário mínimo, os programas de transferência de renda, como Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC), e os incentivos fiscais para equipamentos da linha branca beneficiaram o consumo de bens duráveis das famílias mais pobres.

No Nordeste, por exemplo, 86,5% dos domicílios têm geladeira e no Norte, 83,8%. A renda domiciliar melhorou especialmente no Nordeste, com crescimento de 25,5% entre 2000 e 2010. A região Norte ficou em terceiro lugar, com aumento de 21,6% - atrás somente do Centro-Oeste, com aumento de 23,4%.

FONTE:  SECOM - Secretaria de Comunicação Social do Governo Federal - "Em Questão"

Links referenciados

www.mds.gov.br

www.ibge.gov.br

www.mds.gov.br/assistenciasocial/benefic
iosassistenciais/bpc

www.mds.gov.br/bolsafamilia

www.secom.gov.br/sobre-a-secom/nucleo-de
-comunicacao-publica/copy_of_em-questao-
1

www.ibge.gov.br




acesso em: http://www.agrosoft.org.br/agropag/221535.htm 



quarta-feira, 2 de maio de 2012

O texto definitivo do Novo Código Florestal

Texto definitivo do Novo Código Florestal apresenta avanços mas ainda exige muito das pequenas propriedades e da agricultura familiar


A Câmara dos Deputados aprovou a versão definitiva da lei que cria o Novo Código Florestal, após aprovações anteriores com modificações que ocorreram na Câmara e no Senado em 2011.

O Código Florestal até então vigente era baseado na Lei nº 4.771, de 15 de Setembro de 1965 - Código Florestal, mas que já havia sido extensivamente modificado, por mais de 100 emendas e alterações acrescentadas entre 1965 e 2009, tendo sido objeto de cerca de 6 mil regulações e atos normativos por parte dos órgãos responsáveis pela fiscalização do seu cumprimento. 

A nova versão do Código Florestal pode ser obtida no site da Câmara dos Deputados em sua redação final: Novo Código Florestal - http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/MEIO-AMBIENTE/416233-CAMARA-DISPONIBILIZA-REDACAO-FINAL-DO-NOVO-CODIGO-FLORESTAL.html

É possível, também, conferir os principais pontos aprovados que modificam a atual legislação nesta seção: http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/415840.html?timestamp=1335409515104





Vídeo: Por que o Novo Código Florestal é necessário


http://youtu.be/7si1rWVI2_I


A principal reclamação dos movimentos de trabalhadores ruais como a CONTAG é que o texto aprovado ainda é muito exigente com os pequenos agricultores, dificultando a sustentabilidade da produção nos minifúndios ou propriedades da agricultura familiar, que representa a maior parte da produção de alimentos do país.


A seguir, destacamos uma seleção de notícias que mostram a importância da aprovação de um novo código para a agricultura brasileira:










Para a Confederação dos Trabalhadores na Agricultura, o novo Código Florestal favorece a agricultura familiar

terça-feira, 1 de maio de 2012

Comissão da Câmara vai prever construção simultânea de eclusas e hidrelétricas para viabilizar Hidrovias

Agência Câmara de Notícias


17/04/2012 

Relator vai prever construção simultânea de eclusas e hidrelétricas

José Carlos Oliveira 

Em audiência nesta terça-feira, representantes do governo e empresários divergiram sobre a simultaneidade das obras. Ministério do Transporte pretende investir R$ 11,5 bilhões, até 2018, na construção de 27 eclusas no País.

 Beto Oliveira
Homero Pereira
Homero Pereira diz estar confiante no consenso para aprovação do projeto.
A obrigatoriedade de construção simultânea de hidrelétrica e eclusa em rios navegáveis será mantida no parecer do deputado Homero Pereira (PSD-MT) ao Projeto de Lei 3009/97, mas ainda divide governo e empresários.

A divergência ficou clara, nesta terça-feira, em audiência pública da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável sobre o projeto que exige a instalação de eclusas e de equipamentos de proteção à fauna aquática em barragens. A eclusa permite a descida ou a subida de embarcações em trechos de desnível acentuado em rios.
Representantes do Ministério do Transporte, da Agência Nacional de Transportes Aquáticos e da Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária avaliam que a proposta é fundamental para ampliar a participação das hidrovias na matriz do transporte nacional e reduzir os custos de produção de alimentos e outros insumos.

O secretário de Política Nacional do Ministério do Transporte, Marcelo Perupato, disse que o órgão está disposto a assumir os custos de construção das eclusas e argumentou que a medida poderá, inclusive, facilitar o licenciamento ambiental dos empreendimentos hidrelétricos. Segundo informou, o governo quer aproximar os cronogramas das hidrelétricas e das eclusas.

“Navegação é uma coisa ambientalmente boa e adequada. Uma coisa é dizer que vai construir uma hidrelétrica lá no meio da Amazônia. Outra coisa é dizer: 'Olha, vou fazer uma hidrelétrica, mas vou viabilizar lá uma hidrovia'. E a hidrovia viabilizada significa que não será feita uma ferrovia lá e, muito menos, uma estrada de rodagem”, explicou. Perupato informou que o Ministério do Transporte pretende investir R$ 11,5 bilhões, até 2018, na construção de 27 eclusas no País.

Luiz Alves
Gilberto Hollauer - Min. Minas e Energia
Gilberto Hollauer concorda com eclusas, mas chama
 atenção para o custo da tarifa para o consumidor.
 O Ministério de Minas e Energia se mostrou favorável às eclusas, mesmo reconhecendo que elas diminuem o potencial hidrelétrico dos rios. O diretor do núcleo de estudos estratégicos do ministério, Gilberto Hollauer, não vê problemas no projeto de lei, desde que sejam respeitados os contratos existentes, a segurança jurídica e a baixa tarifa de energia para o consumidor.

Sem clareza

No entanto, juntamente com a Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia, Hollauer não concordou com a obrigatoriedade de construção simultânea de hidrelétricas e eclusas. "É interessante que, na configuração do uso múltiplo dos recursos hídricos, esses usos sejam separáveis tanto em processos quanto em custo e em implementação”, defendeu. Segundo Hollauer, há o risco potencial de um uso começar a ser financiado pelo outro uso, e com isso, perde-se a clareza dos investimentos feitos.

Apesar da resistência do setor energético, Homero Pereira confirmou que pretende manter a simultaneidade no parecer que vai apresentar em maio. “Hoje o impasse está na concomitância, pois o setor energético está muito avançado nos leilões de energia e na construção de novas usinas hidrelétricas. No meu relatório, está prevista a concomitância e queremos o acordo”, antecipou.
Homero Pereira disse que seu relatório também vai prever a obrigatoriedade de redução do impacto dessas obras sobre a fauna, sobretudo em relação aos peixes que migram para as nascentes durante a desova, no fenômeno conhecido como piracema.

Consenso

O relator afirmou estar confiante no consenso, já que, depois de 15 anos de tramitação do projeto, o impasse entre os setores de energia e de logística de transporte está praticamente reduzido a apenas um ponto. "É um equívoco que as barragens construídas até hoje não tenham previsto as eclusas, sobretudo considerando o baixo custo dentro dos gastos para o barramento de um rio”, avaliou. Ele também elogiou o fato de o Ministério do Transporte assumir os custos de construção de eclusas a fim de evitar impacto na conta de luz para o consumidor.

Segundo o Ministério do Transporte, o Brasil tem 63 mil quilômetros de rios e lagos, dos quais 43 mil são potencialmente navegáveis, a maior parte na Amazônia. No entanto, apenas 15,5 mil quilômetros permitem hoje a navegação comercial. Atualmente, as hidrovias respondem por 4% da matriz do transporte de carga no País, enquanto o transporte rodoviário chega a 63%.

Íntegra da proposta:



Reportagem - José Carlos Oliveira
Edição – Maria Clarice Dias
 


quinta-feira, 19 de abril de 2012

Desmatamento na Amazônia Legal caiu 22% em relação a março de 2011

Agência Brasil 

19/04/2012

Desmatamento na Amazônia Legal caiu 22% em relação a março de 2011

Priscilla Mazenotti

Repórter da Agência Brasil


Brasília – O desmatamento da Amazônia Legal em março atingiu 53 quilômetros quadrados, área 15% maior que a de março de 2011, quando foram desmatados 46 quilômetros quadrados. Os dados são do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

Cerca de 60% do desmatamento ocorreu em Mato Grosso. O Pará está em segundo lugar, com 25% e Rondônia em terceiro, com 9%.

Entretanto, houve redução de 22% do desmatamento acumulado entre agosto de 2011 a março de 2012, totalizando 760 quilômetros quadrados a menos de floresta. No período anterior (de agosto de 2010 a março de 2011), foram desmatados 969 quilômetros quadrados.

Na análise dos dados de florestas degradadas na Amazônia Legal, o Imazon registra um índice de 40 quilômetros quadrados. O número é 87% menor do que em março do ano passado, quando a degradação florestal somou 298 quilômetros quadrados. Florestas degradadas são áreas não desmatadas, mas que apresentam problemas como incêndio florestal ou exploração madeireira de alta intensidade, prejudicando o solo.

Nesse caso, Mato Grosso também lidera o índice, com 67%, seguido pelo Amazonas, com 15%, Rondônia, com 10% e Pará, com 7%.

Também houve redução de 62% na degradação florestal acumulada. No período de agosto de 2011 a março de 2012, foram 1.568 quilômetros quadrados. Enquanto que, no mesmo período anterior, o número registrado foi 4.111 quilômetros quadrados.

O desmatamento na Amazônia Legal foi responsável pela emissão de 3,6 milhões de toneladas de gás carbônico equivalente.

O Imazon faz um monitoramento paralelo ao do governo do desmatamento da região. O monitoramento oficial na Amazônia é feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Segundo o Inpe, em março deste ano, foram desmatados 59 quilômetros quadrados na Amazônia. Mato Grosso foi o estado campeão, com 33 quilômetros quadrados desmatados.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

O papel Emergente dos BRICS na Geopolítica Mundial

Outras Palavras

11/04/2012

BRICS: a possível virada em Délhi 

 Na Índia, mídia internacional finalmente percebeu: bicentenária hegemonia do Ocidente está sendo desafiada por mundo novo e cada vez mais interdependente

Por Prem Shankar Jha*
Tradução: Tadeu Breda

A Índia hospeda uma série de conferências internacionais todos os anos, e 90% delas não consegue nem mesmo ser citada pela imprensa internacional. Mas a cúpula dos BRICS, concluída em 29 de março, rompeu com essa tradição. Em apenas dois dias, a conferência virou notícia em pelo menos 624 jornais de grande circulação e canais de tevê em todo o mundo. O que possibilitou tamanha repercussão? A resposta mais curta é que, talvez, a mídia internacional tenha sentido que a bicentenária hegemonia do Ocidente está sendo desafiada por um mundo novo e cada vez mais interdependente.

Esse desafio ao poderio ocidental (e norte-americano, em particular) foi construído ao longo do tempo: está refletido na crescente determinação da China em manter os mares ao sul de seu território livres da presença militar e da influência econômica estrangeiras; é visível já há alguns anos na atuação do grupo islâmico radical Al Qaeda; foi demonstrado pelos vetos russo e chinês às resoluções do Conselho de Segurança que buscavam legitimar a queda do regime de Bassar Assad na Síria. Nesse contexto, o encontro dos BRICS — grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — em Nova Délhi adquire especial relevância.

Apenas três dias antes da cúpula, um colunista do International Herald Tribune classificou os BRICS como “um bloco artificial construído em cima de um slogan”. Diferente da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e de outras agrupações, afirmou o articulista, não existe justificação regional ou comercial para os BRICS. Pelo contrário, todos os seus membros possuem relações econômicas prioritárias com o Ocidente. Além disso, a sigla que dá nome ao grupo foi inventado por um executivo da Goldman Sachs, cujo objetivo era aconselhar corporações transnacionais sobre a melhor forma de expandir suas atividades nas regiões que estavam em rápido crescimento após o início da globalização e da gradual desindustrialização do Ocidente.

Mais que uma sigla

Hoje, porém, os BRICS se transformaram em algo que vai muito além de sua sigla. A declaração de Délhi contém não apenas a mais abrangente crítica que jamais foi feita aos fracassos do Ocidente desde o final da Guerra Fria, como também traz esboços de um projeto alternativo para gerenciar um mundo cada vez mais interdependente — ou seja, o nosso.

A tarefa de elaborar esse plano B foi imposta aos BRICS pelas falhas do Ocidente. Tanto a crise financeira de 2008 como a recessão mundial iniciada em 2009 foram produtos da ganância e do desgoverno capitalista, que reinaram soberanos enquanto sucessivos países se esforçavam para desregulamentar todos os mercados, nacionais e internacionais, em nome da liberdade econômica e da produtividade. Só o que conseguiram foi transformar o mercado num terreno de caça para predadores econômicos.

Não devemos surpreender-nos, portanto, com as primeiras exigências dos BRICS, feitas lá atrás, em junho de 2009: todas se relacionavam à reforma das instituições financeiras internacionais, à uma reestruturação do sistema financeiro, à segurança energética, à mudança climática e ao comércio. E o tom era de cooperação: o objetivo dos BRICS — seus presidentes apressaram-se em dizer — era “expandir o consenso estratégico, consolidar a confiança mútua, coordenar-se entre si para enfrentar a crise” e traçar um plano para o desenvolvimento futuro do sistema econômico internacional.

Mas, na medida em que o caos financeiro se aprofundou e se espalhou para a política, os BRICS foram forçados a ampliar sua agenda e afinar o tom de suas declarações. A atuação do grupo deixou de ser exclusivamente econômica durante a terceira cúpula de chefes de Estado, realizada em Hainan, China, em abril de 2011, quando os BRICS expressaram “profunda preocupação com a turbulência no Oriente Médio” e prometeram “continuar com a cooperação na Líbia dentro do Conselho de Segurança.”

Mas a OTAN não quis aprender as lições da Líbia e ignorou um fato importante: a remoção forçada de um regime autoritário não é um caminho indolor rumo à liberdade, democracia e paz, mas conduz a um vazio de poder que, inevitavelmente, acaba sendo preenchido pelos elementos mais brutais e preconceituosos da sociedade. A OTAN saiu da Líbia com a crença de que finalmente havia descoberto uma “nova forma de guerra”, que cumpriiu o objetivo de mudar o governo de um país de forma barata e acessível — mesmo para potências economicamente falidas. Assim, a Líbia foi seguida pela Síria, e Síria está em perigo de ser seguida pelo Irã.

É essa perspectiva profundamente perturbadora do caos e da guerra em franca expansão que deu ao BRICS a possibilidade de desafiar a hegemonia do Ocidente de uma maneira tão madura como a que foi revelada em Délhi.

Uma crítica

A declaração Délhi expressa este desafio mais claramente em seis de seus 50 parágrafos. O primeiro é uma crítica à má gestão monetária da Europa — e, por consequência, dos Estados Unidos —, que produziu dívidas nacionais irresgatáveis, criou um excesso de liquidez internacional e agravou a recessão global. O segundo oferece uma crítica igualmente dura à inabilidade política do Ocidente em relação ao Oriente Médio. Um terceiro parágrafo lembra aos EUA e à União Europeia que a paz no Oriente Médio não poderá ser obtida sem uma “solução ampla e duradoura do conflito árabe-israelense”, e afirma que os BRICS estão muito interessados em ajudá-los na empreitada.

Um quarto parágrafo reafirma de forma inequívoca a necessidade de respeitar a soberania, a independência e a integridade territorial de todos os Estados, mas faz uma referência específica à Síria. Os BRICS expressam “profunda preocupação [com o ataque à soberania da] Síria”, conclamam a “um cessar-fogo imediato” e apoiam o plano de seis pontos proposto pelo ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan: fim das hostilidades e a instauração de “um processo político inclusivo e liderado pelos sírios” para criar “um novo ambiente para a paz”.

A declaração de Déhli reserva sua observação mais incisiva para o final: “A situação no Irã”, diz o texto, “não deve degenerar-se em conflito. Reconhecemos o direito do Irã ao uso pacífico da energia nuclear, em consonância com as suas obrigações internacionais, e apoiamos a resolução das divergências por meio de instrumentos políticos e diplomáticos e do diálogo entre as partes, incluindo entre a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e o Irã, e em conformidade com as disposições das determinações do Conselho de Segurança”. Tais observações ficam apenas um pouco aquém de um aviso mal disfarçado.

Os parágrafos sobre a Síria e o Irã constitui a rejeição mais inequívoca já feita à doutrina da “paz através do ataque preventivo” formulada pelo governo George W. Bush na sequência do 11 de Setembro. Desde então, sua aplicação repetitiva tem sido justificada não só pelo combate ao terrorismo, mas também pela defesa dos direitos humanos, a promoção da democracia e o exercício do “dever de proteger”. A verdade é que, desde a libertação do Kosovo, em 1999, até a destruição da Líbia, em 2011, temos assistido a uma sistemática violação do artigo 2º, a mais fundamental cláusula da Carta das Nações Unidas. A declaração Délhi é uma reafirmação de que os princípios consagrados pela ONU continuam vigentes e, portanto, é também um alerta ao Ocidente contra o uso da ONU e suas instituições — nomeadamente o Conselho de Segurança — para destruir a própria ONU.

Mesmo as duas iniciativas concretas delineadas pelos BRICS (o desenvolvimento de um sistema de pagamentos internacionais que dispense o uso do dólar e a criação de um banco internacional alternativo) não apenas possuem um objetivo econômico imediato, que é proteger suas economias da instabilidade monetária, mas tem também a finalidade política de libertar-se de um sistema bancário internacional que se tornou ferramenta do Ocidente para impor sanções, sequestrar fundos e, assim, estrangular e submeter países menores.

Resposta muda

Até agora, a resposta ocidental à declaração de Délhi permanece muda. Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial, e renomados economistas, como Nicholas Stern, Matthia Romani e Joseph Stiglitz, saudaram a ideia de um banco dos BRICS, observando sarcasticamente que tal instituição “poderia desempenhar um forte papel no reequilíbrio da economia mundial, canalizando o dinheiro duramente economizado pelos mercados emergentes e países em desenvolvimento para finalidades mais produtivas do que as bolhas de financiamento do mercado imobiliário dos países ricos”.

Porém, uma reação conservadora virá e, caso seja destacada pela mídia, poderia facilmente transformar em ameaça aos EUA e à OTAN o que hoje em dia não passa de um puxão de orelha nas potências hegemônicas do Ocidente. É imperativo aos BRICS garantir — e ao mundo, perceber — que a declaração de Délhi não é o começo de uma nova Guerra Fria.

A desorganização dos sistemas econômicos nacionais e internacionais causada pela globalização espalhou-se, hoje, para o sistema político mundial. Os BRICS encontraram sua raison d’etre na tentativa de deter que os malefícios se propaguem ainda mais. Não tem nada a ver com fazer tudo sozinho. Para citar Diena, um jornal letão, “seria exagero dizer que esta aliança mais ou menos informal é dirigida contra os Estados Unidos. Mas todos os países que formam os BRICS estão convencidos de que querem viver um mundo policêntrico, e não num planeta unipolar dominado pelos Estados Unidos.” A Letônia é membro da União Europeia.

-
Prem Shankar Jha é analista e jornalista indiano nascido em 1938. Já trabalhou para o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), além de vários veículos de comunicação da Índia. Foi também consultor do Banco Mundial, membro da comissão indiana da Unesco e professor-visitante da universidades de Harvard, Virginia e Richmond, nos Estados Unidos



http://www.outraspalavras.net/2012/04/11/brics-a-possivel-virada-em-delhi/

sábado, 17 de março de 2012

Renomado geógrafo brasileiro, Aziz Ab'Saber morre aos 87 anos

Sala de Imprensa do CNPq

16/03/2012

Geógrafo Aziz Ab'Saber morre aos 87 anos




Aziz Ab'Saber, um dos geógrafos mais respeitados do país, reconhecido internacionalmente, faleceu aos 87 anos, na manhã de hoje (16) de causa natural. 

 Presidente de Honra, ex-presidente e conselheiro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ab'Saber é autor de estudos e teorias fundamentais para o conhecimento dos aspectos naturais do Brasil. 

Natural de São Luís do Paraitinga, Ab'Saber desenvolveu ao longo de sua extensa carreira de cientista centenas de pesquisas e tratados de significativa relevância internacional nas áreas de ecologia, biologia evolutiva, fitogeografia, geologia, arqueologia e geografia. Ele desenvolveu trabalhos no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA/USP) até ontem. 

Em visita à SBPC nesta quinta-feira (15) ele entregou sua obra consolidada, de 1946 a 2010, em um DVD, para ser enviada a amigos, colegas da universidade e a outras pessoas. "Tenho o grande prazer de enviar para os amigos e colegas da universidade o presente DVD que contém um conjunto de trabalhos geográficos e de planejamento elaborados entre 1946-2010. Tratando-se de estudos predominantemente geográficos, eu gostaria que tal DVD seja levado ao conhecimento dos especialistas em geografia física e humana da universidade", diz Ab'Saber em sua dedicatória. 

Prêmios - Ab'Saber, que também foi professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, recebeu diversas láureas, como o Prêmio Jabuti em ciências humanas (1997 e 2005), e em ciências exatas (2007); o Prêmio Almirante Álvaro Alberto para Ciência e Tecnologia (1999) e Pesquisador Emérito (2010), ambos concedidos pelo CNPq; a Medalha de Grão-Cruz em Ciências da Terra pela Academia Brasileira de Ciências (ABC), e o Prêmio Unesco para Ciência e Meio Ambiente (2001). 

Em suas últimas declarações sobre o novo Código Florestal, criticou o texto por não considerar o zoneamento físico e ecológico de todo o país, como a complexa região semiárida dos sertões nordestinos, o cerrado brasileiro, os planaltos de araucárias, as pradarias mistas do Rio Grande do Sul, conhecidas como os pampas gaúchos, e o Pantanal mato-grossense. Na ocasião, chegou a defender a criação do Código da Biodiversidade para contemplar a preservação das espécies animais e vegetais. (Com informações da SBPC)

_____________
Fonte:
Assessoria de Comunicação Social do CNPq - comunicacao@cnpq.br
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)  

domingo, 4 de março de 2012

Como os BRICS podem mudar geopolítica do mundo

Outras Palavras

31/03/2012


Como os BRICS podem mudar geopolítica do mundo

Um jovem pesquisador brasileiro sustenta: EUA e Europa querem minar a aliança das periferias, porque não aceitam dividir poder global

Por Gabriel Elizondo, correspondente da Al Jazeera no Brasil
Tradução: Daniela Frabasile


Oliver Stuenkel
Oliver Stuenkel (na foto abaixo) fez parte da delegação brasileira para o fórum acadêmico Track II, em preparação para a Cúpula de Nova Délhi para líderes do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS), que aconteceu na quinta feira.

Stuenkel é especializado nas relações do Brasil com a Índia, mas também foca mais amplamente suas pesquisas nos BRICS. Ele é atualmente professor de Relações Internacionais na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo. Também coordena um blog chamado Post Western World, que olha como as potências emergentes estão mudando o mundo.
Abaixo, estão partes de minha entrevista com Stuenkel, na qual ele lança luz sobre o Brasil e as perspectivas e desafios que os BRICS enfrentam. Ele também contraria aqueles que dizem que os BRICS falharam.

 
Oliver Stuenkel: Ser parte dos BRICS é muito importante por que o conceito tem implicações geopolíticas. O país é visto como uma ameaça potencial aos poderes estabelecidos. E o Brasil tradicionalmente tem estado distante das áreas e temas mais importantes do mundo. Nunca fora visto antes como uma ameaça potencial, ou um país poderoso, com impacto relevante na situação global. Mas ser parte dos BRICS muda esta percepção, em algum grau. A aliança faz do Brasil um ator muito mais importante, na perspectiva europeia e norte-americana.

Penso que há, no Brasil, uma grande consciência de que ser parte dessa aliança, ou grupo, pode permitir participar, por exemplo, no debate sobre a emergência da Ásia. Isso é importante porque, até a inclusão da África do Sul, os BRICS eram basicamente três países (China, Rússia e Índia) que fazem parte da massa territorial da Eurásia. O Brasil é muito distante deles, geograficamente. Combinado com o fato de que Rússia, Índia e China se conhecem há muito tempo, isso contribuiu para o fato que, até a África do Sul se juntar, o Brasil manter-se como um estranho. A inclusão dos sul-africanos ajudou os BRICS a assumirem dimensão global, capaz de representar mais continentes. Também fez com que o Brasil se sentisse menos excluído.
As relações entre as Grandes Potências - EUA, Rússia e China - e as Potências Regionais Emergentes podem redefinir o Equilíbrio de Poder Internacional no Século XXI

A China ultrapassou os Estados Unidos, como maior parceiro comercial do Brasil. A relação do Brasil com os BRICS tornou-se mais importante que a relação com os Estados Unidos, ou até mesmo o Mercosul?
Stuenkel: É difícil responder isso, mas o governo brasileiro continua a focar na sua própria região. Existe um forte reconhecimento, no Brasil, de que o país sempre será parte da América do Sul e de que os laços econômicos e políticos com essa região sempre serão uma prioridade. No que diz respeito aos Estados Unidos, acredito que há uma divisão na liderança brasileira. Durante o governo Fernando Henrique Cardoso, a maioria dos políticos diriam que os EUA eram absolutamente uma prioridade. Mas agora, com os governos de Rousseff e Lula, existem pessoas tentando equilibrar as duas. Acredito que o Brasil nunca escolher entre os BRICS ou os Estados Unidos – sempre haverá um certo equilíbrio.

Você acredita que os Estados Unidos e a Europa prefeririam que os BRICS fracassassem?
Stuenkel: No lado norte-americano, acho que existe um interesse forte em reduzir os laços entre o Brasil e o resto dos BRICS. Acredito existir um entendimento claro de que o fortalecimento destas relações é problemático… Repare que há muito poucas alianças poderosas no mundo sem nenhuma participação europeia ou norte-americana. Os BRICS são a única. E esse não é o interesse dos Estados Unidos.

Você vê evidências de interesses poderosos tentando dividir os BRICS?
Stuenkel: Existem esforços, nos Estados Unidos, para enfraquecer as relações entre o Brasil e os outros países do BRICS. Vemos isso na mídia. É muito difícil encontrar hoje qualquer comentarista norte-americano ou europeu que fale que o BRICS pode ser algo bom, a ser apoiado. A visão dos comentaristas e acadêmicos norte-americanos e europeus sobre o BRICS é muito mais cética que a Índia, por exemplo — onde há um novo grupo de pensadores emergindo.

Qual o maior desafio que o BRICS enfrenta?
Stuenkel: Articular uma visão comum, para mostrar ao resto do mundo que é uma aliança poderosa, que pode construir uma visão clara do que quer… Também acho que os BRICS precisam ser mais inovadores, porque agora estão sendo comparados a experiências passadas como o G7 e mesmo a União Europeia e OTAN. Muitas pessoas dizem “os BRICS não se parecem com a UE ou com a OTAN – por isso, vão falhar”. Acredito que o verdadeiro desafio para é pensar fora do padrão, considerar novas ideias, criar algo que nem existe ainda e não entrará em xeque quando algum problema bilateral entre seus membros aparecer.

Se forem capazes de fazer isso, quais serão os resultados?
Stuenkel: Se os BRICS forem capazes de falar com uma só voz em qualquer situação que envolva assuntos globais, vão se converter imediatamente em construtores de agenda e numa voz muito poderosa, que nem os Estados Unidos, nem a União Europeia poderão ignorar. Seria a primeira vez que teríamos uma alternativa séria à narrativa das potências estabelecidas sobre como ver o mundo. O controle do discurso global pelos norte-americanos ainda é bastante forte, porque os países emergentes não são capazes de articular uma visão alternativa nesse ponto. Os BRICS podem mudar isso.

Algumas pessoas dizem que os BRICS já falharam, por não terem estabelecido narrativa e visão unificadas. Você concorda?
Stuenkel: Não. Acho que existe, nos Estados Unidos e na Europa, interesse em assegurar que os BRICS não estabeleçam uma narrativa. Muitas análises que procuram criar uma imagem de que o BRICS são incapazes de encontrar essa visão comum. É bastante natural que países que começaram a se reunir formalmente há apenas quatro anos ainda tenham problemas a resolver. Nunca chegará o dia em que concordem em tudo, assim como a União Europeia e a OTAN não concordam em tudo.

Por que alguém que vive fora dos países do BRICS deveria se importar com eles, ou com o fato de se encontrarem anualmente como um grupo?
Stuenkel: Porque os BRICS têm o potencial de se tornarem uma voz muito importante. Não é possível resolver as mudanças climáticas, nem lidar efetivamente com a instabilidade financeira global, sem eles. Se estes cinco países disserem: “temos uma posição comum quanto às mudanças climáticas”, isso será de importância crucial para a próxima cúpula sobre o tema, e para o próprio debate global.

Onde você vê os BRICS em 2030?
Stuenkel: Em 2030, das quatro maiores economias do mundo, três serão países do BRICS. Eu acho que isso irá mudar fundamentalmente o mundo.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Queda no desmatamento na Amazônia e no Pantanal

Portal Brasil

09/02/2012

Cai desmatamento na Amazônia e no Pantanal


O ritmo de desmatamento da Mata Atlântica, do Pantanal e dos Pampas diminuiu entre os anos de 2008 e 2009. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (9), pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA). A Mata Atlântica apresentou índice próximo de zero de aumento no desmatamento ao perder 0,02% da cobertura.

O estudo, que quantifica desmatamentos de áreas nativas, começou a operar em 2008 pelo Centro de Sensoriamento Remoto do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), utilizando o ano de 2002 como referência com imagens do satélite Landsat.

Mais informações estão disponíveis na página Projeto de Monitoramento do Desmatamento nos Biomas Brasileiros por Satélite.

“O resultado mostra que se está reduzindo a magnitude do desmatamento. Embora ainda esteja acontecendo, acontece num ritmo muito menor do que até 2008”, destacou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

Ela acrescentou que a meta é aumentar a fiscalização para que o índice de desmatamento chegue a zero. “Estamos chegando perto daquele alvo almejado por todos de ter desmatamento zero nesse bioma [Mata Atlântica]”, comentou.

Nos Pampas, onde a maior parte do desmatamento ocorre por causa da rizicultura e do reflorestamento de eucalipto, esse índice ficou em 0,18%. E no Pantanal, em 0,12%.

No período, o Cerrado foi o bioma que mais perdeu vegetação. A área desmatada chegou a 0,37% do total. Na Caatinga, o índice de desmate foi 0,23% e na Amazônia, 0,17%.

O índice de diminuição no ritmo de desmatamento é atribuído, em parte, aos avanços da produtividade e de pesquisa. “Com isso, não há tanta necessidade de expansão de área para aumentar a produção”, explicou o secretário-executivo de Biodiversidade e Florestas do MMA, Bráulio Dias.

A ministra adiantou que os próximos desafios serão monitorar, junto com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), além das áreas desmatadas em todos os biomas, as que estão em regeneração. A dinâmica está sendo utilizada pelo projeto TerraClass na Amazônia, que classifica a situação dos estados da região.

Segundo Izabella, as bases de dados atualizadas geram informações para orientar nas políticas públicas de combate ao desmatamento ilegal até a regularização ambiental.




Acesso em: http://www.brasil.gov.br/noticias/arquivos/2012/02/09/cai-desmatamento-na-amazonia-e-pantanal

domingo, 22 de janeiro de 2012

Neoimperialismo europeu se volta contra a América do Sul

Carta Maior, 21/01/2012 

DEBATE ABERTO

Ofensiva colonialista ameaça a América Latina

A decisão da União Européia de reconhecer o arquipélago das Malvinas como seu território, endossando as posições belicistas do premier britânico, David Cameron, que aprovou um plano para aumentar o contingente militar nas ilhas, serve para reacender um dado histórico que nunca deve ser esquecido.

Gilson Caroni Filho

 A decisão da União Européia de reconhecer o arquipélago das Malvinas como seu território, endossando as posições belicistas do premier britânico, David Cameron, que aprovou um plano para aumentar o contingente militar nas ilhas, serve para reacender um dado histórico que nunca deve ser esquecido: a tragédia dos países da América Latina, com seu fundo aberrante de exploração, miséria e desculturalização é uma só e com os mesmos inimigos: o neocolonialismo europeu e o imperialismo estadunidense.

Uma atualização política do "currency board", sistema inventado pelo império inglês para controlar seus domínios. Se nele, a colônia não tem autonomia nenhuma e a economia flutua ao sabor do déficit comercial, na geopolítica, que se afigura ameaçadora, os países periféricos voltam a orbitar em torno dos ditames das grandes potências. Cameron tira as gravatas de seda e os ternos alinhados para, três décadas depois, reafirmar a retórica de Margareth Thatcher.

Do convés do destróier Antrim, atravessado por uma bomba que não explodiu, Thatcher pronunciou o último discurso no seu giro de cinco dias pelas Malvinas: "Uma coisa tem que ficar clara: estas ilhas são britânicas, seus habitantes são súditos da rainha Elisabeth II e querem permanecer como tais". Dirigindo-se aos jornalistas que acompanhavam, ela reiterou que "não se pode negociar a soberania com os argentinos. Estendemos as mãos à Argentina. Não responderam. Confiamos em que eles o farão um dia. Mas não negociaremos a respeito de nossa posição soberana".

Cameron deve ignorar que o tempo histórico tem suas razões, que devem ser levadas em conta. A aventura do regime militar de Leopoldo Galtieri tinha como objetivo a permanência indefinida no governo, todo o tempo que fosse possível. Em 2012, Cristina Kirchner representa um modelo político em andamento na região há algum tempo, mais democrático de fato, humanizado e com ênfase nas reformas estruturais necessárias após o desmonte promovido pelo neoliberalismo. Ao contrário do "reel", dança típica inglesa, o tango se dança em silêncio, não contam tanto as palavras, mas os movimentos e os gestos.

A autodeterminação dos Kelpers, argumento central de Thatcher e Cameron, encerra uma contradição difícil de superar. Como podem reivindicar a cidadania britânica e o direito à autodeterminação? O que temos, de fato, é uma ocupação colonial permanente travestida de "independência". Não há mais condições objetivas para o oprimido fazer sua uma memória fabricada pelo opressor.

Convém recordar que se há 30 anos os países da América Latina foram muito além do previsível em seu apoio aos direitos argentinos, não cedendo um metro do seu território para que aviões militares fizessem escala, a resistência seria bem mais intensa com a região estruturada em comunidades como a Unasul e a Celac. Uma empreitada militar teria custos políticos bem mais profundos do que podem imaginar seus idealizadores.

Nada impede o início de discussões bilaterais sobre as Malvinas. Há para isso um antecedente importante: o documento celebrado em 1968 com a Argentina pelo governo trabalhista de Harold Wilson, que só não entrou em vigor, devido ao adiamento por causa da campanha eleitoral, e à vitória do conservador Edward Heath, depois, nas eleições de 1970.

Seu artigo 4 era bem explícito. "O governo de sua Majestade Britânica reconhecerá a soberania argentina sobre as ilhas a partir da data a ser combinada. Essa data será fixada tão logo o governo de sua Majestade Britânica esteja satisfeito com as garantias e salvaguardas oferecidas pelos governos argentinos para defender os interesses dos seus habitantes."

Como se vê, há uma saída para um impasse. Majestática, britânica e sensata. Algo que seria bem apreciado no sul do nosso continente



Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil

http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=5419

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Mudanças Climáticas e Aquecimento Global - debate entre os principais climatologistas brasileiros

O vídeo a seguir foi gravado em um debate realizado na USP, no Campus de São Paulo, entre os principais climatologistas, metereologistas e cientistas brasileiros que discordam da hipótese do aquecimento global e da hipótese do aquecimento de causa antrópica. 



Mudanças Climáticas e Aquecimento Global : debate entre os principais climatologistas brasileiros
parte 1





Mudanças Climáticas e Aquecimento Global : debate entre os principais climatologistas brasileiros
parte 2





Mudanças Climáticas e Aquecimento Global : debate entre os principais climatologistas brasileiros
parte 3
 





Mudanças Climáticas e Aquecimento Global : debate entre os principais climatologistas brasileiros
parte 4
Mudanças Climáticas e Aquecimento Global : debate entre os principais climatologistas brasileiros


Mudanças Climáticas e Aquecimento Global : debate entre os principais climatologistas brasileiros
parte 6







Mudanças Climáticas e Aquecimento Global : debate entre os principais climatologistas brasileiros
Parte final - perguntas e encerramento



Participaram deste debate os seguintes pesquisadores: 


Prof. Dr. Luiz Carlos Baldicero Molion : graduado em Fisica pela Universidade de São Paulo, USP (1969), PhD em Meteorologia na University of Wisconsin, Madison, EUA (1975), pós-doutorado em Hidrologia de Florestas, Institute of Hydrology, Wallingford, Reino Unido (1982),  Pesquisador Senior aposentado do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, INPE, prof. associado na UFAL, professor visitante da Western Michigan University nos EUA, , e é fellow do Wissenschftskolleg zu Berlin, Alemanha (1990).
foi professor de pós-graduação da Universidade de Évora, Portugal, e, representante da América do Sul como membro do Grupo Gestor da Comissão de Climatologia, da Organização Meteorológica Mundial (MG/CCl/WMO).

Prof. Dr. Ricardo Augusto Felicio : graduado em Ciências Atmosféricas - Meteorologia pela Universidade de São Paulo, USP (1998), mestrado em Meteorologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, INPE (2003) e doutorado em Geografia (Geografia Física) pela Universidade de São Paulo, USP (2007). Atualmente é professor de climatologia e metereologia da Universidade de São Paulo. Pesquisadorespecialisna na área de Geociências, com ênfase em Geografia e Meteorologia, Climatologia Geográfica, Antártida, Meteorologia e na Análise dos Ciclones Extratropicais e Polares na Antártica e no setor Sub-antártico que atuam no Brasil e no cinturão polar.  


Prof. Geraldo Lino Marcel Ligabo

Prof. Kenitiro Suguio

Prof. Mark Lund

Prof. Mario Fontes

Prof. Guilherme Polli

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Uma geopolítica das grandes potências no século XXI

TerceraInformacion 
 
26-10-2011

La geopolítica de las potencias en el siglo XXI 

Artículos de Opinión

Juan Eduardo Romero(*)



El reciente asesinato de Mohamar Gadhafi no es un hecho fortuito. No se trata de desconocer que el férreo gobierno que mantuvo desde 1969 no tuviera fallos y mucho menos que fuera toda una exageración. Creo que hay un problema conceptual de forma que debe ser comprendido en su justa medida.

En primer lugar, hay consideraciones sobre los efectos de los liderazgos personalistas y religiosos en África y Medio oriente. Hay una tradición histórica que nos muestra múltiples gobiernos al estilo Gadhafi en toda el área. La pregunta ¡por qué intervenir en unos y en otros no?¿Por que se permitió la masacre en Egipto, Yemen y otros espacios y no se declaro un embargo como el de Libia? La respuesta es que en esos países alineados con los intereses estratégicos de los EEUU en la zona, se produjo una “transición” hacia un modelo acordado que mantuviera el estado de dominación y control; por lo tanto en ese esquema el líder libio no encajaba y se hizo necesaria su desaparición.

En segundo lugar, hay un tema político-cultural. Libia y antes que él, Irak y antes Afganistán, reflejan el planteamiento sostenido en EEUU por Samuel Huntington sobre un “choque de civilizaciones” que amenazaba la supremacía de occidente, autorepresentada en la figura de los EEUU, Inglaterra, Francia, Alemania, Italia. Esta amenaza al orden mundial que surgió luego de la II Gran Guerra (1939-1945) y que permitió consolidar la estrategia hegemónica planteada por los EEUU desde los inicios de su expansión imperialista con la formulación de la Doctrina Monroe en 1823, no puede ser permitida bajo ningún marco jurídico, político o diplomático. Por ello el accionar contundente de todas las fuerzas de la OTAN contra el pueblo Libio.


En tercer lugar, el tema del reacomodo geopolítico energético. Los EEUU y en general el denominado G-8, con la excepción de Rusia y Canadá, tienen la disyuntiva que sus reservas energéticas (petróleo y gas) reales o estratégicas, se encuentran en franca disminución. Los EEUU tienen reservas estratégicas limitadas y ya el presidente Obama anunció la utilización de más de 30 millones de barriles de sus reservas. Ello es así, pues los EEUU para mantener su supremacía militar deben dotar de gasolina – para movilización y acción- a sus más de 250.000 soldados repartidos en todo el mundo (180.000 en Irak, 40.000 en Afganistán y el resto en todo el mundo). Ello representa para cada soldado en capacidad de movilizarse y actuar un costo de 60 lts de gasolina diarios. Es decir, estamos hablando que el costo del mantenimiento energético de la maquinaria de guerra de los EEUU es de 15 millones de lts, que al multiplicarlo por su costo en US$, representan casi 30 millones de US$ diarios, 210 millones semanales, 840 millones de US$ mensuales. Por ello, la intervención en Libia se traduce en una repartición de sus capacidades energéticas, tal como sucedió con Irak y Afganistán.

sábado, 15 de outubro de 2011

Senado debate cobrança de tributo pela extração de minérios do subsolo brasileiro


Agência Senado

14/10/2011

Cobrança de tributo pela exploração mineral será debatida com ministro de Minas e Energia 

Gorette Brandão   


[Foto: ]

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e o governador do Pará, Simão Jatene, são os convidados de audiência pública que, na próxima terça-feira (18), discutirá a eficácia do procedimento de cobrança da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM). 


O debate é uma iniciativa conjunta das comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e de Serviços de Infraestrutura (CI). Será realizado na sala da CI, na Ala Alexandre Costa (Plenário 13), a partir das 14h. Foi sugerido pelos senadores Flexa Ribeiro (PSDB-PA), Waldemir Moka (PMDB-MS) e Delcídio Amaral (PT-MS). 

Questão na Justiça
 
A cobrança da CFEM é motivo de divergências entre a União, estados e municípios com atividades de extração e beneficiamento de minérios. A questão chegou ao Supremo Tribunal Federal, onde a Advocacia Geral da União entrou com Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI nº 4606) para derrubar lei que regula a cobrança da compensação ambiental na Bahia. Outros estados têm normas semelhantes, como o próprio Pará, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Sergipe. A decisão do STF vinculará todos os casos. 

A audiência servirá ainda para o debate de dois projetos de lei do Senado que alteram as regras de cobrança da CFEM. Flexa Ribeiro é o autor do PLS 1/11, que pretende mudar a legislação para que a base de cálculo considere o faturamento bruto resultante da venda do produto mineral. O segundo projeto (PLS 283/11), do Senador Clésio Andrade (PR-MG), aumenta para 4% a alíquota da CFEM pela exploração de minério de ferro. 

O relator do projeto de Flexa Ribeiro é o senador Aécio Neves (PSDB-MG), e Eduardo Braga (PMDB-AM) é o responsável pelo relatório da proposta de Clésio Andrade. Aécio conseguiu aprovar na CI requerimento para que os dois projetos passem a tramitar em conjunto e cabe agora a decisão final da Mesa sobre o pedido. 

http://www.senado.gov.br/noticias/cobranca-de-tributo-pela-exploracao-mineral-sera-debatida-com-ministro-de-minas-e-energia.aspx?parametros=energia

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional discute reaparelhamento das Forças Armadas

Agência Senado

 14/10/2011


CRE debate reaparelhamento das Forças Armadas 
Augusto Castro 


 Dando continuidade à série de audiências públicas sobre os rumos da política externa brasileira, os senadores da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) realizam na segunda-feira (17), às 18h, o debate "Estratégia nacional de defesa - Reaparelhamento das Forças Armadas e indústria bélica: aquisição de armas e transferência de tecnologia". 

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Trabalhadores do setor bancário em greve pedem apoio ao governo Dilma para enfrentar os bancos

Carta Maior

11/10/2011  

Greve chega ao 15º dia e bancários pedirão audiência com Dilma


Segunda e última proposta da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), com reajuste de 8%, foi feita em 23 de setembro. Bancários querem 12,5%, dizem que já há 9.090 agências fechadas em todo o país e pedem reunião com presidenta Dilma Rousseff. "Estamos sofrendo pressões de todos os lados", diz Carlos Cordeiro, da Contraf-CUT.